04 DE OUTUBRO – SÃO FRANCISCO DE ASSIS

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“Bem longe de mim gloriar-me

Senão na Cruz do Senhor Jesus Cristo,

Pois trago em meu corpo suas chagas.” LH

 

São Francisco de Assis “nasceu em Assis (Itália), no ano 1182. Depois de uma juventude leviana, converteu-se a Cristo, renunciou a todos os bens paternos e entregou-se inteiramente a Deus. Abraçou a pobreza para seguir mais perfeitamente o exemplo de Cristo, e pregava a todos o amor de Deus. Formou os seus companheiros com normas excelentes, inspiradas no Evangelho, que foram aprovadas pela Sé Apostólica. Fundou  também uma Ordem de religiosas (Clarissas) e um Ordem de Penitentes Seculares; e promoveu a pregação da fé entre os infiéis. Morreu em 1226.”  (Liturgia das Horas, IV, 1999, p. 1344)

“Francisco de Assis, homem de Deus, deixou sua casa e sua herança e se fez pobre e desvalido. O Senhor, porém, o acolheu com amor.” LD

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, que fizeste São Francisco de Assis assemelhar-se ao Cristo por uma vida de humildade e pobreza, concedei que, trilhando o mesmo caminho, sigamos fielmente o vosso Filho, unindo-nos convosco na perfeita alegria. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Primeira Leitura (Jn 1,1–2,1.11)

Início da Profecia de Jonas.

1,1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, filho de Amati, que dizia: 2“Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe que sua perversidade subiu até a minha presença”.

3Jonas pôs-se a caminho, a fim de fugir para Társis, longe da presença do Senhor; desceu a Jope e encontrou um navio com destino a Társis, adquiriu passagem e embarcou com os outros passageiros para essa cidade, para longe da presença do Senhor.

4Mas o Senhor mandou um vento violento sobre o mar, levantando uma grande tempestade, que ameaçava destruir o navio. 5Tomados de pavor, os marinheiros começaram a gritar, cada qual a seu deus, e a lançar ao mar a carga do navio para o aliviar.

Jonas havia descido ao porão do navio, deitara-se e dormia a sono solto. 6O chefe do navio foi vê-lo e disse: “Como! Tu dormes? Levanta-te e reza ao teu deus; talvez ele se lembre de nós, e não morramos”.

7Disseram entre si os marinheiros: “Vamos tirar a sorte, para saber por que nos acontece esta desgraça”. Lançaram a sorte, e esta caiu sobre Jonas. 8Disseram-lhe: “Explica-nos, por culpa de quem nos acontece esta desgraça? Qual é a tua ocupação e donde vens? Qual é a tua terra, de que povo és?” 9Ele respondeu: “Eu sou hebreu e temo o Senhor, Deus do céu, que fez o mar e a terra firme”. 10Aqueles homens ficaram possuídos de grande medo, e disseram: “Como é que fizeste tal coisa?”

Pelas palavras dele, acabavam de saber que estava fugindo da presença do Senhor. 11Disseram então: “Que faremos contigo, para acalmar o mar?” Pois o mar enfurecia-se cada vez mais.

12Respondeu Jonas: “Tomai-me e lançai-me ao mar, e o mar vos deixará em paz: eu sei que, por minha culpa, se desencadeou sobre vós esta grande borrasca”.

13Os marinheiros, à força de remar, tentavam voltar à terra, mas em vão, porque o mar cada vez mais se encapelava contra eles.

14Então invocaram o Senhor e rezaram: “Suplicamos-te, Senhor, não nos deixes morrer em paga pela vida deste homem, não faças cair sobre nós este sangue inocente; fizeste, Senhor, valer tua vontade”.

15Então, tomaram Jonas e atiraram-no ao mar; e cessou a fúria do mar. 16Invadiu esses homens um grande temor do Senhor, ofereceram-lhe sacrifícios e fizeram-lhe votos. 2,1Determinou o Senhor que um grande peixe viesse engolir Jonas; e ele ficou três dias no ventre do peixe. 11Então o Senhor fez o peixe vomitar Jonas na praia.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Responsório (Jn 2,2-8)

— Retirastes minha vida do sepulcro, ó Senhor!

— Retirastes minha vida do sepulcro, ó Senhor!

— Do fundo do abismo, do ventre do peixe, Jonas rezou ao Senhor, o seu Deus, a seguinte oração:

— Na minha angústia clamei por socorro, pedi vossa ajuda do mundo dos mortos e vós me atendestes.

— Senhor, me lançastes no seio dos mares, cercou-me a torrente, vossas ondas passaram com furor sobre mim.

