EPIFANIA DO SENHOR

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As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor! (Sl 71)

 

ORAÇÃO

Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos, que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: Is 60,1-6; Sl 71; Ef 3,2-3.5-6; Mt 2, 1-12

 

EVANGELHO: Mt 2, 1-12

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Jesus nasceu na cidade de Belém, na região da Judeia, quando Herodes era rei da terra de Israel. Nesse tempo alguns homens que estudavam as estrelas vieram do Oriente e chegaram a Jerusalém. Eles perguntaram: – Onde está o menino que nasceu para ser o rei dos judeus? Nós vimos a estrela dele no Oriente e viemos adorá-lo. Quando o rei Herodes soube disso, ficou muito preocupado, e todo o povo de Jerusalém também ficou. Então Herodes reuniu os chefes dos sacerdotes e os mestres da Lei e perguntou onde devia nascer o Messias. Eles responderam: – Na cidade de Belém, na região da Judéia, pois o profeta escreveu o seguinte: “Você, Belém, da terra de Judá, de modo nenhum é a menor entre as principais cidades de Judá, pois de você sairá o líder que guiará o meu povo de Israel.” Então Herodes chamou os visitantes do Oriente para uma reunião secreta e perguntou qual o tempo exato em que a estrela havia aparecido; e eles disseram. Depois os mandou a Belém com a seguinte ordem: – Vão e procurem informações bem certas sobre o menino. E, quando o encontrarem, me avisem, para eu também ir adorá-lo. Depois de receberem a ordem do rei, os visitantes foram embora. No caminho viram a estrela, a mesma que tinham visto no Oriente. Ela foi adiante deles e parou acima do lugar onde o menino estava. Quando viram a estrela, eles ficaram muito alegres e felizes. Entraram na casa e encontraram o menino com Maria, a sua mãe. Então se ajoelharam diante dele e o adoraram. Depois abriram os seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. E num sonho Deus os avisou que não voltassem para falar com Herodes. Por isso voltaram para a sua terra por outro caminho.

 

REFLEXÃO

“Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho de hoje, a narração dos Magos, que foram do Oriente a Belém para adorar o Messias, confere à festa da Epifania um alcance de universalidade. E este é o alcance da Igreja, a qual deseja que todos os povos da terra possam encontrar Jesus, fazer a experiência do seu amor misericordioso. É este o desejo da Igreja: que encontremos a misericórdia de Jesus, o seu amor.

Cristo acabou de nascer, ainda não sabe falar, e todas as nações — representadas pelos Magos — já o podem encontrar, reconhecer, adorar. Dizem os Magos: «Vimos a sua estrela no firmamento e viemos adorá-lo» (Mt 2, 2), Herodes ouviu isto logo que os Magos chegaram a Jerusalém. Estes Magos eram homens prestigiosos, de regiões distantes e culturas diversas, e tinham-se posto a caminho rumo à terra de Israel para adorar o rei que nascera. Desde sempre a Igreja viu neles a imagem da humanidade inteira, e com a celebração de hoje, da festa da Epifania, deseja como que indicar respeitosamente a cada homem e mulher deste mundo o Menino que nasceu para a salvação de todos.

Na noite de Natal Jesus manifestou-se aos pastores, homens humildes e desprezados — alguns dizem salteadores — foram eles os primeiros que levaram um pouco de conforto àquela gruta fria de Belém. Agora chegam os Magos de terras distantes, também eles atraídos misteriosamente por aquele Menino. Pastores e Magos, muito diversos entre si; mas lhes é comum uma coisa: o céu. Os pastores de Belém acorreram imediatamente para ver Jesus não por serem particularmente bons, mas porque vigiavam de noite e, erguendo os olhos ao céu, viram um sinal, ouviram a sua mensagem e seguiram-no. Assim também os Magos: perscrutaram o céu, viram uma estrela nova, interpretaram o sinal e puseram-se a caminho, de longe. Os pastores e os Magos ensinam-nos que para encontrar Jesus é necessário saber erguer o olhar ao céu, não estar fechado em si mesmo, no próprio egoísmo, mas ter o coração e a mente abertos ao horizonte de Deus, que nos surpreende sempre, saber acolher as suas mensagens, e responder com prontidão e generosidade.

