SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam o cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus.” MD

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, que hoje nos concedeis a alegria de festejar São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes Apóstolos que nos deram as primícias da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

 

Leituras da Liturgia Eucarística: At 12,1-11; Sl 33; 2Tm 4,6-8.17-18; Mt 10,37-42

Primeira Leitura (At 12,1-11)

Leitura dos Atos dos Apóstolos:

Naqueles dias, 1o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. 3E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos.

4“Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa.

5Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele.

6Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão.

7Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos.

8O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!”

9Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão.

10Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. 11Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”

Responsório (Sl 33)

— De todos os temores/ me livrou o Senhor Deus.

— De todos os temores/ me livrou o Senhor Deus.

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ Seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ Que ouçam os humildes e se alegrem!

— Comigo engrandecei ao Senhor Deus,/ Exaltemos todos juntos o seu nome!/ Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,/ E de todos os temores me livrou.

— Contemplai a sua face e alegrai-vos,/ E vosso rosto não se cubra de vergonha!/ Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,/ E o Senhor o libertou de toda angústia.

— O anjo do Senhor vem acampar/ Ao redor dos que o temem, e os salva./ Provai e vede quão suave é o Senhor!/ Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

Segunda Leitura (2Tm 4,6-8.17-18)

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:

Caríssimo: 6Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.

17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão.

18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.

Evangelho (Mt 16,13-19)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

REFLEXÃO

“Queridos irmãos e irmãs!

Hoje é a festa solene dos Santos Pedro e Paulo. De modo especial, é a festa da Igreja de Roma, fundada sobre o martírio destes dois Apóstolos. Mas é também uma grande festa para a Igreja universal, porque todo o Povo de Deus deve a eles o dom da fé. Pedro foi o primeiro que confessou que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. Paulo difundiu este anúncio no mundo greco-romano. E a Providência quis que os dois viessem a Roma e aqui derramassem o sangue pela fé. Por isso a Igreja de Roma tornou-se, imediata e espontaneamente, o ponto de referência para todas as Igrejas espalhadas no mundo. Não pelo poder do Império mas pela força do martírio, pelo testemunho dado a Cristo! No fundo, é sempre e só o amor de Cristo que gera a fé e faz com que a Igreja vá em frente.

Pensemos em Pedro. Quando confessou a sua fé em Jesus, não o fez pelas suas capacidades humanas, mas porque tinha sido conquistado pela graça que Jesus transmitia, pelo amor que sentia nas suas palavras e via nos seus gestos: Jesus era o amor de Deus em pessoa!

E o mesmo aconteceu a Paulo, embora de maneira diferente. Quando jovem, Paulo era inimigo dos cristãos, mas quando Cristo Ressuscitado o chamou no caminho de Damasco a sua vida foi transformada: compreendeu que Jesus não tinha morrido, mas estava vivo, e também o amava, a ele que era seu inimigo! Eis a experiência da misericórdia, do perdão de Deus em Jesus Cristo: esta é a Boa Nova, o Evangelho que Pedro e Paulo experimentaram em si mesmos e pelo qual deram a vida. Misericórdia, perdão! O Senhor perdoa-nos sempre, tem misericórdia, é misericordioso, tem um coração misericordioso e espera-nos sempre.

Queridos irmãos, que alegria é crer num Deus que é totalmente amor e graça! Esta é a fé que Pedro e Paulo receberam de Cristo e transmitiram à Igreja. Louvemos o Senhor por estas duas testemunhas gloriosas, e como eles, deixemo-nos conquistar por Cristo, pela sua misericórdia.

Recordemos também que Simão Pedro tinha um irmão, André, que partilhou com ele a experiência da fé em Jesus. Aliás, André encontrou Jesus antes de Simão, e imediatamente falou sobre ele ao irmão, levando-o até Jesus. Apraz-me recordá-lo hoje porque, segundo uma bonita tradição, está presente em Roma a Delegação do Patriarcado de Constantinopla, que tem como Padroeiro exatamente o Apóstolo André. Todos juntos, transmitamos a nossa saudação cordial ao Patriarca Bartolomeu I e rezemos por ele e pela sua Igreja. Convido-vos a rezar uma Ave-Maria pelo patriarca Bartolomeu I, todos juntos: Ave Maria…

Rezemos também pelos Arcebispos Metropolitanos de diversas Igrejas do mundo, que acabaram de receber o Pálio, símbolo de comunhão e de unidade.

Que nos acompanhe e nos ampare a nossa Mãe amada, Maria Santíssima.”  (Papa Francisco, Angelus, 29 de junho de 2013)

REFELXÃO

Queridos Irmãos e Irmãs!

