12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

“O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos.” Sl 27,8s

 

ORAÇÃO DO DIA

Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Primeira Leitura (Zc 12,10-11;13,1)

Leitura da Profecia de Zacarias:

Assim diz o Senhor: 10“Derramarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e de oração; eles olharão para mim. Ao que eles feriram de morte, hão de chorá-lo, como se chora a perda de um filho único, e hão de sentir por ele a dor que se sente pela morte de um primogênito.

11Naquele dia, haverá um grande pranto em Jerusalém, como foi o de Adadremon, no campo de Magedo.

13,1Naquele dia, haverá uma fonte acessível à casa de Davi e aos habitantes de Jerusalém, para ablução e purificação.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 62)

— A minh’alma tem sede de vós,/ como a terra sedenta, ó meu Deus!

— A minh’alma tem sede de vós,/ como a terra sedenta, ó meu Deus!

— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco!/ A minh’alma tem sede de vós,/ minha carne também vos deseja.

— Como terra sedenta e sem água,/ venho, assim, contemplar-vos no templo,/ para ver vossa glória e poder./ Vosso amor vale mais do que a vida:/ e por isso meus lábios vos louvam.

— Quero, pois, vos louvar pela vida,/ e elevar para vós minhas mãos!/ A minh’alma será saciada,/ como em grande banquete de festa;/ cantará a alegria em meus lábios,/ ao cantar para vós meu louvor!

— Para mim fostes sempre um socorro;/ de vossas asas à sombra eu exulto!/ Minha alma se agarra em vós;/ com poder vossa mão me sustenta.

 

Segunda Leitura (Gl 3,26-29)

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas:

Irmãos: 26Vós todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. 27Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo.

28O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo.

29Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Lc 9,18-24)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor!

Certo dia, 18Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou-lhes: “Quem diz o povo que eu sou?”

19Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”.

20Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”.

21Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a alguém. 22E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”.

23Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. 24Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

REFLEXÃO

“Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho deste domingo ressoa uma das palavras mais incisivas de Jesus: «Quem quiser salvar a própria vida, perdê-la-á, mas quem perder a própria vida por Minha causa, salvá-la-á» (Lc 9, 24).

Há uma síntese da mensagem de Cristo, e é expressa com um paradoxo muito eficaz, que nos faz conhecer o seu modo de falar, quase nos faz ouvir a sua voz… Mas que significa «perder a vida por causa de Jesus»? Isto pode acontecer de dois modos: confessando explicitamente a fé, ou defendendo de modo implícito a verdade. Os mártires são o exemplo máximo do perder a vida por Cristo. Em dois mil anos uma multidão imensa de homens e mulheres sacrificaram a vida para permanecer fiéis a Jesus Cristo e ao seu Evangelho. E hoje, em numerosas partes do mundo, há muitos, muitíssimos — mais do que nos primeiros séculos — muitos mártires, que dão a própria vida por Cristo, que são levados à morte por não renegarem Jesus Cristo. Esta é a nossa Igreja. Hoje temos mais mártires do que nos primeiros séculos! Mas há também o martírio quotidiano, que não implica a morte, mas é também ele um «perder a vida» por Cristo, cumprindo o próprio dever com amor, segundo a lógica de Jesus, a lógica da doação, do sacrifício. Pensemos: quantos pais e mães todos os dias põem em prática a sua fé oferecendo concretamente a própria vida pelo bem da família! Pensemos neles! Quantos sacerdotes, frades, freiras, desempenham com generosidade o seu serviço pelo reino de Deus! Quantos jovens renunciam aos próprios interesses para se dedicarem às crianças, aos deficientes, aos idosos… Também eles são mártires! Mártires diários, do dia-a-dia!

E há também muitas pessoas, cristãs e não cristãs, que «perdem a própria vida» pela verdade. E Cristo disse «Eu sou a verdade», por conseguinte quem serve a verdade serve Cristo. Uma destas pessoas, que deu a vida pela verdade, foi João Batista (…) . João foi escolhido por Deus para preparar o caminho diante de Jesus, e indicou-o ao povo de Israel como o Messias, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29). João consagrou-se totalmente a Deus e ao seu enviado, Jesus. Mas, no final, o que aconteceu? Morreu pela causa da verdade, quando denunciou o adultério do rei Herodes com Herodíades. Quantas pessoas pagam caro o compromisso pela verdade! Quantos homens retos preferem ir contra a corrente, para não renegar a voz da consciência, a voz da verdade! Pessoas retas, que não receiam ir contra a corrente! E nós, não devemos ter medo! Entre vós há muitos jovens. A vós jovens digo: não tenhais medo de ir contra a corrente, quando nos querem roubar a esperança, quando nos propõem estes valores estragados, valores como uma refeição deteriorada que nos faz mal; estes valores fazem-nos mal. Devemos ir contra a corrente! E vós jovens, sede os primeiros: ide contra a corrente e tende este orgulho precisamente de ir contra a corrente. Em frente, sede corajosos e ide contra a corrente. E senti-vos orgulhosos por fazê-lo!