— Então, eu pensei: eu fui afastado para longe de vós; nunca mais hei de ver vosso Templo sagrado.

— E quando minhas forças em mim acabavam, do Senhor me lembrei, chegando até vós a minha oração.

 

Evangelho (Lc 10,25-37)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 25um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?”

26Jesus lhe disse: “Que está escrito na Lei? Como lês?” 27Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e a teu próximo como a ti mesmo!”

28Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. 29Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?”

30Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto.

31Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado.

33Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais”.

E Jesus perguntou: 36“Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” 37Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

Reflexão

Com alegria celebramos hoje a memória de São Francisco de Assis, modelo de amor aos pobres e à pobreza. Mas o que o levou a ter esse amor tão “estranho”? Com efeito, num primeiro olhar, bastante superficial, Francisco seria um precedente (um tanto radicalizado) dos modernos filantropos, pessoas dedicadas a “fazer caridade”. Mas o que realmente o levou a amar não só os pobres, mas a mesma pobreza? O Evangelho de hoje nos ajuda a encontrar a resposta. Trata-se da parábola do bom samaritano. Nela, Jesus mostra que é Ele o bom samaritano, descido do céu para vir em nosso socorro. Estávamos desfalecidos à beira caminho, vítimas de Satanás e de nossos pecados, e Ele veio ao nosso encontro, rebaixando-se para nos levantar. É Jesus quem nos põe sobre o lombo do burrinho e nos leva até a hospedaria, isto é, a Igreja, cujos pastores devem cuidar de nós enquanto Ele está ausente.

É interessante recordar que Jesus conclui a parábola com uma pergunta ao escriba: Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?, e ouve em resposta: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então vem um comando surpreendente: Vai e faze a mesma coisa. Surpreendente, sim, porque o que Jesus nos está ensinando não é só a fazer obras de caridade, mas a fazê-las como Ele mesmo as fez — esvaziando-se de si para enriquecer a outros, rebaixando-se até nós para nos reerguer até Ele, fazendo-se pobre para nos tornar ricos. Nessas palavras há, de fato, um chamado à pobreza evangélica como meio de configurar-se a Cristo. Foi isso que moveu o coração de Francisco à santa radicalidade de amar os pobres fazendo-se ele mesmo o mais pobre de todos. Assim como o Filho de Deus se encarnou e, qual bom samaritano, permitiu-se ser desprezado pelos homens para os salvar, assim também o cristão que aspira à perfeição deve imitar o Cristo pobre e crucificado por amor a Deus e às almas: Vai e faze o mesmo

Assim fizeram todos os santos que, no decorrer da história, se dedicaram ao cuidado dos pobres, homens tão apaixonados por Cristo, que abraçaram a mesma pobreza. São Francisco não é, portanto, um modelo de filantropia, mas de caridade sobrenatural. É por isso que a imagem que dele se faz hoje em dia é tão desfigurada e distante da realidade histórica. Para muitos, Francisco foi um visionário medieval, uma espécie de revolucionário avant la lettre, consciente de que devia “optar” pelos pobres naquela sociedade “pré-capitalista” e cada vez mais aburguesada. Essa é uma leitura sociologizante, com pitadas de linguajar marxista, que transforma o Francisco real, pobre por amor a um morto na cruz, num paladino da “justiça social” por ódio ao capital nascente… Francisco amava a Cristo nos pobres, e foi por amor a Ele que abraçou a pobreza: Quando fizerdes isso a um desses pequeninos, foi a mim que o fizestes. Para ele, é Cristo quem está no centro, não o pobre como tal.

Hoje em dia, há pessoas consagradas a causas sociais por certa compaixão natural aos necessitados. Em si mesmo, não é errado buscar formas de melhorar as condições de vida dos que mais precisam; afinal, é um dever não só de caridade mas de justiça socorrer a quem precisa e guardar a reta subordinação da propriedade privada ao bem comum, mas sem perder de vista que nada disso terá valor aos olhos de Deus (e, no fundo, verdadeira eficácia), se não for animado pela caridade divina, que tudo ordena para a glória de Cristo. A nossa misericórdia para com os pobres só será verdadeira, autêntica e perfeita, se formos nós os primeiros pobres — pobres de bens, se a isso nos chama o Senhor, ou pobres de coração, ao que todos são chamados —; nossa humildade só será sincera, se tivermos descido de nossa soberba e buscarmos em tudo, até no óleo que derramamos sobre chagas, nas feridas que curamos e enfaixamos, amar a Cristo. Assim as nossas boas obras serão mais do que mero assistencialismo, mas consolação verdadeira para os pobres, fonte de méritos para nossas almas, glória para Deus e gratidão para com Nosso Senhor. Padre Paulo Ricardo, Homilia, 04 out 2021

https://padrepauloricardo.org/episodios/muitos-amam-os-pobres-quantos-amam-a-pobreza

