ORAÇÕES A NOSSA SENHORA DA APRESENTAÇÃO

apresentação de Maria no templo (2)

I

Minha boa Mãe do Céu, Nossa Senhora da Apresentação que, aos três anos subistes as escadarias do Templo para vos consagrardes inteiramente a Deus, praticando assim o ato de religião o mais agradável ao Senhor, seja-vos também agradável, a nossa homenagem, a nossa consagração. Consagrastes ao Senhor, ó Rainha do Céu, o vosso espírito e vosso coração, em flor de infância, o vosso corpo e todas as potências do vosso ser pelo sacrifício total,  o mais generoso e desinteressado, pela mais solene imolação que o mundo já viu, antes da imolação do Calvário. Nós, aqui na terra de exílio, unimos aos espíritos celestes que assistiram a esta augura cerimônia que é como prelúdio de todas as vossas festas e com eles e todos os santos  cantamos as glórias da vossa Apresentação beneditíssima. Amém!

II

Ó amada de Deus, amabilíssima menina Maria, quem me dera consagrar-vos hoje os primeiros anos de minha vida, para dedicar-me totalmente a servir-vos, santa e dulcíssima Senhora minha, assim como vos apresentastes no templo e bem cedo vos consagrastes totalmente à glória e ao amor de vosso Deus!…

Eis, ó Maria, que hoje me apresento a vós e totalmente me ofereço ao vosso serviço, durante aquele pouco ou muito tempo que me resta viver nesta terra. A vosso exemplo renuncio a todas as criaturas e me dedico totalmente ao amor de meu Criador. Consagro-vos, pois, ó Rainha, minha mente, para pensar sempre no amor que mereceis; minha língua, para vos louvar, meu coração para vos amar. Aceitai, ó Santíssima Virgem, a oferta que vos apresenta este miserável pecador; aceitai-a, vos suplico, por aquela consolação que sentiu vosso coração quando no templo vos destes a Deus…

Ó Mãe de misericórdia, ajudai, com vossa poderosa intercessão, minha fraqueza! Alcançai-me de vosso Jesus a perseverança, e a força para vos ser fiel até a morte. Servindo-vos sempre nesta vida, possa ir louvar-vos eternamente no Paraíso. (Sto. Afonso, As glórias de Maria, II, 1,3, pp. 601-602)

 

III

Ó Maria, encontrastes junto de Deus uma graça tal que jamais pode perecer! Graças superior a todas as outras graças! Que merece ser procurada com todos os votos!… Graça que jamais acaba! Graça que vos salva, que jamais abalará ataque algum! Graça sempre vitoriosa. Encontraste junto de Deus graça para sempre. Certamente também outros, muitos outros refulgiam antes de vós por eminente santidade. Mas a nenhum foi dada, como a vós, a plenitude da graça! Ninguém, como vós, foi elevado a tal magnificência! Ninguém foi, como vós, prevenido pela graça que purifica! Ninguém jamais refulgiu de tanta luz celeste! Ninguém, como vós, foi exaltado acima de toda grandeza…

Por isso, voltando-me para vós, exclamei e exclamarei com todo ardor: “Ave, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entres as mulheres”. (São Sofrônio de Jerusalém, In Deiparae Annuntiationem 25-26)

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

“Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face”. Sl 104,3s

 

ORAÇÃO DO DIA

Deus eterno e todo-poderoso aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis . Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

Leituras da Liturgia Eucarística: Êx 22,20-26; Sl 17; 1Ts 1,5c-10; Mt 22,34-40

EVANGELHO: Mt 22,34-40

Naquele tempo, os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”

Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

 

REFLEXÃO

“Amados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje recorda-nos que toda a Lei divina se resume no amor a Deus e ao próximo. O Evangelista Mateus narra que alguns fariseus concordaram em pôr Jesus à prova (cf. 22, 34-35). Um deles, um doutor da lei, dirige-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, qual é o maior mandamento da lei?» (v. 36). Citando o Livro do Deuteronômio, Jesus responde: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, toda a tua alma e todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento» (vv. 37-38). E teria podido parar aqui. Ao contrário, Jesus acrescenta algo que não tinha sido questionado pelo doutor da lei. Com efeito, diz: «E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo» (v. 39). Também Jesus não inventa este segundo mandamento, mas tira-o do Livro do Levítico. A sua novidade consiste precisamente em unir estes dois mandamentos — o amor a Deus e o amor ao próximo — revelando que eles são inseparáveis e complementares, constituem os dois lados de uma mesma medalha. Não se pode amar a Deus sem amar o próximo, e não se pode amar o próximo sem amar a Deus. A este propósito, o Papa Bento XVI deixou-nos um comentário muito bonito na sua primeira Encíclica, Deus caritas est (nn. 16-18).

Com efeito, o sinal visível que o cristão pode manifestar para testemunhar o amor de Deus ao mundo, aos outros e à sua família é o amor pelos irmãos. O mandamento do amor a Deus e ao próximo é o primeiro, mas não porque está no início do elenco dos mandamentos. Jesus não o coloca no vértice, mas no centro, porque é o coração do qual tudo deve começar, para o qual tudo deve voltar e ao qual tudo deve fazer referência.

Já no Antigo Testamento a exigência de ser santo, à imagem de Deus que é Santo, incluía também o dever de cuidar das pessoas mais frágeis, como o estrangeiro, o órfão e a viúva (cf. Êx 22, 20-26). Jesus cumpre esta lei de aliança, Ele que resume em Si mesmo, na sua carne, a divindade e a humanidade, num único mistério de amor.

