3º DOMINGO QUARESMA – ANO C

Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, porque livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz (Sl 24,15s).

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: 

Primeira Leitura (Êx 3,1-8a.13-15)

Leitura do Livro do Êxodo:

Naqueles dias, 1Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Levou, um dia, o rebanho deserto adentro e chegou ao monte de Deus, o Horeb.

2Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo, do meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não se consumia, e disse consigo: 3“Vou aproximar-me desta visão extraordinária, para ver por que a sarça não se consome”.

4O Senhor viu que Moisés se aproximava para observar e chamou-o do meio da sarça, dizendo: “Moisés! Moisés!” Ele respondeu: “Aqui estou”.

5E Deus disse: “Não te aproximes! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa”.

6E acrescentou: “Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”.

Moisés cobriu o rosto, pois temia olhar para Deus.

7E o Senhor lhe disse: “Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, conheço os seus sofrimentos. 8aDesci para libertá-los das mãos dos egípcios, e fazê-los sair daquele país para uma terra boa e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel”.

13Moisés disse a Deus: “Sim, eu irei aos filhos de Israel e lhes direi: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas, se eles perguntarem: ‘Qual é o seu nome?’, o que lhes devo responder?”

14Deus disse a Moisés: “Eu Sou aquele que sou”. E acrescentou: “Assim responderás aos filhos de Israel: ‘Eu Sou’ enviou-me a vós’”.15E Deus disse ainda a Moisés: “Assim dirás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, o Deus de vossos Pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó enviou-me a vós’. Este é o meu nome para sempre, e assim serei lembrado de geração em geração”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 102)

— O Senhor é bondoso e compassivo.

— O Senhor é bondoso e compassivo.

— Bendize, ó minha alma, ao Senhor,/ e todo o meu ser, seu santo nome!/ Bendize, ó minha alma, ao Senhor,/ não te esqueças de nenhum de seus favores!

— Pois ele te perdoa toda culpa,/ e cura toda a tua enfermidade;/ da sepultura ele salva a tua vida/ e te cerca de carinho e compaixão.

— O Senhor é indulgente, é favorável,/ é paciente, é bondoso e compassivo./ Quanto os céus por sobre a terra se elevam,/ tanto é grande o seu amor aos que o temem.

 

Segunda Leitura (1Cor 10,1-6.10-12)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

1Irmãos, não quero que ignoreis o seguinte: Os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e todos passaram pelo mar; 2todos foram batizados em Moisés, sob a nuvem e pelo mar; 3e todos comeram do mesmo alimento espiritual, 4e todos beberam da mesma bebida espiritual; de fato, bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava — e esse rochedo era Cristo —.5No entanto, a maior parte deles desagradou a Deus, pois morreram e ficaram no deserto.

6Esses fatos aconteceram para serem exemplos para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto. 10Não murmureis, como alguns deles murmuraram, e, por isso, foram mortos pelo anjo exterminador. 12Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Lc 13,1-9)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

1Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam.

2Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? 3Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.

4E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? 5Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”.

6E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. 7Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’

8Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. 9Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor. 

 

REFLEXÃO

“A liturgia deste terceiro domingo de Quaresma apresenta-nos o tema da conversão. Na primeira leitura, tirada do Livro do Êxodo, Moisés, enquanto apascenta o rebanho, vê uma sarça em chamas, mas que não se consome. Aproxima-se para observar este prodígio, quando uma voz o chama pelo nome e, convidando-o a tomar consciência da sua indignidade, ordena-lhe que tire as sandálias, porque aquele lugar é santo. “Eu sou o Deus de teu pai – diz-lhe a voz – o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob”; e acrescenta:  ‘Eu sou Aquele que sou!’ (Êx 3, 6.14). Deus manifesta-se de diversos modos também na vida de cada um de nós. Para poder reconhecer a sua presença contudo é necessário que nos aproximemos dele conscientes da nossa miséria e com profundo respeito. Diversamente tornamo-nos incapazes de o encontrar e de entrar em comunhão com Ele. Como escreve o apóstolo Paulo, também esta vicissitude é narrada para nossa admoestação:  ela recorda-nos que Deus revela não a quantos estão imbuídos de suficiência e facilidade, mas a quem é pobre e humilde diante d’Ele.