Queridos amigos, acolhamos com alegria esta palavra de Jesus. É uma regra de vida proposta a todos. E são João Batista nos ajude a pô-la em prática. Precede-nos neste caminho, como sempre, a nossa Mãe, Maria Santíssima: Ela perdeu a sua vida por Jesus, até à Cruz, e recebeu-a em plenitude, com toda a luz e beleza da Ressurreição. Ajude-nos Maria a fazer cada vez mais nossa a lógica do Evangelho.” (Papa Francisco, Angelus, 23 de junho de 2013)

SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO – ANO C

“O Senhor alimentou seu povo com a flor do trigo e com o mel do rochedo o saciou.” Sl 80,17

 

ORAÇÃO DO DIA

Senhor Jesus Cristo, neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso Corpo e do vosso Sangue, que possamos colher continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Primeira Leitura (Gn 14,18-20)

Leitura do Livro do Gênesis:

18Naqueles dias, Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho e, como sacerdote do Deus Altíssimo, 19abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, criador do céu e da terra!

20Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou teus inimigos em tuas mãos!” E Abrão entregou-lhe o dízimo de tudo.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 109)

—Tu és sacerdote eternamente/ segundo a ordem do rei Melquisedec!

—Tu és sacerdote eternamente/ segundo a ordem do rei Melquisedec!

— Palavra do Senhor ao meu Senhor:/ “Assenta-te ao lado meu direito/ até que eu ponha os inimigos teus/ como escabelo por debaixo de teus pés!”

— O Senhor estenderá desde Sião/ vosso cetro de poder, pois Ele diz:/ “Domina com vigor teus inimigos;

— tu és príncipe desde o dia em que nasceste;/ na glória e esplendor da santidade,/ como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!/ Jurou o Senhor e manterá sua palavra;/ tu és sacerdote eternamente,/ segundo a ordem do rei Melquisedec!

 

Segunda Leitura (1Cor 11,23-26)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 23O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”.

25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”.

26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus

 

Anúncio do Evangelho (Lc 9, 11b-17)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 11bJesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o Reino de Deus e curava todos os que precisavam.

12A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto”.

13Mas Jesus disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles responderam: “Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente”.

14Estavam ali mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: “Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta”.

15Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. 16Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão. 17Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

REFLEXÃO

“Amados irmãos e irmãs

No Evangelho que ouvimos há uma expressão de Jesus que sempre me impressiona: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Lc 9, 13). A partir desta frase, deixo-me orientar por três palavras: seguimento, comunhão e partilha.

Antes de tudo: quem são as pessoas às quais dar de comer? Encontramos a resposta no início do trecho evangélico: é a multidão. Jesus encontra-se no meio do povo, acolhe-o, fala-lhe, preocupa-se por ele e manifesta-lhe a misericórdia de Deus; do meio do povo escolhe os doze Apóstolos para permanecer com Ele e para se imergir com Ele nas situações concretas do mundo. E o povo segue-o, ouve-o, porque Jesus fala e age de um modo novo, com a autoridade de quem é autêntico e coerente, de quem fala e age com verdade, de quem oferece a esperança que vem de Deus, de quem é a revelação do Rosto de um Deus que é amor. E o povo, com alegria, bendiz a Deus.

Esta tarde nós somos a multidão do Evangelho; também nós procuramos seguir Jesus para o ouvir, para entrar em comunhão com Ele na Eucaristia, para o acompanhar e a fim de que Ele nos acompanhe. Interroguemo-nos: como sigo Jesus? Jesus fala em silêncio no Mistério da Eucaristia, e recorda-nos de cada vez que segui-lo quer dizer sair de nós mesmos e fazer da nossa vida não uma nossa posse, mas uma dádiva a Ele e ao próximo.

Demos um passo em frente: de onde deriva o convite que Jesus dirige aos discípulos, para que deem também eles de comer à multidão? Deriva de dois elementos: em primeiro lugar da multidão que, seguindo Jesus, se encontra ao relento, longe dos lugares habitados, enquanto já anoitece, e depois da preocupação dos discípulos, os quais pedem a Jesus que despeça a multidão, a fim de que vá aos povoados vizinhos para encontrar alimento e hospedagem (cf. Lc 9, 12). Diante das necessidades da multidão, eis a solução dos discípulos: cada um pense em si próprio; despedir a multidão! Cada um pense em si próprio; despedir a multidão! Quantas vezes nós, cristãos, temos esta tentação! Não assumimos as necessidades do próximo, despedindo-o com um piedoso: «Que Deus te ajude!», ou com um não tão piedoso: «Boa sorte!», e se não nos virmos mais… Todavia, a solução de Jesus vai noutro rumo, numa direção que surpreende os discípulos: «Dai-lhes vós mesmos de comer». Mas como é possível dar de comer a uma multidão? «Só temos cinco pães e dois peixes, a não ser que nós mesmos vamos e compremos alimentos para todo este povo» (Lc 9, 13). Mas Jesus não desanima: pede aos discípulos que mandem as pessoas sentar-se em grupos de cinquenta pessoas, eleva o olhar para o céu, recita a bênção, parte os pães, dando-os aos discípulos para que os distribuíssem (cf. Lc 9, 16). Trata-se de um momento de profunda comunhão: agora a multidão, saciada pela palavra do Senhor, é alimentada pelo seu pão de vida. E todos ficaram fartos, observa o Evangelista (cf. Lc 9, 17).