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
onde houver discórdia, que eu leve a união;
onde houver dúvida, que eu leve a fé;
onde houver erro, que eu leve a verdade;
onde houver desespero, que eu leve a esperança;
onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

(São Francisco de Assis)

1º DE OUTUBRO – SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

“Não quero ser santa pela metade, escolho tudo.” Santa Teresinha do Menino Jesus

“Deus cercou-a de cuidados e a instruiu, guardou-a como a pupila dos seus olhos. Ele abriu suas asas como a águia e em cima dos seus ombros a levou. E só ele, o Senhor, foi o seu guia.” (Liturgia Diária).

ORAÇÃO DO DIA

“Ó Deus, que preparais o vosso reino para os pequenos e humildes, dai-nos seguir confiantes o caminho de Santa Teresinha, para que, por sua intercessão, nos seja revelada a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. LH

SOBRE SANTA TERESINHA

“A santa de hoje nasceu em Alençon (França), no dia 02 de janeiro de 1873; e morreu no dia 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos e 271 dias. Nascida em uma família de ótimas condições financeiras e temente a Deus, seus pais (Luís e Zélia) tiveram oito filhos antes da caçula, Teresa; quatro morreram com pouca idade, restando em vida as quatro irmãs da santa, que também se tornaram freiras (Maria, Paulina, Leônia e Celina). Com a autorização do Papa Leão XIII, Teresinha pode entrar no Mosteiro das Carmelitas, em Lisieux, com apenas 15 anos de idade.

À primeira vista, parece que Teresinha foi santa desde a sua infância, porém, sua história revela um caminho de amadurecimento à custa de muitos sofrimentos, como por exemplo: A perda de sua mãe quando tinha 4 anos e 8 meses, por conta do câncer; a ida de suas irmãs para o carmelo; separar-se de seu pai e vê-lo sofrer de problemas psiquiátricos; por fim, a tuberculose e outros problemas de enfermidade nos seus últimos anos de vida. Tudo isso levou essa mulher a oferecer-se em holocausto à Misericórdia Divina, dia após dia de sua vida, com muita simplicidade e pequenez.

Depois da morte de sua mãe, a menina desenvolveu uma grande sensibilidade e se achava sempre entristecida e abatida, chorava muito. Porém, aos 10 anos, ela fez uma experiência com Nossa Senhora que ficou em sua vida: “No dia 13 de maio de 1883, festa de Pentecostes, do meu leito, virei meu olhar para a imagem de Maria, e, de repente, a imagem pareceu-me bonita, tão bonita que nunca tinha visto nada semelhante. Seu rosto exalava uma bondade e ternura inefáveis, mas o que calou fundo em minha alma foi o sorriso encantador da Santíssima Virgem. Todas as minhas penas se foram naquele momento, e lágrimas escorreram de meus olhos, de pura alegria. Pensei, a Santíssima Virgem sorriu para mim, foi por causa das orações que eu tive a graça do sorriso da Rainha do Céu” (História de uma alma).

Teresinha também fez uma profunda experiência com o natal, tendo o menino Jesus como doador de uma “total conversão”, aos seus 13 anos de idade, no ano de 1883. Depois disso, sua vida foi transformada e ela começou a dar grandes passos na vida espiritual. Esse fato foi tão importante a ponto de levá-la a assumir o nome de Teresinha do Menino Jesus.

Ao entrar no Carmelo, dedicou-se a rezar pela conversão das almas e pelos sacerdotes. Porém, trazia em seu coração o grande desejo de ser missionária, queria anunciar o evangelho aos cinco continentes do mundo. Até que descobriu no amor um caminho de perfeição: “no coração da Igreja, serei o amor. Assim, serei tudo, e nada impossibilitará meu sonho de tornar-se realidade” (História de uma alma). Logo após a sua morte, seria colocada como padroeira universal das missões católicas pelo Papa Pio XI.