No trecho do Evangelho de hoje, Jesus é interpelado sobre alguns fatos dolorosos:  a morte, dentro do templo, de alguns Galileus por ordem de Pôncio Pilatos e o desabar da torre sobre alguns viandantes (cf. Lc 13, 1-5). Diante da fácil conclusão de considerar o mal como efeito da punição divina, Jesus restitui a verdadeira imagem de Deus, que é bom e não pode desejar o mal, e advertindo contra o pensar que as desventuras sejam o efeito imediato das culpas pessoais de quem as sofre, afirma:  ‘Julgais que estes Galileus eram maiores pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, digo-vo-lo Eu; mas, se não vos arrependerdes, perecereis todos igualmente’ (Lc 13, 2-3). Jesus convida a fazer uma leitura diversa daqueles fatos, colocando-os na perspectiva da conversão:  as desventuras, os acontecimentos dolorosos não devem suscitar em nós curiosidade ou busca de presumíveis culpados, mas devem representar ocasiões para refletir, para vencer a ilusão de poder viver sem Deus e para fortalecer, com a ajuda do Senhor, o compromisso de mudar de vida. Face ao pecado, Deus revela-se cheio de misericórdia e não deixa de recordar aos pecadores que evitem o mal, cresçam no seu amor e ajudem concretamente o próximo em necessidade, para viver a alegria da graça e não ir ao encontro da morte eterna. Mas a possibilidade de conversão exige que aprendamos a ler os acontecimentos da vida na perspectiva da fé, isto é, animados pelo santo temor de Deus. Na presença de sofrimentos e lutos, verdadeira sabedoria é deixar-se interpelar pela precariedade da existência e ler a história humana com o olhar de Deus, o qual, querendo sempre e só o bem dos seus filhos, por um desígnio imperscrutável do seu amor, por vezes permite que sejam provados pelo sofrimento para os conduzir a um bem maior.

Queridos amigos, rezemos a Maria Santíssima, que nos acompanha no itinerário quaresmal, para que ajude cada cristão a voltar para o Senhor com todo o coração. Ampare a nossa decisão firme de renunciar ao mal e de aceitar com fé a vontade de Deus na nossa vida.” (Papa Bento XVI, Angelus7 de Março de 2010)

2º DOMINGO DA QUARESMA – ANO C

 

Meu coração disse: Senhor, buscarei a vossa face. É vossa face, Senhor, que eu procuro, não desvieis de mim o vosso rosto! (Sl 26,8s)

 

ORAÇÃO DO DIA

 

Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leituras da liturgia eucarística:

Primeira Leitura (Gn 15,5-12.17-18)Leitura do Livro do Gênesis:

Naqueles dias, 5o Senhor conduziu Abrão para fora e disse-lhe: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!” E acrescentou: “Assim será a tua descendência”.

6Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso como justiça. 7E lhe disse: “Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar em possessão esta terra”.

8Abrão lhe perguntou: “Senhor Deus, como poderei saber que vou possuí-la?” 9E o Senhor lhe disse: “Traze-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, além de uma rola e de uma pombinha”.

10Abrão trouxe tudo e dividiu os animais pelo meio, mas não as aves, colocando as respectivas partes uma frente à outra.

11Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotou. 12Quando o sol já ia se pondo, caiu um sono profundo sobre Abrão e ele foi tomado de grande e misterioso terror.

17Quando o sol se pôs e escureceu, apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo, que passaram por entre os animais divididos.

18Naquele dia, o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo: “Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório  (Sl 26)

— O Senhor é minha luz e salvação.

— O Senhor é minha luz e salvação.

— O Senhor é minha luz e salvação;/ de quem eu terei medo?/ O Senhor é a proteção da minha vida;/ perante quem eu tremerei?

— Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,/ atendei por compaixão!/ Meu coração fala convosco confiante,/ é vossa face que eu procuro.

— Não afasteis em vossa ira o vosso servo,/ sois vós o meu auxílio!/ Não me esqueçais nem me deixeis abandonado,/ meu Deus e Salvador!

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver/ na terra dos viventes./ Espera no Senhor e tem coragem,/ espera no Senhor!

 

Segunda Leitura (Fl 3,17-4,1 – Forma breve: Fl 3,20-4,1)

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:

17Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que vivem de acordo com o exemplo que nós damos.

18Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. 19O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago, a glória deles está no que é vergonhoso e só pensam nas coisas terrenas.

20Nós, porém, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor, Jesus Cristo. 21Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas.

4,1Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Lc 9,28b-36)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. 29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. 30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. 31Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém.

32Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.

33E, quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom  estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo.

34Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem.

