2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO B

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Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a sua voz. (Is 30,19.30

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: Is 40,1-5.9-11; Sl 84; 2Pd 3,8-14; Mc 1,1-8

 

EVANGELHO: Mc 1,1-8

Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.

Está escrito no Livro do profeta Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas! ’ ”

Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão.

João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”.

 

REFLEXÃO

“No Evangelho de hoje é repetido o grito de Isaías e transmitido por João Batista, definido como a ‘voz do que clama no deserto: traçai o caminho do Senhor, aplainai suas veredas’ (Mc 1,3). Assim apresenta o evangelista Marcos o precursor que batiza ‘no deserto, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados’ (Mc 1,4). A figura austera do Batista confirma sua pregação: convida os homens a prepararem o caminho do Senhor, mas, em primeiro lugar, preparou-o ele em si mesmo, retirando-se ao deserto, onde vive desapegado de tudo o que não é Deus!  Vestia-se de pele de camelo… alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre’ (Mc 1,6).” (MADALENA, Gabriel de Santa Maria, O.C.D. Intimidade Divina. Loyola, São Paulo, 1990)

 

ORAÇÃO

Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1º DOMINGO DO ADVENTO – ANO B

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A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera.” Sl 24,1ss

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7; Sl 79; 1Cor 1,3-9; Mc 13,33-37

EVANGELHO: Mc 13,33-37

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.

Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”

 

REFLEXÃO

Amados irmãos e irmãs!

Iniciamos hoje com toda a Igreja o novo Ano litúrgico: um caminho novo de fé, para viver juntos nas comunidades cristãs, mas também, como sempre, para percorrer no âmbito da história do mundo, a fim de a abrir ao mistério de Deus, à salvação que vem do seu amor. O Ano litúrgico começa com o Tempo do Advento: tempo maravilhoso no qual desperta nos corações a expectativa do retorno de Cristo e a memória da sua primeira vinda, quando se despojou da sua glória divina para assumir a nossa carne mortal.

«Vigiai!». Este é o apelo de Jesus no Evangelho de hoje. Dirige-o não só aos seus discípulos, mas a todos: «Vigiai!» (Mt 13, 37). É uma chamada saudável a recordar-nos de que a vida não tem só a dimensão terrena, mas está projectada para um «além», como uma pequena planta que germina da terra e se abre para o céu. Uma pequenina planta pensante, o homem, dotada de liberdade e de responsabilidade, pelo que cada um de nós será chamado a prestar contas de como viveu, como utilizou as suas capacidades: se as conservou só para si ou se as fez frutificar inclusive a favor dos irmãos.

Também Isaías, o profeta do Advento, nos faz reflectir hoje com uma oração amargurada, dirigida a Deus em nome do povo. Ele reconhece as faltas da sua gente, e a um certo ponto diz: «Ninguém invocava o teu nome, nem se esforçava por se apoiar em ti; porque escondias de nós a tua face, e nos entregavas às nossas iniquidades» (Is 64, 6). Como não permanecer admirado com esta descrição? Parece reflectir certos panoramas do mundo pós-moderno: as cidades onde a vida se torna anónima e horizontal, onde parece que Deus está ausente e o homem é o único dono, como se fosse o artífice e o realizador de tudo: as construções, o trabalho, a economia, os transportes, as ciências, a técnica, parece que tudo depende só do homem. E por vezes, neste mundo que parece quase perfeito, acontecem coisas arrasadoras, ou na natureza, ou na sociedade, pelo que nós pensamos que Deus se retirou, que nos tenha, por assim dizer, abandonado a nós mesmos.