Através do amor, desenvolveu a infância espiritual ou pequena via. Essa consiste na extrema confiança em um Deus que é Pai, o que foi consequência do seu relacionamento com seu pai Luís. Ele levou sua filha a olhar a Deus como um pai bondoso, amoroso e misericordioso. Por isso, pôde confiar e se lançar sem reservas nos braços d’Aquele que a leva como um elevador através de sua graça. Esse relacionamento filial gerou um transbordar de caridade, generosidade e gratuidade, por parte da santa que desembocou na vivência com suas irmãs religiosas. Em sua extrema humildade, acreditava que o caminho era ser como criança diante de Deus, assim buscava sempre rebaixar-se na vida fraterna e amar sem reservas. Tudo isso, levou-a a renovar a espiritualidade carmelita de João da Cruz (Doutor do “tudo ou nada”), vendo nessa caridade gratuita o caminho perfeito. “No crepúsculo desta vida aparecerei diante de vós (Deus) com as mãos vazias” (História de uma alma), ou seja, nem apresentar méritos ou obras, simplesmente confiando no amor gratuito de Deus, que é Pai e nos salva (Cf. 1 Jo 4, 17). Essa experiência fez com que o Papa João Paulo II a proclamasse doutora da Igreja, no dia 19 de outubro de 1997.

Em seu leito de morte, com apenas 24 anos, disse suas últimas palavras: “Oh!…amo-O. Deus meu,…amo-Vos!”. Após a sua morte, aconteceu a publicação de seus escritos que se tornaram mundialmente reconhecidos. Assim realizou a sua promessa de espalhar uma chuva de rosas, de milagres e de graças de todo o gênero. Sua beatificação aconteceu em 1923; e foi canonizada por Pio XI em 1925, que a chamava de “uma palavra de Deus”.

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, rogai por nós!

Oração:

Meu Deus, ofereço-vos todas as ações que farei hoje, nas intenções e para a glória do Sagrado Coração de Jesus. Quero santificar as batidas do meu coração, meus pensamentos e obras mais simples, unindo-os aos seus méritos infinitos, e reparar minhas faltas, lançando-as na Fornalha de seu Amor Misericordioso. Oh, meu Deus! Peço-vos para mim e para aqueles que me são caros a graça de cumprir perfeitamente vossa santa vontade, de aceitar por vosso amor as alegrias e as penas desta vida passageira, para que estejamos um dia reunidos no Céu, por toda a eternidade. Assim seja.” (Obras completas de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face, Oração 10).

Referências:

Vatican News
Livro: “História de uma alma” – Santa Teresinha
Livro: “De mãos vazias” – Conrado de Meester

 

REFLEXÃO 

“Se não vos converterdes e vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus” (Mt 18,3): este é o ideal evangélico que a Igreja repropõe a seus filhos como exemplo vivo desta jovem santa. (…) Teresa Martin obteve de Leão XIII a licença de entrar no Carmelo de Lisieux aos quinze anos. Os nove anos que lá passou foram de extraordinária intensidade espiritual  Escreveu por obediência suas experiências interiores, fundidas depois por sua irmã Celina na História de uma alma, que teve excepcional acolhida. Sua “pequena via da infância espiritual” tem em si um poder de doação sem limites: “Nunca recusei coisa alguma ao bom Deus!”; mostra a força do amor de Deus no coração da Igreja, no qual descobrira sua “vocação”. Seus manuscritos, publicados agora em sua integridade original, apresentam-na ainda maior, numa admirável simplicidade de vida. Mestra de noviças por alguns anos, tornou-se para todos mestra de vida espiritual autêntica, segundo o espírito das bem-aventuranças. Levou-a Deus pela mão à total oferta de si mesma no amor para salvação do mundo. Pio XI declarou-a padroeira principal de todas as missões. (Missal Cotidiano, Paulus, 1985, p. 1756)

13 DE MAIO – NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

“Os discípulos unidos perseveravam em Oração com Maria, a mãe de Jesus.” (At 1,14)

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, que vos dignastes alegrar o mundo com a ressurreição do vosso Filho, concedei-nos por sua mãe a Virgem Maria, o júbilo da vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leituras da liturgia eucarística: Is 61,9-11

Leitura do Livro do Profeta Isaías.

9A descendência do meu povo será conhecida entre as nações, e seus filhos se fixarão no meio dos povos; quem os vir há de reconhecê-los como descendentes abençoados por Deus.

10Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa, ou uma noiva com suas joias. 11Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações.

Salmo 44 (45)

=2Transborda um poema do meu coração; †

vou cantar-vos, ó Rei, esta minha canção; *

minha língua é qual pena de um ágil escriba.

=3Sois tão belo, o mais belo entre os filhos dos homens! †

Vossos lábios espalham a graça, o encanto, *

porque Deus, para sempre, vos deu sua bênção.

