ASCENSÃO DO SENHOR – ANO B

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“Luz da luz, infinito sol! Luz da luz, fogo abrasador! Luz da luz, Cristo Jesus, abrasai-nos no vosso amor!”

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: At 1,1-11; Sl 46; Ef 1-17-23; Mc 16,15-20

 

EVANGELHO:  16,15-20

 

Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado.

Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”.

Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus.

Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.

 

REFLEXÃO

“Queridos irmãos e irmãs

Cada vez que celebramos a Santa Missa, ouvimos ressoar no coração as palavras que Jesus confiou aos discípulos na última Ceia, como uma dádiva preciosa: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz” (Jo 14, 27). Como a comunidade cristã e a humanidade inteira têm necessidade de saborear plenamente a riqueza e o poder da paz de Cristo! São Bento foi dela uma grande testemunha, porque a acolheu na sua existência e a fez frutificar em obras de autêntica renovação cultural e espiritual. Precisamente por isso, na entrada da Abadia de Montecassino e de todos os outros mosteiros beneditinos, é posta como mote a palavra “pax”: com efeito, a comunidade monástica é chamada a viver em conformidade com esta paz, que é dom pascal por excelência. Como sabeis, na minharecente viagem à Terra Santa fiz-me peregrino de paz e hoje nesta terra caracterizada pelo carisma beneditino é-me oferecida a ocasião para sublinhar mais uma vez o facto de que a paz é em primeiro lugar dom de Deus e, por conseguinte, a sua força está na oração.

Porém, trata-se de um dom confiado ao compromisso humano. Também a energia necessária para o pôr em prática pode ser alcançada através da oração. Portanto, é fundamental cultivar uma autêntica vida de oração para assegurar o progresso social na paz. Uma vez mais, a história do monaquismo ensina-nos que um grande crescimento de civilização se prepara mediante a escuta quotidiana da Palavra de Deus, que impele os fiéis a um esforço pessoal e comunitário de luta contra todas as formas de egoísmo e de injustiça. Somente aprendendo, com a graça de Cristo, a combater e a vencer o mal dentro de nós e nos relacionamentos com o próximo, podemos tornar-nos construtores de paz e de progresso civil. A Virgem Maria, Rainha da Paz, ajude todos os cristãos nas diversas vocações e situações de vida, a ser testemunhas da paz, que Cristo nos concedeu e nos legou como missão exigente a cumprir em toda a parte.” (Papa XVI, Angelus, 24 de Maio de 2009)

6º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO B

 

Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia! (ls 48,20)

 

ORAÇÃO DO DIA

Deus Pai todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra do Cristo ressuscitado, para que noss vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

Leituras da liturgia eucarística: At 10,25-26.34-35.44-48; Sl 97; 1Jo 4,7-10; Jo 15,9-17

 

EVANGELHO:  Jo 15,9-17

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isso, para que minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena.

Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando.

Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.

Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá.

Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.

 

REFLEXÃO

“Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje — João, capítulo 15 — reconduz-nos ao Cenáculo, onde ouvimos o mandamento novo de Jesus. Diz assim: «Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (v. 12). E pensando no sacrifício da cruz já iminente, acrescenta: «Ninguém tem maior amor do que este: dar a vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando» (vv. 13-14). Estas palavras, pronunciadas durante a Última Ceia, resumem toda a mensagem de Jesus; aliás, resumem tudo o que Ele fez: Jesus deu a vida pelos seus amigos. Amigos que não o tinham compreendido, que no momento crucial o abandonaram, atraiçoaram e renegaram. Isto diz-nos que Ele nos ama mesmo se nós não merecemos o seu amor: assim nos ama Jesus!

Deste modo, Jesus mostra-nos o caminho para o seguir, a via do amor. O seu mandamento não é um simples preceito, que permanece sempre algo abstracto ou exterior em relação à vida. O mandamento de Cristo é novo porque o realizou primeiro, deu-lhe carne, e assim a lei do amor está inscrita de uma vez para sempre no coração do homem (cf. Jr 31, 33). E como está inscrita? Com o fogo do Espírito Santo. E com o mesmo Espírito, que Jesus nos doa, podemos caminhar também nós por esta vereda!

Trata-se de um caminho concreto, que nos leva a sair de nós mesmos para ir ao encontro dos outros. Jesus mostrou-nos que o amor de Deus se concretiza no amor ao próximo. Os dois caminham juntos. As páginas do Evangelho estão cheias deste amor: adultos e crianças, cultos e ignorantes, ricos e pobres, justos e pecadores foram acolhidos no coração de Cristo.

Portanto, esta Palavra do Senhor chama-nos a amar-nos uns aos outros, mesmo se nem sempre nos compreendemos, nem sempre estamos de acordo… mas é precisamente ali que se vê o amor cristão. O amor que se manifesta mesmo quando há diferenças de opinião ou de carácter, mas o amor é maior do que estas diferenças! Foi este amor que Jesus nos ensinou. É um amor novo porque renovado por Jesus e pelo seu Espírito. É um amor remido, libertado do egoísmo. Um amor que dá alegria ao nosso coração, como diz Jesus: «Disse-vos estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e o vosso júbilo seja pleno» (v. 11).