Os Magos, diz o Evangelho, «ao ver a estrela, sentiram uma grande alegria» (Mt 2, 10). Há também para nós um grande conforto ao ver a estrela, isto é, ao sentir-nos guiados e não abandonados ao nosso destino. E a estrela é o Evangelho, a Palavra do Senhor, como diz o salmo: «A tua palavra é lâmpada para os meus passos, luz para o meu caminho» (119, 105). Esta luz guia-nos para Cristo. Sem a escuta do Evangelho, não é possível encontrá-lo! Com efeito, seguindo a estrela, os Magos chegaram ao lugar onde Jesus se encontrava. E ali «viram o Menino com Maria sua mãe, prostraram-se e adoraram-no» (Mt 2, 11). A experiência dos Magos exorta-nos a não nos contentarmos com a mediocridade, a não «ir vivendo», mas a procurar o sentido das coisas, a perscrutar com paixão o grande mistério da vida. E ensina-nos a não nos escandalizarmos com a pequenez e com a pobreza, mas a reconhecer a majestade na humildade, e saber ajoelhar-nos diante dela.

A Virgem Maria, que acolheu os Magos em Belém, nos ajude a erguer o olhar de nós mesmos, a deixar-nos guiar pela estrela do Evangelho para encontrar Jesus, e a saber abaixar o nosso olhar para o adorar. Assim poderemos levar aos outros um raio da sua luz, e partilhar com eles a alegria do caminho.” (Papa Francisco, Angelus, 6 janeiro 2016)

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A palavra “Epifania” tem origem grega e significa manifestação: o desconhecido dá-se a conhecer. A epifania de Jesus acontece no momento em que é reconhecido por um grupo de desconhecidos, é o início da sua revelação à humanidade, de sua acolhida. Os magos representam todos os homens que se deixam guiar pela mensagem de paz e de amor de Cristo. “Assim como ofereceram, de seus tesouros, místicos dons ao Senhor, assim também procuremos nós, em nossos corações, ofertas dignas dEle!” (São Leão Magno, Sr 32,4)

SANTA MARIA, MÃE DE DEUS

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“Salve, ó Santa Mãe de Deus, Vós destes à luz o rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos.”

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, que pela virgindade fecunda de Maria destes à humanidade a salvação eterna, dai-nos contar sempre com a sua intercessão, pois ela nos trouxe o autor da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leituras da liturgia eucarística: Nm 6,22-27; Sl 66; Gl 4,4-7;  Lc 2,16-21

 

EVANGELHO – Lc 2,16-21

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Os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura.

Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino. E todos os que ouviram os pastores ficavam maravilhados com aquilo que contavam. Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração.

Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido.

 

REFLEXÃO

“No início do ano é bom trocar os bons votos. Assim renovamos uns aos outros o desejo de que quanto nos espera seja um pouco melhor. No fundo, é um sinal da esperança que nos anima e nos convida a acreditar na vida. No entanto, sabemos que com o ano novo nem tudo mudará, e que muitos problemas de ontem subsistirão inclusive amanhã. Então, gostaria de vos dirigir os bons votos corroborados por uma esperança real, que extraio da Liturgia de hoje.

São as palavras com as quais o próprio Senhor pediu para abençoar o seu povo: ‘O Senhor te mostre a sua face […]. O Senhor volva o seu rosto para ti’ (Nm 6, 25-26). Também eu vos desejo isto: que o Senhor pouse o seu olhar sobre vós e que possais rejubilar, conscientes de que cada dia o seu rosto misericordioso, mais resplandecente do que o sol, brilha sobre vós e nunca se põe! Descobrir o semblante de Deus renova a vida, porque Ele é um Pai apaixonado pelo homem, que jamais se cansa de recomeçar de novo connosco, para nos renovar. O Senhor é deveras paciente para connosco! Não se cansa de recomeçar de novo, cada vez que caímos. No entanto, o Senhor não promete mudanças mágicas, não usa a varinha mágica. Ele gosta de mudar a realidade a partir de dentro, com paciência e amor; pede para entrar na nossa vida com delicadeza, como a chuva que cai sobre a terra, para depois dar fruto. Ele espera-nos e olha para nós sempre com ternura. Todas as manhãs, quando acordamos, podemos dizer: ‘Hoje o Senhor faz resplandecer o seu rosto sobre mim!’. Esta bonita oração é uma realidade.”