4Levai vossa espada de glória no flanco, *

herói valoroso, no vosso esplendor;

5saí para a luta no carro de guerra *

em defesa da fé, da justiça e verdade!

= Vossa mão vos ensine valentes proezas, †

6vossas flechas agudas abatam os povos *

e firam no seu coração o inimigo!

=7Voso trono, ó Deus, é eterno, é sem fim; †

vosso cetro real é sinal de justiça: *

8Vós amais a justiça e odiais a maldade.

= É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, †

deu-vos mais alegria que aos vossos amigos. *

9Vossas vestes exalam preciosos perfumes.

– De ebúrneos palácios os sons vos deleitam. *

10 As filhas de reis vêm ao vosso encontro,

– e à vossa direita se encontra a rainha *

com veste esplendente de ouro de Ofir.

11 Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: *

“Esquecei vosso povo e a casa paterna!

12 Que o Rei se encante com vossa beleza! *

Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!

13 O povo de Tiro vos traz seus presentes, *

os grandes do povo vos pedem favores.

14 Majestosa, a princesa real vem chegando, *

vestida de ricos brocados de ouro.

15 Em vestes vistosas ao Rei se dirige, *

e as virgens amigas lhe formam cortejo;

16 entre cantos de festa e com grande alegria, *

ingressam, então, no palácio real”.

17 Deixareis vossos pais, mas tereis muitos filhos; *

fareis deles os reis soberanos da terra.

18 Cantarei vosso nome de idade em idade, *

para sempre haverão de louvar-vos os povos!

 

Evangelho (Lc 11,27-28)

Naquele tempo, 27enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”. 28Jesus respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.

REFLEXÃO

“Queridos peregrinos,

«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9). Assim começava a primeira leitura desta Eucaristia, cujas palavras encontram uma realização admirável nesta devota assembleia aos pés de Nossa Senhora de Fátima. Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima, a esta «casa» que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna proteção. Vim a Fátima, porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação. Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia, vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que «amo», de que a Igreja, de que os sacerdotes «amam» Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à proteção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.

São a linhagem que o Senhor abençoou… Linhagem que o Senhor abençoou és tu, amada diocese de Leiria-Fátima, com o teu Pastor Dom António Marto, a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário. Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa. Idealmente abraço todas as dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos, e confio ao Céu todos os povos e nações da terra. Em Deus, estreito ao coração todos os seus filhos e filhas, especialmente quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde no meu coração e que, em Fátima, se faz encontrar mais sensivelmente. A nossa grande esperança lance raízes na vida de cada um de vós, amados peregrinos aqui presentes, e de quantos estão em comunhão connosco através dos meios de comunicação social.

Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está connosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo. Tendo experimentado a misericórdia e consolação de Deus que não o abandonara no fatigante caminho do regresso do exílio de Babilônia, o povo de Deus exclama: «Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus» (Is61, 10). Filha excelsa deste povo é a Virgem Mãe de Nazaré, a qual, revestida de graça e docemente surpreendida com a gestação de Deus que se estava operando no seu seio, faz igualmente sua esta alegria e esta esperança no cântico do Magnificat: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador». Entretanto não se vê como privilegiada no meio de um povo estéril, antes profetiza-lhe as doces alegrias duma prodigiosa maternidade de Deus, porque «a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem» (Lc 1, 47.50).

Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora «vinda do Céu», como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana. Uma experiência de graça que os tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: «Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo». E o Francisco dizia: «Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 40 e 127).

Irmãos, ao ouvir estes inocentes e profundos desabafos místicos dos Pastorinhos, poderia alguém olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignação de quem não teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: «Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?» (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: «Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Card. Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior.

Mais ainda, aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. E o entusiasmo que a sua sabedoria e poder salvífico suscitavam nas pessoas de então era tal que uma mulher do meio da multidão – como ouvimos no Evangelho – exclama: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Contudo Jesus observou: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo.

«A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou» (Is 61, 9) com uma esperança inabalável e que frutifica num amor que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros; antes – como ouvimos na segunda leitura – «tudo desculpa, tudo acredita, tudo espera, tudo suporta» (1 Cor 13, 7). Exemplo e estímulo são os Pastorinhos, que fizeram da sua vida uma doação a Deus e uma partilha com os outros por amor de Deus. Nossa Senhora ajudou-os a abrir o coração à universalidade do amor. De modo particular, a beata Jacinta mostrava-se incansável na partilha com os pobres e no sacrifício pela conversão dos pecadores. Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz.

Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: «Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).

Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima.” (Homilia do Papa Bento XVI, Esplanada do Santuário de Fátima, 13 de Maio de 2010)