3º DOMINGO DA QUARESMA – ANO A

Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, porque livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. (Sl 24,15s)

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

 

Leituras da Liturgia Eucarística: Êx 17,3-7; Sl 94; Rm 5,1-2.5-8; Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42

 

EVANGELHO: Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42

Naquele tempo, Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta de meio-dia. Chegou uma mulher de Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”.

Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos.

Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”.

A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar água viva? Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?”

Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.

A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. “Senhor, vejo que és um profeta!” Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”.

Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.

Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”.

A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”.

Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. E muitos outros creram por causa da sua palavra. E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.

 

REFLEXÃO

“Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje apresenta-nos o encontro de Jesus com a mulher samaritana, que aconteceu em Sicar, junto de um antigo poço onde a mulher ia todos os dias buscar água. Naquele dia, encontrou lá Jesus, sentado, «cansado devido à viagem» (Jo 4, 6). Ele diz-lhe imediatamente: «Dá-me de beber» (v. 7). Deste modo supera as barreiras de hostilidade que existiam entre judeus e samaritanos e rompe os esquemas do preconceito em relação às mulheres. O pedido simples de Jesus é o início de um diálogo genuíno, mediante o qual Ele, com grande delicadeza, entra no mundo interior de uma pessoa à qual, segundo os esquemas sociais, não deveria nem sequer ter dirigido a palavra. Mas Jesus fá-lo! Jesus não tem medo. Jesus quando vê uma pessoa vai em frente, porque ama. Ama-nos a todos. Nunca se detém diante de uma pessoa por preconceitos. Jesus coloca-a diante da sua situação, sem a julgar mas fazendo-a sentir-se considerada, reconhecida, e deste modo suscitando nela o desejo de ir além da rotina diária.

A sede de Jesus não era tanto de água, quanto de encontrar a Samaritana para lhe abrir o coração: pede-lhe de beber para evidenciar a sede que havia nela mesma. A mulher comove-se com este encontro: dirige a Jesus aquelas perguntas profundas que todos temos dentro, mas que muitas vezes ignoramos. Também nós temos tantas perguntas para fazer, mas não encontramos a coragem de as dirigir a Jesus! A Quaresma, queridos irmãos e irmãs, é o tempo oportuno para olhar para dentro de nós, para fazer emergir as nossas necessidades espirituais mais verdadeiras, e pedir a ajuda do Senhor na oração. O exemplo da Samaritana convida-nos a expressar-nos do seguinte modo: «Jesus, dá-me aquela água que me saciará eternamente».

O Evangelho diz que os discípulos ficaram surpreendidos que o seu Mestre falasse com aquela mulher. Mas o Senhor é superior aos preconceitos, e por isso não receou falar com a Samaritana: a misericórdia é maior do que o preconceito. Devemos aprender bem isto! A misericórdia é maior do que o preconceito, e Jesus é muito misericordioso, tanto! O resultado daquele encontro junto do poço foi que a mulher se transformou: «deixou a sua ânfora» (v. 28), com a qual ia buscar água, e foi depressa à cidade contar a sua experiência extraordinária. «Encontrei um homem que me disse todas as coisas que eu fiz. Será o Messias?». Estava entusiasmada. Tinha ido buscar água ao poço, e encontrou outra água, a água viva que jorra para a vida eterna. Encontrou a água que procurava desde sempre! Corre à aldeia, àquela aldeia que a julgava, a condenava e a rejeitava, e anuncia que encontrou o Messias: alguém que lhe mudou a vida. Porque cada encontro com Jesus nos muda a vida, sempre. É um passo em frente, um passo mais próximo de Deus. E assim cada encontro com Jesus nos muda a vida. É sempre assim.

Também nós encontramos neste Evangelho o estímulo para «deixar a nossa ânfora», símbolo de tudo o que aparentemente é importante, mas que perde valor diante do «amor de Deus». Todos temos uma, ou mais que uma! Pergunto a vós, e também a mim: «Qual é a tua ânfora, a que te pesa, a que te afasta de Deus?». Deixemo-la um pouco de lado e com o coração ouçamos a voz de Jesus que nos oferece outra água, outra água que aproxima do Senhor. Somos chamados a redescobrir a importância e o sentido da nossa vida cristã, que começou com o baptismo e, como a Samaritana, a testemunhar aos nossos irmãos. O quê? A alegria! Testemunhar a alegria do encontro com Jesus, porque disse que cada encontro com Jesus muda a nossa vida, e também cada encontro com Jesus enche de alegria, aquela alegria que vem de dentro. E o Senhor é assim. E contar quantas coisas maravilhosas o Senhor faz no nosso coração, quando temos a coragem de pôr de lado a nossa ânfora.” (Papa Francisco, Angelus, 23 de março de 2014)

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