3º DOMINGO DA QUARESMA ANO B

“Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, porque livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz.” Sl 24,15s

 

Leituras da liturgia eucarística: Êx 20,1-3.7-8.12-17; Sl 18; 1Cor 1,22-25; Jo 2,13-25

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

EVANGELHO: Jo 2,13-25

Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”

Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”.

Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?”

Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”.

Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?”

Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.

Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro.

 

REFLEXÃO

Amados irmãos e irmãs!

O Evangelho deste terceiro domingo de Quaresma narra — na revelação de são João — o célebre episódio de Jesus que expulsa do templo de Jerusalém os vendedores de animais e os cambistas (cf. Jo 2, 13-25). O episódio, referido por todos os Evangelistas, aconteceu nas proximidades da festa da Páscoa e suscitou grande impressão quer na multidão, quer nos discípulos. Como devemos interpretar este gesto de Jesus? Antes de tudo deve-se observar que Ele não provocou repressão alguma dos detentores da ordem pública, porque foi visto como uma típica acção profética: de facto, os profetas, em nome de Deus, denunciavam com frequência abusos, e por vezes faziam-no com gestos simbólicos. O problema, no máximo, era a sua autoridade. Eis por que os Judeus perguntaram a Jesus: «Que sinal nos apresentas para justificares o Teu proceder?» (Jo 2, 18), demonstra-nos que ages deveras em nome de Deus.

A expulsão dos comerciantes do templo foi interpretada também do ponto de vista político-revolucionário, colocando Jesus na linha do movimento dos zelotas. Eles eram, precisamente, «zelosos» da lei de Deus e dispostos a usar a violência para a fazer respeitar. Na época de Jesus aguardavam um Messias que libertasse Israel do domínio dos Romanos. Mas Jesus desiludiu esta expectativa, a tal ponto que alguns discípulos o abandonaram e Judas Iscariotes até o atraiçoou. Na realidade, é impossível interpretar Jesus como violento: a violência é contrária ao Reino de Deus, é um instrumento do anticristo. A violência nunca está ao serviço da humanidade, mas desumaniza-a.

Ouçamos então as palavras que Jesus disse, fazendo aquele gesto: «Tirai tudo isto daqui e não façais da casa de Meu Pai uma feira». E os discípulos então recordaram-se de que está escrito num Salmo: «Devora-me o zelo pela tua casa» (69, 10). Este salmo é uma invocação de ajuda numa situação de extremo perigo por causa do ódio dos inimigos: a situação que Jesus viverá na sua paixão: o seu zelo pelo amor que paga pessoalmente, não aquele que pretenderia servir Deus mediante a violência. Com efeito, o «sinal» que Jesus dará como prova da sua autoridade será precisamente a sua morte e ressurreição. «Destruí este templo — disse — e edificá-lo-ei em três dias». E são João escreve: «Ele falava do templo do seu corpo» (Jo 2, 20-21). Com a Páscoa de Jesus começa um novo culto, o culto do amor, e um novo templo que é Ele mesmo, Cristo ressuscitado, mediante o qual cada crente pode adorar Deus Pai «em espírito e verdade» (Jo 4, 23).

Queridos amigos, o Espírito Santo começou a construir este novo templo no seio da Virgem Maria. Por sua intercessão, rezemos a fim de que cada cristão se torne pedra viva deste edifício espiritual.” (Papa Bento XVI, Angelus, 11 de março de 2012)

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