Esta tarde, também nós estamos ao redor da mesa do Senhor, do altar do Sacrifício eucarístico onde Ele nos oferece mais uma vez o seu Corpo, tornando presente a única oferenda da Cruz. É ao ouvir a sua Palavra, ao alimentar-nos do seu Corpo e do seu Sangue, que Ele nos faz passar do ser multidão ao ser comunidade, do anonimato à comunhão. A Eucaristia é o Sacramento da Comunhão, que nos faz sair do individualismo para viver juntos o seguimento, a fé nele. Então, deveríamos perguntar-nos todos, diante do Senhor: como vivo a Eucaristia? Vivo-a de modo anônimo, ou como momento de verdadeira comunhão com o Senhor, mas inclusive com todos os irmãos e irmãs que compartilham esta mesma mesa? Como são as nossas celebrações eucarísticas?

Um último elemento: de onde nasce a multiplicação dos pães? A resposta encontra-se no convite de Jesus aos discípulos: «Dai-lhes vós mesmos…», «dar», compartilhar. Que compartilham os discípulos? Aquele pouco do que dispõem: cinco pães e dois peixes. Mas são precisamente aqueles pães e peixes que, nas mãos do Senhor, saciam toda a multidão. E são exatamente os discípulos confusos diante da incapacidade dos seus meios, da pobreza daquilo que podem pôr à disposição, que mandam as pessoas acomodar-se e que distribuem — confiando na palavra de Jesus — os pães e os peixes que saciam a multidão. E isto diz-nos que na Igreja, mas também na sociedade, uma palavra-chave da qual não devemos ter receio é «solidariedade», ou seja, saber pôr à disposição de Deus aquilo que temos, as nossas capacidades humildes, porque somente na partilha e no dom a nossa vida será fecunda e dará fruto. Solidariedade: uma palavra malvista pelo espírito mundano!

Esta tarde, mais uma vez, o Senhor distribui-nos o pão que é o seu Corpo, fazendo-se dom. E também nós experimentamos a «solidariedade de Deus» para com o homem, uma solidariedade que nunca se esgota, uma solidariedade que não cessa de nos surpreender: Deus faz-se próximo de nós; humilha-se no sacrifício da Cruz, entrando na obscuridade da morte para nos dar a sua vida, que vence o mal, o egoísmo e a morte. Jesus entrega-se a nós também esta tarde na Eucaristia, compartilha o nosso próprio caminho, aliás, faz-se alimento, o alimento autêntico que sustém a nossa vida inclusive nos momentos em que a vereda se torna árdua, quando os obstáculos diminuem os nossos passos. E na Eucaristia, o Senhor faz-nos percorrer o seu caminho, que é de serviço, de partilha e de dom, e aquele pouco que temos, o pouco que somos, se for compartilhado, torna-se riqueza porque o poder de Deus, que é de amor, desce até à nossa pobreza para a transformar.

Então perguntemos esta tarde, adorando Cristo realmente presente na Eucaristia: deixo-me transformar por Ele? Permito que o Senhor, que se doa a mim, me oriente para sair cada vez mais do meu espaço limitado, para sair e não ter medo de doar, de compartilhar, de amá-lo, de amar o próximo?

Irmãos e irmãs: seguimento, comunhão e partilha. Oremos a fim de que a participação na Eucaristia nos estimule sempre: a seguir o Senhor cada dia, a ser instrumentos de comunhão, a partilhar com Ele e com o nosso próximo aquilo que nós somos. Assim, a nossa existência será verdadeiramente fecunda. Amém!” (Papa Francisco, 30 de maio de 2013)

SANTÍSSIMA TRINDADE – ANO C

“Bendito seja Deus Pai, bendito o Filho Unigênito e bendito o Espírito Santo. Deus foi misericordioso conosco.” (LD)

 

ORAÇÃO DO DIA

Primeira Leitura (Pr 8,22-31)

Leitura do Livro dos Provérbios:

Assim fala a Sabedoria de Deus: 22“O Senhor me possuiu como primícia de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; 23desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra. 24Fui gerada quando não existiam os abismos, quando não havia os mananciais das águas, 25antes que fossem estabelecidas as montanhas, antes das colinas fui gerada.