A Bênção bíblica continua assim: ‘[O Senhor] te conceda a paz!’ (v. 26). Hoje nós celebramos o Dia Mundial da Paz, cujo tema é: ‘Vence a indiferença e conquista a paz’. A paz, que Deus Pai deseja semear no mundo, deve ser cultivada por nós. E não só, mas deve ser também «conquistada». Isto comporta uma verdadeira luta, um combate espiritual que tem lugar no nosso coração, porque inimiga da paz não é apenas a guerra, mas inclusive a indiferença, que nos leva a pensar unicamente em nós mesmos e a criar barreiras, suspeitas, temores e fechamentos. E estas realidades são inimigas da paz. Graças a Deus, dispomos de muitas informações; mas às vezes vivemos tão submergidos pelas notícias que nos distraímos da realidade, do irmão e da irmã que têm necessidade de nós. Neste ano comecemos a abrir o coração, despertando a atenção pelo outro, por aqueles que estão mais próximos. Este é o caminho para a conquista da paz!

Que nisto nos ajude a Rainha da Paz, a Mãe de Deus, cujo solenidade celebramos hoje. Ela ‘conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração’ (Lc 2, 19). As esperanças e as preocupações, a gratidão e os problemas: tudo aquilo que acontecia na vida tornava-se, no Coração de Maria, oração e diálogo com Deus. E Ela age assim também em relação a nós: conserva as alegrias e desata os nós da nossa vida, levando-os ao Senhor.

Confiemos à Mãe o novo ano, a fim de que aumentem a paz e a misericórdia. (Papa Francisco,  Angelus 1º de janeiro de 2016)

 

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“Neste primeiro dia do ano, que o Senhor nos ajude a caminharmos mais decididamente pelos caminhos da justiça e da paz; que o Espírito Santo atue nos corações, desfaça a rigidez e durezas e nos conceda a graça de nos enternecermos diante da fragilidade do Menino Jesus. A paz, de fato, exige a força da doçura, a força não violenta da verdade e do amor”. (Papa Francisco, 1º jan/2014)

NATAL DO SENHOR – DIA

Um menino nasceu para nós: um filho nos foi dado! O poder repousa nos seus ombros. Ele será chamado “Mensageiro do Conselho de Deus”. (Is 9,6)

 

ORAÇÃO

Ó Deus, que admiravelmente criastes o ser humano e mais admiravelmente restabelecestes a sua dignidade, dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística:  Is 52,7-10; Sl 97; Hb 1,1-6; Jo 1,1-18

 

EVANGELHO: Jo 1,1-18

No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. No princípio estava ela com Deus. Tudo foi feito por ela, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. A Palavra estava no mundo — e o mundo foi feito por meio dela — mas o mundo não quis conhecê-la. Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade. Dele, João dá testemunho, clamando: “Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim”. De sua plenitude, todos nós recebemos graça por graça. Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. A Deus, ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.

 

REFLEXÃO

O Antigo Testamento conhecia o termo da Palavra (=Verbo) de Deus e o da Sabedoria que, em Deus, preexiste ao mundo. Através da Sabedoria todas as coisas foram criadas; ela foi enviada à Terra para revelar os mistérios da vontade divina e voltará a Deus depois de ter cumprido sua missão. Assim para João o Verbo era preexistente em Deus e partícipe da obra criadora; veio à Terra para cumprir a missão que lhe é confiada pelo Pai; revela-o aos homens; volta a ele uma vez cumprida sua missão. A novidade no Novo Testamento está no fato de que a Sabedoria, a Palavra, é Deus e é pessoas distinta do Pai. O Natal é revelação do Emanuel, do Deus conosco. (Missal Dominical, Paulus, 1995, p. 97)