3º DOMINGO DO ADVENTO – ANO B

vela3

ORAÇÃO

Ó Deus de bondade, que vedes vosso povo esperando fervoroso o natal do Senhor, dai chegarmos às alegrias da Salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene liturgia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: Is 61,1-2a.10-11; Lc 1,46ss.; 1Ts 5,16-24; Jo 1,6-8.19-28

 

EVANGELHO: Jo 1,6-8.19-28

 

Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. Ele não era a luz, mas veio dar testemunho da luz. Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?”

João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”.

Eles perguntaram: “Quem és então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És profeta?” Ele respondeu: “Não”.

Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías.

Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?”

João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”.

Isto aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

 

REFLEXÃO

Prezados irmãos e irmãs

Os textos litúrgicos deste período de Advento renovam-nos o convite a viver à espera de Jesus, a não cessar de aguardar a sua vinda, de modo a manter-nos numa atitude de abertura e de disponibilidade ao encontro com Ele. A vigilância do coração, que o cristão é chamado a exercer sempre, na vida de todos os dias, caracteriza em particular este tempo em que nos preparamos com alegria para o mistério do Natal (cf. Prefácio do Advento II). O ambiente externo propõe as tradicionais mensagens de tipo comercial, embora talvez seja em menor medida por causa da crise económica. O cristão é convidado a viver o Advento sem se deixar distrair pelas luzes, mas sabendo dar o justo valor às coisas, para fixar o olhar interior em Cristo. Com efeito, se perseverarmos «vigilantes na oração e exultantes no louvor» (Ibid.), os nossos olhos poderão reconhecer nele a verdadeira luz do mundo, que vem iluminar as nossas trevas.

Em especial, a liturgia do domingo de hoje, chamado «Gaudete», convida-nos à alegria, a uma vigilância não triste, mas alegre. «Gaudete in Domino semper» — escreve são Paulo: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fl 4, 4). O verdadeiro júbilo não é fruto do divertir-se, entendido no sentido etimológico da palavra divertere, ou seja, isentar-se dos compromissos da vida e das suas responsabilidades. A verdadeira alegria está ligada a algo de mais profundo. Sem dúvida, nos ritmos diários, muitas vezes frenéticos, é importante encontrar espaços de tempo para o descanso, para a distensão, mas a alegria autêntica está ligada à relação com Deus. Quem encontrou Cristo na própria vida, sente no coração uma serenidade e uma alegria que ninguém e nenhuma situação podem tirar. Santo Agostinho compreendeu-o muito bem; na sua busca da verdade, da paz, da alegria, depois de ter procurado em vão em múltiplas situações, conclui com a célebre expressão, que o coração do homem está inquieto, não encontra tranquilidade e paz, enquanto não descansar em Deus (cf. Confissões, I, 1, 1). A verdadeira alegria não é um simples estado de espírito passageiro, nem algo que se alcança com os próprios esforços, mas é um dom, nasce do encontro com a pessoa viva de Jesus, do fazer-lhe espaço em nós, do acolher o Espírito Santo que guia a nossa vida. É o convite que faz o apóstolo Paulo, que diz: «O Deus da paz vos conceda a santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo sejam conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo» (1 Ts 5, 23). Neste tempo de Advento revigoremos a certeza de que o Senhor veio ao meio de nós e renova continuamente a sua presença de consolação, amor e alegria. Confiemos n’Ele; como ainda afirma santo Agostinho, à luz da sua experiência: o Senhor está mais próximo de nós, do que nós de nós mesmos — «interior intimo meo et superior summo meo» (Confissões, III, 6, 11).

Confiemos o nosso caminho à Virgem Imaculada, cujo espírito exultou em Deus Salvador. Ela guie os nossos corações na espera jubilosa da vinda de Jesus, uma expectativa rica de oração e de obras boas. (Papa emérito Bento XVI, Ângelus, 11 de dezembro de 2011)

 

2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO B

Four-Purple-Advent-Candles-Two-Lit (1)

Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a sua voz. (Is 30,19.30

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: Is 40,1-5.9-11; Sl 84; 2Pd 3,8-14; Mc 1,1-8

 

EVANGELHO: Mc 1,1-8

Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.