À luz desta palavra de Jesus, o amor já é a medida da fé, e a fé constitui a alma do amor. Não podemos mais separar a vida religiosa, a existência de piedade do serviço aos irmãos, àqueles irmãos concretos com os quais nos encontramos. Já não podemos dividir a oração, o encontro com Deus nos Sacramentos, da escuta do outro e da proximidade à sua vida, de forma especial às suas feridas. Recordai-vos disto: o amor é a medida da fé! E tu, quanto amas? Cada um responda pessoalmente. Como é a tua fé? A minha fé é como eu amo. E a fé é a alma do amor.

No meio da densa selva de preceitos e prescrições — dos legalismos de ontem e de hoje — Jesus faz uma abertura que permite vislumbrar dois semblantes: o rosto do Pai e a face do irmão. Não nos confia duas fórmulas ou preceitos: não se trata de preceitos e fórmulas; Ele confia-nos dois semblantes, aliás, um único rosto, o rosto de Deus que se reflecte em numerosos outros rostos, porque na face de cada irmão, especialmente do mais pequenino, frágil, indefeso e necessitado está presente a imagem do próprio Deus. E deveríamos interrogar-nos, quando encontramos um destes irmãos, se somos capazes de reconhecer nele o rosto de Deus: somos capazes disto?

Deste modo, Jesus oferece a cada homem o critério fundamental sobre o qual devemos delinear a nossa própria vida. Mas, sobretudo, Ele concedeu-nos o Espírito Santo, que nos permite amar a Deus e o próximo como Ele, com o coração livre e generoso. Por intercessão de Maria, nossa Mãe, abramo-nos ao acolhimento desta dádiva do amor, para caminhar sempre nesta lei dos dois semblantes, que constituem um só: a lei do amor.” (Papa Francisco, Ângelus, 26 de outubro de 2014)

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

“Senhor, se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir? Mas em vós encontra-se o perdão, Deus de Israel.”

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça, para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da liturgia eucarística: Is 25,6-10ª; Sl 22; Fl 4,12-14.19-20; Mt 22,1-14

 

EVANGELHO: Mt 22,1-14

Naquele tempo, Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: “O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir.

O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’

Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram.

O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. Portanto, ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’.

Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu.

Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes’. Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.

 

REFELXÃO

“Amados irmãos e irmãs, bom dia!

No Evangelho deste domingo, Jesus fala-nos da resposta que se dá ao convite de Deus — representado por um rei — para participar num banquete de núpcias (cf. Mt 22, 1-14). O convite tem três características: a gratuidade, a generosidade, a universalidade. Os convidados são muitos, mas verifica-se algo surpreendente: nenhum dos escolhidos aceita participar na festa, dizendo que têm outras coisas para fazer; aliás, alguns demonstram indiferença, estraneidade e até incómodo. Deus é bom para conosco, oferece-nos gratuitamente a sua amizade, concede-nos gratuitamente a sua alegria, a salvação, mas muitas vezes não recebemos os seus dons, colocando em primeiro lugar as nossas preocupações materiais, os nossos interesses, e também quando o Senhor nos chama, muitas vezes parece que nos incomoda.

Alguns dos convidados até maltratam e chegam a matar os servos que comunicam o convite. Mas não obstante a falta de adesões da parte dos convidados, o plano de Deus não se interrompe. Diante da rejeição dos primeiros convidados, Ele não desanima, não suspende a festa, mas volta a propor o convite, ampliando-o para além de qualquer limite racional, e manda os seus empregados às praças e às encruzilhadas das estradas para reunir todos aqueles que encontram. Trata-se de pessoas simples, pobres, abandonadas e deserdadas, bons e maus — inclusive os maus são convidados — sem qualquer distinção. E a sala enche-se de «excluídos». Rejeitado por alguns, o Evangelho recebe o acolhimento inesperado em muitos outros corações.

A bondade de Deus não conhece confins e não discrimina ninguém: por isso, a festa dos dons do Senhor é universal para todos! A todos é oferecida a possibilidade de responder ao seu convite, ao seu chamamento; ninguém tem o direito de se sentir privilegiado, nem de reivindicar uma exclusividade. Tudo isto nos induz a vencer o hábito de nos inserirmos comodamente no centro, como faziam os chefes dos sacerdotes e os fariseus. Isto não se deve fazer; nós devemos abrir-nos às periferias, reconhecendo que até quantos estão nas margens, também aquele que é rejeitado e desprezado pela sociedade, constitui objecto da generosidade de Deus. Todos nós somos chamados a não reduzir o Reino de Deus aos confins da «igrejinha» — a nossa «igrejinha» — mas a dilatar a Igreja às dimensões do Reino de Deus. Só há uma condição: revestir-se com o hábito nupcial, ou seja, dar testemunho da caridade para com Deus e com o próximo.

Confiemos à intercessão de Maria Santíssima os dramas e as esperanças de tantos nossos irmãos e irmãs, excluídos, frágeis, rejeitados e desprezados, inclusive aqueles que são perseguidos por causa da fé, e invoquemos a sua salvaguarda também sobre os trabalhos do Sínodo dos bispos, congregado nestes dias no Vaticano.” (Papa Francisco, 12 de outubro de 2014)