23º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

“Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. Sl 118,137.124

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leituras da liturgia eucarística: Ez 33,7-9; Sl 94; Rm 13,8-10; Mt 18,15-20

EVANGELHO: Mt 18,15-20

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas.

Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público.

Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”.

REFLEXÃO

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 18, 15–20)

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público.

Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”.

Meditação. — 1. Deus quer a salvação de todos os homens. Nosso Senhor Jesus Cristo desceu dos céus para redimir pessoalmente cada ser humano, dando-lhe uma participação em sua filiação divina. Em razão disso, o chamado discurso eclesiástico, cuja leitura iniciamos no Evangelho deste domingo, deve ser compreendido a partir da “economia da salvação”, para a qual a Igreja foi instituída. O Corpo Místico de Cristo existe, antes de tudo, para levar os homens à perfeita comunhão com Deus, nutrindo-os com o alimento da Palavra e dos sacramentos.

Nesse contexto, faz parte da prática da Igreja a chamada “correção fraterna”. “Se o teu irmão pecar contra ti”, explica-nos o Senhor, “vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo”. Mais do que uma resolução para relacionamentos problemáticos, o que Jesus nos propõe, aqui, é um caminho para ganhar nossos irmãos e conduzi-los à vida eterna. Dentro da comunidade cristã, portanto, as exortações não têm o propósito de simplesmente fazer justiça, como se estivéssemos cobrando uma dívida. Deve haver uma razão mais elevada e meritória, a saber: sermos “pescadores de homens”, retirando os homens do pecado em que tantas vezes e de tantas formas eles se encontram.

E, a esse respeito, Santo Tomás de Aquino esclarece sobre a necessidade de se preservar a boa fama dos outros. Porque, uma vez arrependidos, eles deverão voltar ao convívio da comunidade. Se, contudo, os expomos vexatoriamente, há grande chance de perdê-los. Daí que Nosso Senhor fale, em primeiro lugar, da correção em particular como forma de acolher a pessoa transviada, motivando-a a retornar ao caminho.

2. Na primeira leitura, Deus fala ao profeta Ezequiel do dever de advertir o ímpio: “Se eu disser ao ímpio que ele vai morrer, e tu não lhe falares, advertindo-o a respeito de sua conduta, o ímpio vai morrer por própria culpa, mas eu te pedirei contas da sua morte”. Naturalmente, não podemos ser indiferentes ao erro dos outros. Contudo, o Doutor Angélico insiste, a partir da lição de Jesus, que essa correção pode ter um efeito negativo em dois casos: primeiro, quando a pessoa é obstinada e, diante de uma advertência, tende a agir com mais rebeldia; e, segundo, quando a correção, por algum motivo, pode desencadear uma perseguição à Igreja.

Não havendo risco de escândalo, não é oportuno fazer uma correção imediata ante essas duas circunstâncias. Por outro lado, na ocasião de um escândalo público e notório, que esteja causando furor na comunidade, é obrigação nossa, sobretudo dos pastores, defender a integridade da verdade e debelar o erro. Em tudo isso, rege a lei suprema da Igreja: salus animarum, isto é, a “salvação das almas”. É pautada nisso que ela previne, exorta, adverte, censura e, em situações mais extremas, excomunga alguns de seus filhos, segundo o poder que Cristo mesmo lhe deu: “Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”.

3. A “correção fraterna” é, no fim da contas, um ato de caridade. Por ocasião da eleição do Cardeal Ratzinger ao papado, em 2005, muitos jornalistas se espantaram com a alegria dos jovens na Praça de São Pedro. A imprensa esperava que os fiéis rejeitassem aquele que, por anos, havia exercido o papel de “grande inquisidor”. Mas os bons católicos tinham, naquele dia, a certeza de que Bento XVI seria um “ministro da caridade”, justamente por ter esclarecido a verdade do Evangelho quando prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

A Igreja, quando adverte algum teólogo, atua exatamente como manda Nosso Senhor: chama-o privadamente para um colóquio, dá-lhe a oportunidade de emenda e, somente depois de muita espera e não vendo a boa vontade do sujeito, ela o pune com alguma censura mais severa. Isso pode parecer distante da nossa realidade, mas, quando falamos da salvação da alma de nossos filhos, colegas, companheiros etc., devemos agir do mesmo modo: como “pescadores de homens” que, vendo um irmão afundado no pecado, buscam salvá-lo daquela condição, a fim de garantir-lhe a vida eterna.

Sejamos, pois, zelosos pela alma de nossos irmãos, sempre prontos a reconduzir o ímpio ao caminho da salvação.