35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”

36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

 

REFLEXÃO

“(…) Neste segundo domingo de Quaresma, a liturgia é dominada pelo episódio da Transfiguração, que no Evangelho de São Lucas segue imediatamente o convite do Mestre: ‘Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me’ (Lc 9, 23). Este acontecimento extraordinário, é um encorajamento a seguir Jesus.

Lucas não fala de Transfiguração, mas descreve quando aconteceu através de dois elementos: o rosto de Jesus que muda e a sua veste que se torna cândida e resplandecente, na presença de Moisés e Elias, símbolo da Lei e dos Profetas. Os três discípulos que assistem ao acontecimento estão oprimidos pelo sono: é a atitude de quem, mesmo sendo espectador dos prodígios divinos, não compreende. Só a luta contra o torpor que se apodera deles permite que Pedro, Tiago e João ‘vejam’ a glória de Jesus. Então o ritmo torna-se premente: enquanto Moisés e Elias se separam do Mestre, Pedro fala e, enquanto está falando, uma nuvem cobre a ele e aos outros discípulos com a sua sombra; é uma nuvem que, enquanto cobre, revela a glória de Deus, como aconteceu com o povo peregrino no deserto. Os olhos já não podem ver, mas os ouvidos podem ouvir a voz que sai da nuvem: ‘Este é o Meu Filho dileto, escutai-O’ (v. 35).

Os discípulos já não estão diante de um rosto transfigurado, nem de uma veste cândida, nem de uma nuvem que revela a presença divina. Diante dos seus olhos está ‘Jesus sozinho’ (cf. v. 36). Jesus ficou só diante do seu Pai, enquanto reza, mas, ao mesmo tempo, ‘Jesus só’ é quanto é dado aos discípulos e à Igreja em cada época: é quanto deve ser suficiente para o caminho. É ele a única voz que deve ser ouvida, o único que deve ser seguido, ele que subindo a Jerusalém entregará a vida e um dia ‘transfigurará o nosso corpo miserável para o conformar com o seu corpo glorioso’ (Fl 3, 21).

Neste período quaresmal, convido todos a meditar assiduamente o Evangelho. (…) A Virgem Maria nos ajude a viver intensamente os nossos momentos de encontro com o Senhor para que possamos segui-lo todos os dias com alegria.” (Papa Bento XVI, Angelus28 de fevereiro de 2010)

1º DOMINGO DA QUARESMA – ANO C

“Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorifica-lo e lhe darei longos dias”. Sl 90,15s

 

ORAÇÃO DO DIA

Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. LH

 

Primeira Leitura (Dt 26, 4-10)

Leitura do Livro do Deuteronômio:

Assim Moisés falou ao povo: 4“O sacerdote receberá de tuas mãos a cesta e a colocará diante do altar do Senhor teu Deus.

5Dirás, então, na presença do Senhor teu Deus: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com um punhado de gente e ali viveu como estrangeiro. Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso. 6Os egípcios nos maltrataram e oprimiram, impondo-nos uma dura escravidão.

7Clamamos, então, ao Senhor, o Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão, a nossa miséria e a nossa angústia. 8E o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa e braço estendido, no meio de grande pavor, com sinais e prodígios. 9E conduziu-nos a este lugar e nos deu esta terra, onde corre leite e mel.

10Por isso, agora trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor’.

Depois de colocados os frutos diante do Senhor teu Deus, tu te inclinarás em adoração diante dele”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 90)

— Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!

— Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!

— Quem habita ao abrigo do Altíssimo/ e vive à sombra do Senhor onipotente,/ diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção,/ sois o meu Deus, no qual confio inteiramente”.

— Nenhum mal há de chegar perto de ti,/ nem a desgraça baterá à tua porta;/ pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos/ para em todos os caminhos te guardarem. Salmo 90

— Haverão de te levar em suas mãos,/ para o teu pé não se ferir nalguma pedra./ Passarás sobre cobras e serpentes,/ pisarás sobre leões e outras feras.

— “Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo/ e protegê-lo, pois meu nome ele conhece./ Ao invocar-me, hei de ouvi-lo e atendê-lo, e a seu lado eu estarei em suas dores”.

 

Segunda Leitura (Rm 10, 8-13)

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: 8 que diz a Escritura? “A palavra está perto de ti, em tua boca e em teu coração”. Essa palavra é a palavra da fé, que nós pregamos.

9Se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. 10É crendo no coração que se alcança a justiça e é confessando a fé com a boca que se consegue a salvação. 11Pois a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não ficará confundido”.

