20º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Jesus pregando

“Ó Senhor, resista eu até ao sangue, na luta contra o pecado.” Hb 12,4

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, preparastes para quem vos ama bens que nossos olhos não podem ver; acendei em nossos corações a chama da caridade para que, amando-vos em tudo e acima de tudo, corramos ao encontro das vossas promessas, que superam todo desejo. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: Jr 38,4-6.8-10; Sl 39; Hb 12,1-4; Lc 12,49-53

 

EVANGELHO: Lc 12,49-53

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Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra! Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.

 

REFLEXÃO

“Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Na Liturgia de hoje ouvimos estas palavras da Carta aos Hebreus: «Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus» (12, 1). É uma expressão que devemos frisar de modo especial neste Ano da fé. Também nós, durante este ano inteiro, mantenhamos o olhar fixo em Jesus porque a fé, que é o nosso «sim» à relação filial com Deus, provém dele, de Jesus. Ele é o único mediador desta relação entre nós e o nosso Pai que está nos céus. Jesus é o Filho e nós somos filhos nele.

Mas a Palavra de Deus deste domingo contém inclusive uma parábola de Jesus que nos põe em crise e deve ser explicada; caso contrário, pode gerar equívocos. Jesus diz aos discípulos: «Julgais que vim trazer paz à terra? Não, digo-vos, mas separação» (Lc12, 51). O que isto significa? Que a fé não é algo decorativo, ornamental; viver a fé não significa decorar a vida com um pouco de religião, como se fosse um bolo que se decora com o glacé. Não, a fé não consiste nisto. A fé exige que se escolha Deus como critério-base da vida, e Deus não é vazio, Deus não é neutro, Deus é sempre positivo, Deus é amor, e o amor é positivo! Depois que Jesus veio ao mundo, não podemos fazer como se não conhecêssemos Deus. Como se fosse algo abstrato, vazio, de referência puramente nominal; não, Deus tem um rosto concreto, tem um nome: Deus é misericórdia, Deus é fidelidade, é vida que se doa a todos nós. Por isso, Jesus diz: vim para trazer a separação; Jesus não quer dividir os homens entre si, pelo contrário: Jesus é a nossa paz, é a nossa reconciliação! Mas esta paz não é a paz dos sepulcros, não é neutralidade, Jesus não traz a neutralidade, esta paz não é um compromisso a todo o custo. Seguir Jesus comporta a renúncia ao mal, ao egoísmo, e a escolha do bem, da verdade e da justiça, mesmo quando isto exige sacrifício e renúncia aos próprios interesses. E isto sim, divide; como sabemos, divide até os vínculos mais estreitos. Mas atenção: não é Jesus que divide! Ele propõe o critério: viver para si mesmo, ou para Deus e para o próximo; ser servido, ou servir; obedecer ao próprio eu, ou obedecer a Deus. Eis em que sentido Jesus é «sinal de contradição» (Lc 2, 34).

Portanto, esta palavra do Evangelho não autoriza de modo algum o uso da força para propagar a fé. É precisamente o contrário: a verdadeira força do cristão é a o vigor da verdade e do amor, que requer a renúncia a toda a violência. Fé e violência são incompatíveis! Fé e violência são incompatíveis! Fé e fortaleza, ao contrário, caminham juntas. O cristão não é violento, mas forte. E com que força? Da mansidão, a força da mansidão, a força do amor.

Prezados amigos, inclusive entre os parentes de Jesus havia alguns que, numa certa altura, não compartilhavam o seu modo de viver e de pregar, como nos diz o Evangelho (cf.Mc 3, 20-21). Mas a sua Mãe seguiu-o sempre fielmente, mantendo fixo o olhar do seu Coração em Jesus, o Filho do Altíssimo, e sobre o seu mistério. E no final, graças à fé de Maria, os familiares de Jesus começaram a fazer parte da primeira comunidade cristã (cf.Act1, 14). Peçamos a Maria que nos ajude também a nós, a manter o olhar bem fixo em Jesus e a segui-lo sempre, mesmo quando for difícil.” (Papa Francisco, Angelus, 18 de agosto de 2013)

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