Oração. — Ó Deus, pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

fonte: padrepauloricardo.org (Homilia dominical)

 

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo, tirado do capítulo 18 de Mateus, apresenta o tema da correção fraterna no seio da comunidade dos fiéis: ou seja, como devo corrigir outro cristão, quando ele faz algo que não é bom. Jesus ensina-nos que se o meu irmão cristão comete uma culpa contra mim, quando me ofende, eu devo ter caridade para com ele e, antes de tudo, falar-lhe pessoalmente, explicando-lhe que quanto ele disse ou fez não é bom. E se o irmão não me ouve? Jesus sugere uma intervenção progressiva: primeiro, volta a falar-lhe, com mais duas ou três pessoas, para que esteja mais consciente do erro cometido; se, não obstante isto, ele não aceitar a exortação, é necessário dizê-lo à comunidade; e se ele não ouvir nem sequer a comunidade, é preciso levá-lo a compreender a ruptura e a separação que ele mesmo provocou, faltando à comunhão com os irmãos na fé.

As etapas deste itinerário indicam o esforço que o Senhor pede à sua comunidade para acompanhar quem erra, a fim de que não se perca. Antes de tudo, é necessário evitar o clamor da crónica e a bisbilhotice da comunidade — esta é a primeira coisa que devemos evitar. «Vai e repreende-o, somente entre ti e ele» (v. 15). A atitude é de delicadeza, prudência, humildade e atenção àquele que cometeu uma culpa, evitando que as palavras possam ferir e até matar o irmão. Pois vós sabeis que até as palavras matam! Quando falo mal de alguém, quando faço uma crítica injusta, quando «esfolo» um irmão com a minha língua, isto significa matar a sua reputação. Até as palavras matam! Prestemos atenção a isto. Ao mesmo tempo, esta discrição de lhe falar a sós tem a finalidade de não mortificar inutilmente o pecador. Quando se fala a sós com ele, ninguém se dá conta e tudo acaba. É à luz desta exigência que se compreende também a série sucessiva de intervenções, que prevê a participação de algumas testemunhas e depois até a própria comunidade. A finalidade é ajudar a pessoa a dar-se conta daquilo que cometeu, e que com a sua culpa ofendeu não apenas um indivíduo, mas todos. Mas também tem a finalidade de nos ajudar a libertar-nos da ira ou do rancor, que só fazem mal: aquela amargura do coração que alberga a ira e o rancor, e que nos leva a insultar e a agredir. É muito feio ver sair da boca de um cristão um insulto ou uma agressão. É feio! Compreendestes? Nenhum insulto! Insultar não é cristão. Entendestes? Insultar não é cristão.

Na realidade, diante de Deus somos todos pecadores e necessitados de perdão. Todos. Com efeito, Jesus disse-nos que não devemos julgar. A correção fraterna é um aspecto do amor e da comunhão que devem reinar no seio da comunidade cristã, é um serviço recíproco que podemos e devemos oferecer uns aos outros. Corrigir os irmãos é um serviço, e só será possível e eficaz se cada um se reconhecer pecador e necessitado do perdão do Senhor. A própria consciência, que me leva a reconhecer o erro cometido por outrem, recorda-me primeiro que eu mesmo errei e erro muitas vezes.

Por isso no início da Missa somos sempre convidados a reconhecer diante do Senhor que somos pecadores, expressando com palavras e com gestos o arrependimento sincero do coração. Dizemos: «Tende piedade de mim, Senhor. Sou pecador! Deus Todo-Poderoso, confesso os meus pecados». E não dizemos: «Senhor, tende piedade daquele ou daquela que está ao meu lado, pois são pecadores». Não! «Tende piedade de mim!». Todos nós somos pecadores e necessitados do perdão do Senhor. É o Espírito Santo que fala ao nosso espírito e nos leva a reconhecer as nossas culpas, à luz da palavra de Jesus. E é o próprio Jesus que convida todos nós, santos e pecadores, à sua mesa congregando-nos das encruzilhadas das estradas, das várias situações de vida (cf. Mt 22, 9-10). E entre as condições que irmanam os participantes na celebração eucarística, duas são fundamentais, duas são as condições para ir bem à Missa: todos nós somos pecadores; e a todos Deus concede a sua misericórdia. Trata-se de duas condições que abrem de par em par a porta para entrarmos bem na Missa. Devemos recordar sempre isto, antes de ir ter com o irmão para a correção fraterna.

Peçamos tudo isto por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, que amanhã celebraremos na memória litúrgica da sua Natividade!  (Papa Francisco, Angelus, 07 de setembro de 2014)

 

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