Na realidade, o verdadeiro «dono» do mundo não é o homem, mas Deus. O Evangelho diz: «Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não seja que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir» (Mc 13, 35-36). O Tempo do Advento chega todos os anos para nos recordar isto, para que a nossa vida encontre a sua orientação justa, rumo ao rosto de Deus. O rosto não de um «dono», mas de um Pai, de um Amigo. Com a Virgem Maria, que nos guia no caminho do Advento, façamos nossas as palavras do profeta. «Mas Tu, Senhor, é que és o nosso Pai. Nós somos a argila e Tu és o oleiro. Todos nós fomos modelados pelas tuas mãos» (Is 64, 7).”  (Papa emérito Bento XVI, Ângelus, 27 de Novembro de 2011)

 

4º DOMINGO DO ADVENTO – ANO A

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“Céus, deixai cair o orvalho, nuvens, chovei o justo; abra-se a terra e brote o Salvador! (Is 45,8)

ORAÇÃO DO DIA

Derramai. ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leituras da liturgia eucarística: Is 7,10-14; Sl 23; Rm 1,1-7; Mt 1,18-24

 

EVANGELHO: Mt 1,18-24

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A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo.

Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”.

Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”.

Quando acordou, José fez como o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa.

 

REFLEXÃO

“Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste quarto domingo do Advento, o Evangelho narra-nos os fatos que precederam o nascimento de Jesus, e o evangelista Mateus apresenta-os sob o ponto de vista de são José, o noivo da Virgem Maria.

José e Maria viviam em Nazaré; mas ainda não conviviam, porque o matrimónio não tinha sido realizado. Entretanto, Maria, depois de ter ouvido o anúncio do Evangelho, engravidou por obra do Espírito Santo. Quando José teve conhecimento deste facto, ficou desconcertado. O Evangelho não explica quais fossem os seus pensamentos, mas nos diz o essencial: ele procura fazer a vontade de Deus e está pronto para a renúncia radical. Em vez de se defender e de fazer valer os próprios direitos, José escolhe uma solução que para ele representa um sacrifício enorme. E o Evangelho diz: «Sendo que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente» (1, 19).

Esta breve frase sintetiza um verdadeiro drama interior, se pensarmos no amor que José sentia por Maria! Mas também em tal circunstância, José deseja fazer a vontade de Deus e decide, certamente com grande sofrimento, deixar Maria em segredo. É necessário meditar sobre estas palavras para compreender qual é a provação que José teve que enfrentar nos dias que precederam o nascimento de Jesus. Uma provação semelhante àquela do sacrifício de Abraão, quando Deus lhe pediu o filho Isaac (cf. Gn 22): renunciar à coisa mais preciosa, à pessoa mais amada.

Mas, como no caso de Abraão, o Senhor intervém: encontrou a fé que procurava e abriu um caminho diferente, um caminho de amor e de felicidade: «José — diz-lhe — não temas de receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20).

Este Evangelho mostra-nos toda a grandeza de alma de são José. Ele estava a seguir um bom projeto de vida, mas Deus reservava para ele outro desígnio, uma missão maior. José era um homem que ouvia sempre a voz de Deus, profundamente sensível ao seu desejo secreto, um homem atento às mensagens que lhe chegavam do fundo do coração e das alturas. Não se obstinou em perseguir aquele seu projeto de vida, não permitiu que o rancor lhe envenenasse a alma, mas esteve pronto para se pôr à disposição da novidade que, de forma desconcertante, lhe se apresentava. Era um homem bom. Não odiava, e não permitiu que o rancor lhe envenenasse a alma. Mas quantas vezes também a nós o ódio, a antipatia e o rancor nos envenenam a alma! E isto faz mal. Nunca o permitais: ele é um exemplo disto. E assim, José tornou-se ainda mais livre e grande. Aceitando-se segundo o desígnio do Senhor, José encontra-se plenamente a si mesmo, para além de si. Esta sua liberdade de renunciar ao que é seu, à posse da sua própria existência, e esta sua plena disponibilidade interior à vontade de Deus, nos interpelam e mostram o caminho.

Preparamo-nos então a celebrar o Natal contemplando Maria e José: Maria, a mulher cheia de graça que teve a coragem de se confiar totalmente à Palavra de Deus; José, o homem fiel e justo que preferiu acreditar no Senhor em vez de ouvir as vozes da dúvida e do orgulho humano. Caminhemos com eles rumo a Belém.”  (Papa Francisco, Angelus, 22  de Dezembro de 2013)