04 DE OUTUBRO – SÃO FRANCISCO DE ASSIS

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“Bem longe de mim gloriar-me

Senão na Cruz do Senhor Jesus Cristo,

Pois trago em meu corpo suas chagas.” LH

 

São Francisco de Assis “nasceu em Assis (Itália), no ano 1182. Depois de uma juventude leviana, converteu-se a Cristo, renunciou a todos os bens paternos e entregou-se inteiramente a Deus. Abraçou a pobreza para seguir mais perfeitamente o exemplo de Cristo, e pregava a todos o amor de Deus. Formou os seus companheiros com normas excelentes, inspiradas no Evangelho, que foram aprovadas pela Sé Apostólica. Fundou  também uma Ordem de religiosas (Clarissas) e um Ordem de Penitentes Seculares; e promoveu a pregação da fé entre os infiéis. Morreu em 1226.”  (Liturgia das Horas, IV, 1999, p. 1344)

“Francisco de Assis, homem de Deus, deixou sua casa e sua herança e se fez pobre e desvalido. O Senhor, porém, o acolheu com amor.” LD

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, que fizeste São Francisco de Assis assemelhar-se ao Cristo por uma vida de humildade e pobreza, concedei que, trilhando o mesmo caminho, sigamos fielmente o vosso Filho, unindo-nos convosco na perfeita alegria. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Primeira Leitura (Jn 1,1–2,1.11)

Início da Profecia de Jonas.

1,1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, filho de Amati, que dizia: 2“Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe que sua perversidade subiu até a minha presença”.

3Jonas pôs-se a caminho, a fim de fugir para Társis, longe da presença do Senhor; desceu a Jope e encontrou um navio com destino a Társis, adquiriu passagem e embarcou com os outros passageiros para essa cidade, para longe da presença do Senhor.

4Mas o Senhor mandou um vento violento sobre o mar, levantando uma grande tempestade, que ameaçava destruir o navio. 5Tomados de pavor, os marinheiros começaram a gritar, cada qual a seu deus, e a lançar ao mar a carga do navio para o aliviar.

Jonas havia descido ao porão do navio, deitara-se e dormia a sono solto. 6O chefe do navio foi vê-lo e disse: “Como! Tu dormes? Levanta-te e reza ao teu deus; talvez ele se lembre de nós, e não morramos”.

7Disseram entre si os marinheiros: “Vamos tirar a sorte, para saber por que nos acontece esta desgraça”. Lançaram a sorte, e esta caiu sobre Jonas. 8Disseram-lhe: “Explica-nos, por culpa de quem nos acontece esta desgraça? Qual é a tua ocupação e donde vens? Qual é a tua terra, de que povo és?” 9Ele respondeu: “Eu sou hebreu e temo o Senhor, Deus do céu, que fez o mar e a terra firme”. 10Aqueles homens ficaram possuídos de grande medo, e disseram: “Como é que fizeste tal coisa?”

Pelas palavras dele, acabavam de saber que estava fugindo da presença do Senhor. 11Disseram então: “Que faremos contigo, para acalmar o mar?” Pois o mar enfurecia-se cada vez mais.

12Respondeu Jonas: “Tomai-me e lançai-me ao mar, e o mar vos deixará em paz: eu sei que, por minha culpa, se desencadeou sobre vós esta grande borrasca”.

13Os marinheiros, à força de remar, tentavam voltar à terra, mas em vão, porque o mar cada vez mais se encapelava contra eles.

14Então invocaram o Senhor e rezaram: “Suplicamos-te, Senhor, não nos deixes morrer em paga pela vida deste homem, não faças cair sobre nós este sangue inocente; fizeste, Senhor, valer tua vontade”.

15Então, tomaram Jonas e atiraram-no ao mar; e cessou a fúria do mar. 16Invadiu esses homens um grande temor do Senhor, ofereceram-lhe sacrifícios e fizeram-lhe votos. 2,1Determinou o Senhor que um grande peixe viesse engolir Jonas; e ele ficou três dias no ventre do peixe. 11Então o Senhor fez o peixe vomitar Jonas na praia.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório (Jn 2,2-8)

— Retirastes minha vida do sepulcro, ó Senhor!

— Retirastes minha vida do sepulcro, ó Senhor!

— Do fundo do abismo, do ventre do peixe, Jonas rezou ao Senhor, o seu Deus, a seguinte oração:

— Na minha angústia clamei por socorro, pedi vossa ajuda do mundo dos mortos e vós me atendestes.

— Senhor, me lançastes no seio dos mares, cercou-me a torrente, vossas ondas passaram com furor sobre mim.

— Então, eu pensei: eu fui afastado para longe de vós; nunca mais hei de ver vosso Templo sagrado.

— E quando minhas forças em mim acabavam, do Senhor me lembrei, chegando até vós a minha oração.