12Portanto, não importa a diferença entre judeu e grego; todos têm o mesmo Senhor, que é generoso para com todos os que o invocam.

13De fato, todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Lc 4,1-13)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito. 2Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome. 3O diabo disse, então, a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão”. 4Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’”

5O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo 6e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isto foi entregue a mim e posso dá-lo a quem quiser. 7Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu”.

8Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’”.

9Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo e lhe disse: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! 10Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado!’ 11E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”.

12Jesus, porém, respondeu: “A Escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”.

13Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

REFLEXÃO

“Na quarta-feira passada, com o rito penitencial das Cinzas, iniciamos a Quaresma, tempo de renovação espiritual que prepara para a celebração anual da Páscoa. Mas o que significa entrar no itinerário quaresmal? O Evangelho deste primeiro domingo ilustra-nos isto, com a descrição das tentações de Jesus no deserto. Narra o Evangelista São Lucas que, depois de ter sido batizado por João, ‘cheio do Espírito Santo, Jesus retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde esteve durante quarenta dias, e foi tentado pelo diabo’ (Lc 4, 1-2). É evidente a insistência sobre o fato de que as tentações não foram um imprevisto, mas a consequência da opção feita por Jesus de seguir a missão que o Pai lhe confiou, de viver até ao fim a sua realidade de Filho amado, que confia totalmente n’Ele. Cristo veio ao mundo para nos libertar do pecado e do fascínio ambíguo de projetar a nossa vida prescindindo de Deus. Ele fê-lo não com anúncios pomposos, mas lutando pessoalmente contra o Tentador, até à Cruz. Este exemplo é válido para todos: o mundo melhora-se começando por nós mesmos, mudando, com a graça de Deus, tudo o que não é bom na nossa vida.

Das três tentações às quais Satanás submete Jesus, a primeira tem origem na fome, ou seja, na necessidade material: ‘Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pão’. Mas Jesus responde com a Sagrada Escritura: ‘Nem só de pão vive o homem’ (Lc 4, 3-4; cf. Dt 8, 3). Depois, o diabo mostra a Jesus todos os reinos da terra e diz: tudo será teu se, prostando-te, me adorares. É o engano do poder, e Jesus desmascara esta tentativa e afasta-o: ‘Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele prestarás culto’ (cf. Lc 4, 5-8; Dt 6, 13). Não adoração do poder, mas só de Deus, da verdade e do amor. Por fim, o Tentador propõe a Jesus que realize um milagre espetacular: lançar-se dos altos muros do Templo e fazer-se salvar pelos anjos, de modo que todos acreditassem n’Ele. Mas Jesus responde que Deus nunca deve ser posto à prova (cf. Dt 6, 16). Não podemos ‘fazer uma experiência’ na qual Deus deve responder e mostrar-se Deus: devemos acreditar n’Ele! Não devemos usar Deus como ‘matéria’ da nossa ‘experiência’! Referindo-se sempre à Sagrada Escritura, Jesus antepõe aos critérios humanos o único critério autêntico: a obediência, a conformidade com a vontade de Deus, que é o fundamento do nosso ser. Também este é um ensinamento fundamental para nós: se trouxermos na mente e no coração a Palavra de Deus, se esta entrar na nossa vida, se tivermos confiança em Deus, poderemos rejeitar qualquer gênero de engano do Tentador. Além disso, de toda a narração sobressai claramente a imagem de Cristo como novo Adão, Filho de Deus humilde e obediente ao Pai, ao contrário de Adão e Eva, que no jardim do Éden tinham cedido às seduções do espírito do mal, de serem imortais sem Deus.

A Quaresma é como um longo ‘retiro’, durante o qual cair de novo em nós mesmos e ouvir a voz de Deus, para vencer as tentações do Maligno e encontrar a verdade do nosso ser. Podemos dizer, um tempo de ‘competição’ espiritual para viver juntamente com Jesus, não com orgulho e presunção, mas usando as armas da fé, ou seja, a oração, a escuta da Palavra de Deus e a penitência. Deste modo poderemos chegar a celebrar a Páscoa na verdade, prontos para renovar as promessas do nosso Batismo. Ajude-nos a Virgem Maria para que, guiados pelo Espírito Santo, vivamos com alegria e proveito este tempo de graça. Interceda em particular por mim e pelos meus colaboradores da Cúria Romana, que esta tarde iniciaremos os Exercícios Espirituais.” (Papa Bento XVI, Angelus, 21 de Fevereiro de 2010)