3º DOMINGO DE PÁSCOA – ANO A

Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome, rendei-lhe glória e louvor, aleluia! (Sl 65,1s)

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, que vosso povo sempre exulte pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leituras da liturgia eucarística: At 2,14.22-33; Sl 15; 1Pd 1,17-21; Lc 24,13-35

 

EVANGELHO: Lc 24,13-35

Naquele tempo, Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus.

Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”.

Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”.

Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”.

Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu.

Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe.

Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?”

Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?”

Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas.

Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”. Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.

 

REFLEXÃO

“Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo, que é o terceiro de Páscoa, é o dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35). Eram dois discípulos de Jesus, os quais, depois da sua morte e passado o sábado, deixam Jerusalém e voltam, tristes e abatidos, para a aldeia chamada Emaús. Ao longo da estrada Jesus ressuscitado pôs-se ao seu lado, mas eles não o reconheceram. Vendo-os tão tristes, Ele inicialmente ajudou-os a compreender que a paixão e a morte do Messias estavam previstas no desígnio de Deus e prenunciadas nas Sagradas Escrituras; e assim reacendeu uma chama de esperança nos seus corações.

Então, os dois discípulos sentiram uma extraordinária atração por aquele homem misterioso, e convidaram-no a permanecer com eles. Jesus aceitou e entrou na sua casa. E quando, à mesa, abençoou o pão e o partiu, eles reconheceram-no, mas Ele desapareceu diante dos seus olhos, deixando-os cheios de admiração. Depois de terem sido iluminados pela Palavra, reconheceram Jesus ressuscitado na fracção do pão, novo sinal da sua presença. E imediatamente sentiram a necessidade de voltar para Jerusalém, para referir aos outros discípulos a sua experiência, que se tinham encontrado com Jesus vivo e o tinham reconhecido naquele gesto da fracção do pão.

A estrada de Emaús tornou-se símbolo do nosso caminho de fé: as Escrituras e a Eucaristia são os elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor. Também nós com frequência chegamos à Missa dominical com as nossas preocupações, dificuldades e desilusões… A vida às vezes fere-nos e voltamos tristes para a nossa «Emaús», voltando as costas ao desígnio de Deus. Afastamo-nos de Deus. Mas a Liturgia da Palavra acolhe-nos: Jesus explica-nos as Escrituras e reacende nos nossos corações o calor da fé e da esperança, e na Comunhão, dá-nos a força. Palavra de Deus, Eucaristia. Ler um trecho do Evangelho todos os dias. Recordai: ler todos os dias um trecho do Evangelho, e aos domingos receber a Comunhão, receber Jesus. Aconteceu assim com os discípulos de Emaús: acolheram a Palavra; partilharam a fracção do pão e de tristes e derrotados que se sentiam, tornaram-se alegres. Queridos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus e a Eucaristia enchem-nos de alegria sempre. Recordai! Quando vos sentis tristes, tomai a Palavra de Deus. Quando vos sentis desanimados, tomai a Palavra de Deus e ide à Missa do domingo e comungai, participai do mistério de Jesus. Palavra de Deus, Eucaristia: enchem-nos de alegria.

Pela intercessão de Maria Santíssima, rezemos a fim de que cada cristão, revivendo a experiência dos discípulos de Emaús, especialmente na Missa dominical, redescubra a graça do encontro transformador com o Senhor, com o Senhor ressuscitado, que está sempre conosco. Há sempre uma Palavra de Deus que nos orienta depois das nossas debandadas; e apesar dos nossos cansaços e desilusões há sempre um Pão repartido que nos faz continuar o caminho.” (Papa Francisco, Homilia: 3º Domingo de Páscoa, 04 maio 2014)

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