 

Evangelho (Lc 10,25-37)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 25um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?”

26Jesus lhe disse: “Que está escrito na Lei? Como lês?” 27Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e a teu próximo como a ti mesmo!”

28Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. 29Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?”

30Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto.

31Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado.

33Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais”.

E Jesus perguntou: 36“Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” 37Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

Reflexão

Com alegria celebramos hoje a memória de São Francisco de Assis, modelo de amor aos pobres e à pobreza. Mas o que o levou a ter esse amor tão “estranho”? Com efeito, num primeiro olhar, bastante superficial, Francisco seria um precedente (um tanto radicalizado) dos modernos filantropos, pessoas dedicadas a “fazer caridade”. Mas o que realmente o levou a amar não só os pobres, mas a mesma pobreza? O Evangelho de hoje nos ajuda a encontrar a resposta. Trata-se da parábola do bom samaritano. Nela, Jesus mostra que é Ele o bom samaritano, descido do céu para vir em nosso socorro. Estávamos desfalecidos à beira caminho, vítimas de Satanás e de nossos pecados, e Ele veio ao nosso encontro, rebaixando-se para nos levantar. É Jesus quem nos põe sobre o lombo do burrinho e nos leva até a hospedaria, isto é, a Igreja, cujos pastores devem cuidar de nós enquanto Ele está ausente.

É interessante recordar que Jesus conclui a parábola com uma pergunta ao escriba: Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?, e ouve em resposta: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então vem um comando surpreendente: Vai e faze a mesma coisa. Surpreendente, sim, porque o que Jesus nos está ensinando não é só a fazer obras de caridade, mas a fazê-las como Ele mesmo as fez — esvaziando-se de si para enriquecer a outros, rebaixando-se até nós para nos reerguer até Ele, fazendo-se pobre para nos tornar ricos. Nessas palavras há, de fato, um chamado à pobreza evangélica como meio de configurar-se a Cristo. Foi isso que moveu o coração de Francisco à santa radicalidade de amar os pobres fazendo-se ele mesmo o mais pobre de todos. Assim como o Filho de Deus se encarnou e, qual bom samaritano, permitiu-se ser desprezado pelos homens para os salvar, assim também o cristão que aspira à perfeição deve imitar o Cristo pobre e crucificado por amor a Deus e às almas: Vai e faze o mesmo

Assim fizeram todos os santos que, no decorrer da história, se dedicaram ao cuidado dos pobres, homens tão apaixonados por Cristo, que abraçaram a mesma pobreza. São Francisco não é, portanto, um modelo de filantropia, mas de caridade sobrenatural. É por isso que a imagem que dele se faz hoje em dia é tão desfigurada e distante da realidade histórica. Para muitos, Francisco foi um visionário medieval, uma espécie de revolucionário avant la lettre, consciente de que devia “optar” pelos pobres naquela sociedade “pré-capitalista” e cada vez mais aburguesada. Essa é uma leitura sociologizante, com pitadas de linguajar marxista, que transforma o Francisco real, pobre por amor a um morto na cruz, num paladino da “justiça social” por ódio ao capital nascente… Francisco amava a Cristo nos pobres, e foi por amor a Ele que abraçou a pobreza: Quando fizerdes isso a um desses pequeninos, foi a mim que o fizestes. Para ele, é Cristo quem está no centro, não o pobre como tal.

Hoje em dia, há pessoas consagradas a causas sociais por certa compaixão natural aos necessitados. Em si mesmo, não é errado buscar formas de melhorar as condições de vida dos que mais precisam; afinal, é um dever não só de caridade mas de justiça socorrer a quem precisa e guardar a reta subordinação da propriedade privada ao bem comum, mas sem perder de vista que nada disso terá valor aos olhos de Deus (e, no fundo, verdadeira eficácia), se não for animado pela caridade divina, que tudo ordena para a glória de Cristo. A nossa misericórdia para com os pobres só será verdadeira, autêntica e perfeita, se formos nós os primeiros pobres — pobres de bens, se a isso nos chama o Senhor, ou pobres de coração, ao que todos são chamados —; nossa humildade só será sincera, se tivermos descido de nossa soberba e buscarmos em tudo, até no óleo que derramamos sobre chagas, nas feridas que curamos e enfaixamos, amar a Cristo. Assim as nossas boas obras serão mais do que mero assistencialismo, mas consolação verdadeira para os pobres, fonte de méritos para nossas almas, glória para Deus e gratidão para com Nosso Senhor. Padre Paulo Ricardo, Homilia, 04 out 2021

https://padrepauloricardo.org/episodios/muitos-amam-os-pobres-quantos-amam-a-pobreza

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
onde houver discórdia, que eu leve a união;
onde houver dúvida, que eu leve a fé;
onde houver erro, que eu leve a verdade;
onde houver desespero, que eu leve a esperança;
onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

(São Francisco de Assis)

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