4º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

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ORAÇÃO DO DIA

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47).

Leituras da liturgia eucarística: Jr 1,4-5.17-19; Sl 70; 1Cor 12,31-13,13; Lc 4,21-30

 

EVANGELHO: Lc 4,21-30

 

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

 

REFLEXÃO

«A liturgia hodierna apresenta-nos, unidos, dois trechos distintos do Evangelho de Lucas. O primeiro (1, 1-4) é o prólogo, dirigido a um certo “Teófilo”; dado que em grego este nome significa “amigo de Deus”, nele podemos ver cada fiel que se abre a Deus e quer conhecer o Evangelho. O segundo trecho (4, 14-21), ao contrário, apresenta-nos Jesus que “com o poder do Espírito” vai sábado à sinagoga de Nazaré. Como bom observante, o Senhor não se subtrai ao ritmo litúrgico semanal e une-se à assembleia dos seus compatriotas na oração e na escuta das Escrituras. O rito prevê a leitura de um texto da Tora, ou dos Profetas, seguida de um comentário. Naquele dia, Jesus ergueu-se para ler e encontrou um trecho do profeta Isaías que começa assim: “O espírito do Senhor repousa sobre mim, / porque o Senhor me consagrou pela unção; / enviou-me a levar a boa nova aos humildes” (61, 1). Orígenes comenta: “Não é por acaso que ele abriu o rolo e encontrou o capítulo da leitura que profetiza acerca dele, mas também isto foi obra da providência de Deus” (Homilias sobre o Evangelho de Lucas, 32, 3). Com efeito, após ter terminado a leitura, num silêncio repleto de atenção, Jesus disse: “Hoje cumpriu-se este oráculo que [agora] vós acabais de ouvir” (Lc 4, 21). São Cirilo de Alexandria afirma que o “hoje”, inserido entre a primeira e a última vinda de Cristo, está vinculado à capacidade que o fiel tem de ouvir e de se arrepender (cf. pg 69, 1241). Mas, num sentido ainda mais radical, o próprio Jesus é o “hoje” da salvação na história, porque leva a cumprimento a plenitude da redenção. O termo “hoje”, muito querido a são Lucas (cf. 19, 9; 23, 43), leva-nos ao título cristológico preferido pelo mesmo evangelista, ou seja, “salvador” (sōtēr). Já nas narrações da infância, ele é apresentado com as palavras que o anjo dirigiu aos pastores: “Hoje nasceu-vos na Cidade de David um Salvador, Cristo Senhor”(Lc 2, 11).

Caros amigos, este trecho interpela-nos “hoje” também a nós. Antes de tudo, faz-nos pensar no nosso modo de viver o domingo: dia do descanso e da família, mas antes ainda dia a dedicar ao Senhor, participando na Eucaristia, na qual nos alimentamos do Corpo e Sangue de Cristo e da sua Palavra de vida. Em segundo lugar, no nosso tempo dispersivo e distraído, este Evangelho convida-nos a interrogar-nos sobre a nossa capacidade de escuta. Antes de poder falar de Deus e com Deus, é preciso ouvi-lo, e a liturgia da Igreja é a «escola» desta escuta do Senhor que nos fala. Enfim, diz-nos que cada momento pode tornar-se um “hoje” propício para a nossa conversão. Cada dia (kathēmeran) pode tornar-se o hoje salvífico, porque a salvação é história que continua para a Igreja e para cada discípulo de Cristo. Este é o sentido cristãos do “carpe diem”: aproveita o hoje em que Deus te chama para te conceder a salvação!

A Virgem Maria seja sempre o nosso modelo e a nossa guia, para sabermos reconhecer e acolher, em cada dia da nossa vida, a presença de Deus, Salvador nosso e de toda a humanidade.» (Papa Bento XVI, Angelus, 27 de Janeiro de 2013)

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