26Ele ainda não havia feito as terras e os campos, nem os primeiros vestígios de terra do mundo.

27Quando preparava os céus, ali estava eu, quando traçava a abóbada sobre o abismo, 28quando firmava as nuvens lá no alto e reprimia as fontes do abismo, 29quando fixava ao mar os seus limites — de modo que as águas não ultrapassassem suas bordas — e lançava os fundamentos da terra, 30eu estava ao seu lado como mestre-de-obras; eu era seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença, 31brincando na superfície da terra, e alegrando-me em estar com os filhos dos homens”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 8)

— Ó Senhor, nosso Deus,/ como é grande vosso nome/ por todo o universo!

— Ó Senhor, nosso Deus,/ como é grande vosso nome/ por todo o universo!

— Contemplando estes céus que plasmastes/ e formastes com dedos de artista;/ vendo a lua e estrelas brilhantes, perguntamos:/ “Senhor, que é o homem,/ para dele assim vos lembrardes/ e o tratardes com tanto carinho?”

— Pouco abaixo de Deus o fizestes,/ coroando-o de glória e esplendor;/ vós lhe destes poder sobre tudo,/ vossas obras aos pés lhe pusestes.

— As ovelhas, os bois, os rebanhos,/ todo o gado e as feras da mata;/ passarinhos e peixes dos mares,/ todo ser que se move nas águas.

 

Segunda Leitura (Rm 5,1-5)

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: 1Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 2Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus.

3E não só isso, pois nos gloriamos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, 4a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; 5e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 16,12-15)

— O Senhor esteja convosco.

—Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 12“Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora.

13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará.

14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”.

 

REFLEXÃO

“Queridos irmãos e irmãs!

Depois do tempo pascal, concluído no domingo passado com o Pentecostes, a liturgia voltou ao ‘tempo comum’. Mas isto não significa que o empenho dos cristãos deva diminuir, aliás, tendo entrado na vida divina mediante os Sacramentos, somos chamados quotidianamente a estar abertos à ação da Graça, para progredir no amor a Deus e ao próximo. O domingo de hoje da Santíssima Trindade, num certo sentido, recapitula a revelação de Deus que aconteceu nos mistérios pascais: morte e ressurreição de Cristo, a sua ascensão à direita do Pai e a efusão do Espírito Santo. A mente e a linguagem humanas são inapropriadas para explicar a relação existente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e contudo os Padres da Igreja procuraram explicar o mistério de Deus Uno e Trino, vivendo-o na própria existência com fé profunda.

De facto, a Trindade divina começa a habitar em nós no dia do Batismo: ‘Eu te batizo – diz o ministro – em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’. O nome de Deus, no qual fomos batizados, recordamo-lo todas as vezes que fazemos em nós mesmos o sinal da cruz. O teólogo Romano Guardini, a propósito do sinal da cruz, observa: “Fazemo-lo antes da oração, para que… nos ponha espiritualmente em ordem; concentre em Deus pensamentos, coração e vontade; depois a oração, para que permaneça em nós o que Deus nos doou… Ele abraça todo o ser, corpo e alma,… e tudo se torna consagrado em nome do Deus uno e trino” (Lo spirito della liturgia. I santi segni, Brescia 2000, págs. 125-126).

No sinal da cruz e no nome do Deus vivente está portanto contido o anúncio que gera a fé e inspira a oração. E, como no evangelho Jesus promete aos Apóstolos que ‘quando ele vier, o Espírito da verdade, guiar-vos-á a toda a verdade’ (Jo 16, 13), assim acontece na liturgia dominical, quando os sacerdotes dispensam, de semana em semana, o Pão da Palavra e da Eucaristia. Também o Santo Cura d’Ars o recordava aos seus fiéis: ‘Quem acolheu a vossa alma – dizia – ao primeiro entrar na Vida? O sacerdote. Quem a nutre para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a preparará para cumprir diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo?… sempre o sacerdote’ (Carta de proclamação do Ano sacerdotal).

Queridos amigos, façamos nossa a oração de Santo Ilário de Poitiers: ‘Conserva incontaminada esta fé reta que está em mim e, até ao meu último respiro, dá-me igualmente esta voz da minha consciência, para que eu permaneça sempre fiel ao que professei na minha regeneração, quando fui batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo” (De Trinitate, XII, 57, CCL 62/a, 627). Invocando a Bem-Aventurada Virgem Maria, primeira criatura plenamente inabitada pela Santíssima Trindade, pedimos a sua proteção para prosseguir bem a nossa peregrinação terrena. (Papa Bento XVI, Angelus, 30 de maio de 2010)