3º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

Jesus na sinagoga

Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo (Sl 95,1.6).

 

ORAÇÃO DO DIA

Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso filho, frutificar em boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo (Oração das Horas).

Leituras da liturgia eucarísticaNe 8,2-4a.5-6.8-10; Sl 18B(19); 1Cor 12,12-14.27; Lc 1,1-4;4,14-21

 

EVANGELHO:  Lc 1,1-4;4,14-21

 

Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra.

Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste.

Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza.

Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam.

E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura.

Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”.

Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.

Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

 

REFLEXÃO

«A liturgia hodierna apresenta-nos, unidos, dois trechos distintos do Evangelho de Lucas. O primeiro (1, 1-4) é o prólogo, dirigido a um certo «Teófilo»; dado que em grego este nome significa “amigo de Deus”, nele podemos ver cada fiel que se abre a Deus e quer conhecer o Evangelho. O segundo trecho (4, 14-21), ao contrário, apresenta-nos Jesus que “com o poder do Espírito” vai sábado à sinagoga de Nazaré. Como bom observante, o Senhor não se subtrai ao ritmo litúrgico semanal e une-se à assembleia dos seus compatriotas na oração e na escuta das Escrituras. O rito prevê a leitura de um texto da Tora, ou dos Profetas, seguida de um comentário. Naquele dia, Jesus ergueu-se para ler e encontrou um trecho do profeta Isaías que começa assim: “O espírito do Senhor repousa sobre mim, / porque o Senhor me consagrou pela unção; / enviou-me a levar a boa nova aos humildes” (61, 1). Orígenes comenta: “Não é por acaso que ele abriu o rolo e encontrou o capítulo da leitura que profetiza acerca dele, mas também isto foi obra da providência de Deus” (Homilias sobre o Evangelho de Lucas, 32, 3). Com efeito, após ter terminado a leitura, num silêncio repleto de atenção, Jesus disse: “Hoje cumpriu-se este oráculo que [agora] vós acabais de ouvir” (Lc 4, 21). São Cirilo de Alexandria afirma que o “hoje”, inserido entre a primeira e a última vinda de Cristo, está vinculado à capacidade que o fiel tem de ouvir e de se arrepender (cf. pg 69, 1241). Mas, num sentido ainda mais radical, o próprio Jesus é o “hoje” da salvação na história, porque leva a cumprimento a plenitude da redenção. O termo “hoje”, muito querido a são Lucas (cf. 19, 9; 23, 43), leva-nos ao título cristológico preferido pelo mesmo evangelista, ou seja, “salvador” (sōtēr). Já nas narrações da infância, ele é apresentado com as palavras que o anjo dirigiu aos pastores: “Hoje nasceu-vos na Cidade de David um Salvador, Cristo Senhor” (Lc 2, 11).

Caros amigos, este trecho interpela-nos “hoje” também a nós. Antes de tudo, faz-nos pensar no nosso modo de viver o domingo: dia do descanso e da família, mas antes ainda dia a dedicar ao Senhor, participando na Eucaristia, na qual nos alimentamos do Corpo e Sangue de Cristo e da sua Palavra de vida. Em segundo lugar, no nosso tempo dispersivo e distraído, este Evangelho convida-nos a interrogar-nos sobre a nossa capacidade de escuta. Antes de poder falar de Deus e com Deus, é preciso ouvi-lo, e a liturgia da Igreja é a «escola» desta escuta do Senhor que nos fala. Enfim, diz-nos que cada momento pode tornar-se um “hoje” propício para a nossa conversão. Cada dia (kathēmeran) pode tornar-se o hoje salvífico, porque a salvação é história que continua para a Igreja e para cada discípulo de Cristo. Este é o sentido cristãos do “carpe diem”: aproveita o hoje em que Deus te chama para te conceder a salvação!

A Virgem Maria seja sempre o nosso modelo e a nossa guia, para sabermos reconhecer e acolher, em cada dia da nossa vida, a presença de Deus, Salvador nosso e de toda a humanidade.» (Papa Bento XVI, Angelus, 27 de Janeiro de 2013)

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