É precisamente o amor de Cristo, que o Espírito Santo derrama nos nossos corações, que realiza todos os dias prodígios na Igreja e no mundo. São tantos pequenos e grandes gestos que obedecem ao mandamento do Senhor: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (cf. Jo 15, 12). Gestos pequenos, de todos os dias, gestos de proximidade a um idoso, a um doente, a uma pessoa sozinha e em dificuldade, sem casa, sem trabalho, imigrada, rejeitada… Graças à força desta Palavra de Cristo, cada um de nós pode estar próximo do irmão e da irmã que encontra. Gestos de proximidade. Nestes gestos manifesta-se o amor que Cristo nos ensinou.

Ajude-nos nisto a nossa Mãe Santíssima, para que na vida diária de cada um de nós o amor de Deus e o amor ao próximo estejam sempre presentes.” (Papa Francisco, Angelus, 10 de maio de 2015)

5º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO B

 

Cantai ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas e revelou sua justiça diante das nações, aleluia! (Sl 97,1s)

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. (Oração das Horas)

 

Leituras da Liturgia Eucarística: At 9,26-3; Sl 21; 1Jo 3,18-24; Jo 15,1-8

 

EVANGELHO: Jo 15,1-8

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei.

Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

 

REFLEXÃO

“Prezados irmãos e irmãs

O Evangelho de hoje, quinto domingo do Tempo Pascal, abre-se com a imagem da vinha. «Jesus disse aos seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o agricultor”» (Jo 15, 1). Na Bíblia, Israel é muitas vezes comparado com a vinha fecunda, quando é fiel a Deus; mas, se se afasta d’Ele, torna-se estéril, incapaz de produzir aquele «vinho que alegra o coração do homem», como canta o Salmo 104 (v. 15). A vinha verdadeira de Deus, a videira verdadeira é Jesus que, com o seu sacrifício de amor, nos oferece a salvação, nos abre o caminho para fazermos parte desta vinha. E do mesmo modo como Cristo permanece no amor de Deus Pai, assim também os discípulos, sabiamente podados pela Palavra do Mestre (cf. Jo 15, 2-4), se estiveram unidos de modo profundo a Ele, tornam-se ramos fecundos, que produzem uma colheita abundante. São Francisco de Sales escreve: «O ramo unido e vinculado ao tronco produz fruto não pela sua própria virtude, mas em virtude do cepo: pois bem, nós fomos unidos pela caridade ao nosso Redentor, como os membros à cabeça; eis por que motivo… as boas obras, haurindo o seu valor d’Ele, merecem a vida eterna» (Tratado do amor de Deus, XI, 6, Roma 2011, 601).

No dia do nosso Baptismo, a Igreja enxerta-nos como ramos no Mistério Pascal de Jesus, na sua própria Pessoa. Desta raiz nós recebemos a linfa preciosa para participar na vida divina. Como discípulos, também nós, com a ajuda dos Pastores da Igreja, crescemos na vinha do Senhor, vinculados pelo seu amor. «Se o fruto que devemos produzir é o amor, o seu pressuposto consiste precisamente neste “permanecer”, que tem profundamente a ver com aquela fé que não deixa o Senhor» (Jesus de Nazaré, 2007, 305). É indispensável permanecermos sempre unidos a Jesus, dependermos d’Ele, porque sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5). Numa carta escrita a João, o Profeta, que viveu no deserto de Gaza no século v, um fiel formula a seguinte pergunta: como é possível manter unidos a liberdade do homem e o facto de nada podemos fazer sem Deus? E o monge responde: se o homem inclina o seu coração para o bem, e pede ajuda a Deus, recebe a força necessária para realizar a própria obra. Por isso, a liberdade do homem e o poder de Deus procedem juntos. Isto é possível, porque o bem provém do Senhor, mas ele é levado a cabo graças aos seus fiéis (cf. Ep. 763, SC 468, Paris 2002, 206). O verdadeiro «permanecer» em Cristo garante a eficácia da oração, como diz o beato cisterciense Guerrico d’Igny: «Ó Senhor Jesus… sem ti nada podemos fazer. Com efeito, Tu és o verdadeiro jardineiro, criador, cultivador e guardião do seu jardim, que plantas com a tua palavra, irrigas com o teu espírito e fazes crescer com o teu poder» (Sermo ad excitandam devotionem in psalmodiaSC 202, 1973, 522).

Estimados amigos, cada um de nós é um ramo, que só vive se fizer crescer cada dia na oração, na participação nos Sacramentos e na caridade a sua união com o Senhor. E quem ama Jesus, videira verdadeira, produz frutos de fé para uma abundante espiritual. Supliquemos à Mãe de Deus, a fim de permanecermos solidamente enxertados em Jesus, e para que cada uma das nossas obras tenha n’Ele o seu início e o seu cumprimento.” (Papa Bento XVI, Angelus, 6 de maio de 2012)