Está escrito no Livro do profeta Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas! ’ ”

Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão.

João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”.

 

REFLEXÃO

“No Evangelho de hoje é repetido o grito de Isaías e transmitido por João Batista, definido como a ‘voz do que clama no deserto: traçai o caminho do Senhor, aplainai suas veredas’ (Mc 1,3). Assim apresenta o evangelista Marcos o precursor que batiza ‘no deserto, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados’ (Mc 1,4). A figura austera do Batista confirma sua pregação: convida os homens a prepararem o caminho do Senhor, mas, em primeiro lugar, preparou-o ele em si mesmo, retirando-se ao deserto, onde vive desapegado de tudo o que não é Deus!  Vestia-se de pele de camelo… alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre’ (Mc 1,6).” (MADALENA, Gabriel de Santa Maria, O.C.D. Intimidade Divina. Loyola, São Paulo, 1990)

 

ORAÇÃO

Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1º DOMINGO DO ADVENTO – ANO B

images

A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera.” Sl 24,1ss

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7; Sl 79; 1Cor 1,3-9; Mc 13,33-37

EVANGELHO: Mc 13,33-37

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.

Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”

 

REFLEXÃO

Amados irmãos e irmãs!

Iniciamos hoje com toda a Igreja o novo Ano litúrgico: um caminho novo de fé, para viver juntos nas comunidades cristãs, mas também, como sempre, para percorrer no âmbito da história do mundo, a fim de a abrir ao mistério de Deus, à salvação que vem do seu amor. O Ano litúrgico começa com o Tempo do Advento: tempo maravilhoso no qual desperta nos corações a expectativa do retorno de Cristo e a memória da sua primeira vinda, quando se despojou da sua glória divina para assumir a nossa carne mortal.

«Vigiai!». Este é o apelo de Jesus no Evangelho de hoje. Dirige-o não só aos seus discípulos, mas a todos: «Vigiai!» (Mt 13, 37). É uma chamada saudável a recordar-nos de que a vida não tem só a dimensão terrena, mas está projectada para um «além», como uma pequena planta que germina da terra e se abre para o céu. Uma pequenina planta pensante, o homem, dotada de liberdade e de responsabilidade, pelo que cada um de nós será chamado a prestar contas de como viveu, como utilizou as suas capacidades: se as conservou só para si ou se as fez frutificar inclusive a favor dos irmãos.

Também Isaías, o profeta do Advento, nos faz reflectir hoje com uma oração amargurada, dirigida a Deus em nome do povo. Ele reconhece as faltas da sua gente, e a um certo ponto diz: «Ninguém invocava o teu nome, nem se esforçava por se apoiar em ti; porque escondias de nós a tua face, e nos entregavas às nossas iniquidades» (Is 64, 6). Como não permanecer admirado com esta descrição? Parece reflectir certos panoramas do mundo pós-moderno: as cidades onde a vida se torna anónima e horizontal, onde parece que Deus está ausente e o homem é o único dono, como se fosse o artífice e o realizador de tudo: as construções, o trabalho, a economia, os transportes, as ciências, a técnica, parece que tudo depende só do homem. E por vezes, neste mundo que parece quase perfeito, acontecem coisas arrasadoras, ou na natureza, ou na sociedade, pelo que nós pensamos que Deus se retirou, que nos tenha, por assim dizer, abandonado a nós mesmos.

Na realidade, o verdadeiro «dono» do mundo não é o homem, mas Deus. O Evangelho diz: «Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não seja que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir» (Mc 13, 35-36). O Tempo do Advento chega todos os anos para nos recordar isto, para que a nossa vida encontre a sua orientação justa, rumo ao rosto de Deus. O rosto não de um «dono», mas de um Pai, de um Amigo. Com a Virgem Maria, que nos guia no caminho do Advento, façamos nossas as palavras do profeta. «Mas Tu, Senhor, é que és o nosso Pai. Nós somos a argila e Tu és o oleiro. Todos nós fomos modelados pelas tuas mãos» (Is 64, 7).”  (Papa emérito Bento XVI, Ângelus, 27 de Novembro de 2011)