1º DE OUTUBRO – SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

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“Teresa (França, 1873-1897), jovem de profunda mística, entrou no Carmelo de Lisieux com o desejo de servir a Deus na simplicidade e na humilde confiança no seu amor misericordioso. Padroeira das missões, viveu o ideal missionário por meio da oração e da entrega cotidiana pela salvação dos povos.” LD

 

“Deus cercou-a de cuidados e a instruiu, guardou-a como a pupila dos seus olhos. Ele abriu suas asas como a águia e em cima dos seus ombros a levou. E só ele, o Senhor, foi o seu guia.” (Liturgia Diária).

 

ORAÇÃO DO DIA

“Ó Deus, que preparais o vosso reino para os pequenos e humildes, dai-nos seguir confiantes o caminho de Santa Teresinha, para que, por sua intercessão, nos seja revelada a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

REFLEXÃO (sobre a Santa)

“Se não vos converterdes e vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus” (Mt 18,3): este é o ideal evangélico que a Igreja repropõe a seus filhos como exemplo vivo desta jovem santa. (…) Teresa Martin obteve de Leão XIII a licença de entrar no Carmelo de Lisieux aos quinze anos. Os nove anos que lá passou foram de extraordinária intensidade espiritual  Escreveu por obediência suas experiências interiores, fundidas depois por sua irmã Celina na História de uma alma, que teve excepcional acolhida. Sua “pequena via da infância espiritual” tem em si um poder de doação sem limites: “Nunca recusei coisa alguma ao bom Deus!”; mostra a força do amor de Deus no coração da Igreja, no qual descobrira sua “vocação”. Seus manuscritos, publicados agora em sua integridade original, apresentam-na ainda maior, numa admirável simplicidade de vida. Mestra de noviças por alguns anos, tornou-se para todos mestra de vida espiritual autêntica, segundo o espírito das bem-aventuranças. Levou-a Deus pela mão à total oferta de si mesma no amor para salvação do mundo. Pio XI declarou-a padroeira principal de todas as missões. (Missal Cotidiano, Paulus, 1985, p. 1756)

IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

“Meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez.” (Sl 12,6)

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, que preparastes morada digna do Espírito Santo no Imaculado Coração de Maria, concedei que, por sua intercessão, nos tornemos um templo da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

Leituras da liturgia eucarística: Is 61,9-11; 1Sm 2,1.4-8; Lc 2,41-51

 

EVANGELHO: Lc 2,41-51

 

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem.

Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas.

Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera. Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas.

 

REFLEXÃO

“Como Maria, aprendamos a acolher e guardar a Palavra de Deus” – foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã deste sábado, 8 de junho, (2013) na Casa Santa Marta, no Vaticano, memória do Imaculado Coração de Maria.
“A admiração é mais que alegria. É um momento em que a Palavra de Deus é semeada em nosso coração”, disse Francisco. O Papa ressaltou “que não se pode viver sempre na admiração, ela deve ser levada na vida com a custódia. Foi o que Maria faz, guardava a Palavra de Deus”, disse o Santo Padre acrescentando: “Guardar a Palavra de Deus: o que isso significa? Eu recebo a Palavra, depois pego uma garrafa e coloco a Palavra na garrafa e a conservo? Não. Guardar a Palavra de Deus significa que o nosso coração se abre, está aberto para aquela Palavra como a terra se abre para receber as sementes. A Palavra de Deus é uma semente que deve ser semeada. Jesus nos diz o que acontece com a semente: algumas caem ao longo do caminho, mas vêm as aves e as comem. Esta palavra não foi guardada, esses corações não souberam recebê-la.”

“Outras caem em terra pedregosa e a semente morre. Jesus nos diz que essas pessoas não sabem guardar a Palavra de Deus, porque não são constantes: quando vem a tribulação se esquecem. A Palavra de Deus caiu numa terra não preparada, não custodiada, onde existem espinhos. E o que são os espinhos? Jesus fala de apego à riqueza, aos vícios. Conservar a Palavra de Deus significa meditar sempre o que nos diz esta Palavra com o que acontece na vida. E isso Maria fez, meditava e fazia a comparação. Este é um grande trabalho espiritual”, disse ainda Francisco ressaltando:
“João Paulo II dizia que Maria tinha, com este trabalho, um cansaço especial em seu coração: tinha o coração afadigado. Mas isto não é um problema, é um esforço, é um trabalho. Guardar a Palavra de Deus requer este trabalho: o trabalho de buscar o que significa isto neste momento, o que o Senhor quer me dizer neste momento, esta situação relacionada com a Palavra de Deus como se entende. Ler a vida com a Palavra de Deus. Isso significa guardar”.
“Mas também lembrar”, frisou o pontífice. “A memória é uma custódia da Palavra de Deus. Ela nos ajuda a conservá-la, a recordar tudo o que o Senhor fez em minha vida”, disse Francisco. Segundo o Papa, “a memória nos lembra todas as maravilhas da salvação em seu povo e no meu coração. A memória guarda a Palavra de Deus”, disse.
O Santo Padre concluiu sua homilia convidando a pensar “sobre como guardar a Palavra de Deus, como conservar essa admiração para que as aves não a comam e os vícios não a sufoquem”.
“Faremos bem em nos perguntar: Com as coisas que acontecem na vida, o que o Senhor me diz com a Sua Palavra, neste momento? Isto se chama guardar a Palavra de Deus, porque a Palavra de Deus é a mensagem que o Senhor nos dá a cada momento. Devemos guardá-la com a nossa memória e também com a nossa esperança. Peçamos ao Senhor a graça de receber a Palavra de Deus e guardá-la, e também a graça de ter um coração que se esforça em conservá-la”, concluiu o Papa Francisco. (MJ)
Fonte:  Radio Vaticano

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – 13 DE MAIO

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“Os discípulos unidos perseveravam em Oração com Maria, a mãe de Jesus.” (At 1,14)

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, que vos dignastes alegrar o mundo com a ressurreição do vosso Filho, concedei-nos por sua mãe a Virgem Maria, o júbilo da vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leituras da liturgia eucarística: Is 61,9-11; Sl 44; Lc 11,27-28

 

EVANGELHO:  Lc 11,27-28

 

Naquele tempo, enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse; “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. Jesus respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.

REFLEXÃO

“Queridos peregrinos,

«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9). Assim começava a primeira leitura desta Eucaristia, cujas palavras encontram uma realização admirável nesta devota assembleia aos pés de Nossa Senhora de Fátima. Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima, a esta «casa» que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna proteção. Vim a Fátima, porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação. Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia, vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que «amo», de que a Igreja, de que os sacerdotes «amam» Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à proteção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.

São a linhagem que o Senhor abençoou… Linhagem que o Senhor abençoou és tu, amada diocese de Leiria-Fátima, com o teu Pastor Dom António Marto, a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário. Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa. Idealmente abraço todas as dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos, e confio ao Céu todos os povos e nações da terra. Em Deus, estreito ao coração todos os seus filhos e filhas, especialmente quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde no meu coração e que, em Fátima, se faz encontrar mais sensivelmente. A nossa grande esperança lance raízes na vida de cada um de vós, amados peregrinos aqui presentes, e de quantos estão em comunhão connosco através dos meios de comunicação social.

Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está connosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo. Tendo experimentado a misericórdia e consolação de Deus que não o abandonara no fatigante caminho do regresso do exílio de Babilônia, o povo de Deus exclama: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus» (Is61, 10). Filha excelsa deste povo é a Virgem Mãe de Nazaré, a qual, revestida de graça e docemente surpreendida com a gestação de Deus que se estava operando no seu seio, faz igualmente sua esta alegria e esta esperança no cântico do Magnificat: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador». Entretanto não se vê como privilegiada no meio de um povo estéril, antes profetiza-lhe as doces alegrias duma prodigiosa maternidade de Deus, porque «a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem» (Lc 1, 47.50).

Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana. Uma experiência de graça que os tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: «Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo». E o Francisco dizia: «Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 40 e 127).

Irmãos, ao ouvir estes inocentes e profundos desabafos místicos dos Pastorinhos, poderia alguém olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignação de quem não teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: «Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?» (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Card. Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior.

Mais ainda, aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. E o entusiasmo que a sua sabedoria e poder salvífico suscitavam nas pessoas de então era tal que uma mulher do meio da multidão – como ouvimos no Evangelho – exclama: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Contudo Jesus observou: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo.

«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9) com uma esperança inabalável e que frutifica num amor que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros; antes – como ouvimos na segunda leitura – «tudo desculpa, tudo acredita, tudo espera, tudo suporta» (1 Cor 13, 7). Exemplo e estímulo são os Pastorinhos, que fizeram da sua vida uma doação a Deus e uma partilha com os outros por amor de Deus. Nossa Senhora ajudou-os a abrir o coração à universalidade do amor. De modo particular, a beata Jacinta mostrava-se incansável na partilha com os pobres e no sacrifício pela conversão dos pecadores. Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz.

Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: «Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).

Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima.” (Homilia do Papa Bento XVI, Esplanada do Santuário de Fátima, 13 de Maio de 2010)