A festa dos santos Apóstolos Pedro e Paulo é ao mesmo tempo uma grata memória das grandes testemunhas de Jesus Cristo e uma solene confissão em favor da Igreja una, santa, católica e apostólica. É antes de tudo uma festa da catolicidade. É sinal do Pentecostes a nova comunidade que fala em todas as línguas e une todos os povos num único povo, numa família de Deus e este sinal tornou-se realidade. A nossa assembleia litúrgica, na qual estão reunidos Bispos provenientes de todas as partes do mundo, pessoas de numerosas culturas e nações, é uma imagem da família da Igreja distribuída sobre toda a terra. Estrangeiros tornaram-se amigos; não obstante todos os confins, reconhecemo-nos irmãos. Com isto é levada a cabo a missão de São Paulo, que sabia “ser para os gentios um ministro de Cristo Jesus, que administra o Evangelho de Deus como um sacerdote, a fim de que a oferenda dos gentios, santificada pelo Espírito Santo, lhe seja agradável” (Rm 15, 16). A finalidade da missão é uma humanidade que se tornou uma glorificação viva de Deus, o culto verdadeiro que Deus espera: eis o sentido mais profundo da catolicidade uma catolicidade que já nos foi doada e para a qual, contudo, nos devemos encaminhar sempre de novo. A catolicidade exprime só uma dimensão horizontal, a reunião de muitas pessoas na unidade; exprime também uma dimensão vertical: só dirigindo o olhar para Deus, só abrindo-nos a Ele nos podemos tornar verdadeiramente uma coisa só. Como Paulo, assim também Pedro veio a Roma, à cidade que era o lugar de convergência de todos os povos e que por isso podia tornar-se antes de qualquer outra, a expressão da universalidade do Evangelho. Empreendendo a viagem de Jerusalém para Roma, certamente ele sabia que era guiado pelas vozes dos profetas, da fé e da oração de Israel. De facto, faz parte também do anúncio da Antiga Aliança a missão a todo o mundo: o povo de Israel estava destinado a ser luz para os povos. O grande salmo da Paixão, o salmo 21, cujo primeiro versículo “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Jesus pronunciou na cruz, este salmo terminava com a visão: “Hão-de lembrar-se do Senhor e voltar-se para Ele todos os confins da terra; hão-de prostrar-se diante dele todos os povos e nações” (Sl 21, 28). Quando Pedro e Paulo vieram a Roma o Senhor, que iniciara aquele Salmo na cruz, tinha ressuscitado; esta vitória de Deus devia ser agora anunciada a todos os povos, cumprindo assim a promessa com a qual o salmo se concluía.

Catolicidade significa universalidade multiplicidade que se torna unidade; unidade que permanece contudo multiplicidade. Da palavra de Paulo sobre a universalidade da Igreja já vimos que faz parte desta unidade a capacidade que os povos têm de se superar a si mesmos, para olhar para o único Deus. O verdadeiro fundador da teologia católica, Santo Ireneu de Lião, no século II, expressou este vínculo entre catolicidade e unidade de maneira muito bonita, e cito-o. Diz: “A Igreja espalhada em todo o mundo conserva esta doutrina e esta fé com diligência, formando quase uma única família: a mesma fé com uma só alma e um só coração, a mesma pregação, ensinamento, tradição como se tivesse uma só boca. São diversas as línguas segundo as religiões, mas a força da tradição é única e a mesma. As Igrejas da Alemanha não têm uma fé ou tradição diversas, nem as da Espanha, da Gália, do Egipto, da Líbia, do Oriente, nem as do centro da terra; como o sol criatura de Deus é um só e idêntico em todo o mundo, assim a luz da verdadeira pregação resplandece em toda a parte e ilumina os homens que desejam chegar ao conhecimento da verdade” (Adv. haer. I 10, 2). A unidade dos homens na sua multiplicidade tornou-se possível porque Deus, este único Deus do céu e da terra, se mostrou a nós; porque a verdade fundamental sobre a nossa vida, sobre o nosso “de onde?”, se tornou visível quando Ele se mostrou a nós e em Jesus Cristo nos mostrou o seu rosto, a si mesmo. Esta verdade sobre a essência do nosso ser, sobre o nosso viver e o nosso morrer, verdade que de Deus se tornou visível, une-nos e faz de nós irmãos. Catolicidade e unidade caminham juntas. E a unidade tem um conteúdo: a fé que os Apóstolos nos transmitiram da parte de Cristo.

Sinto-me feliz porque ontem na festa de santo Ireneu e vigília da solenidade dos santos Pedro e Paulo pude entregar à Igreja uma nova guia para a transmissão da fé, que nos ajuda a conhecer melhor e depois também a viver melhor a fé que nos une: o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. O que no grande Catecismo, mediante os testemunhos dos santos de todos os séculos e com as reflexões maduradas na teologia, é apresentado em pormenor, é recapitulado neste livro, nos seus conteúdos fundamentais, que depois devem ser interpretados na linguagem quotidiana e concretizados sempre de novo. O livro estrutura-se como diálogo de perguntas e respostas; quatorze imagens associadas aos vários campos da fé convidam à contemplação e à meditação. Resumem por assim dizer de modo visível o que a palavra desenvolve nos pormenores. No início está um ícone de Cristo do século VI, que se encontra no monte Athos e representa Cristo na sua dignidade de Senhor da terra, mas ao mesmo tempo, como arauto do Evangelho, que tem nas mãos. “Eu sou aquele que sou” este misterioso nome de Deus proposto na Antiga Aliança está ali representado como o seu próprio nome: tudo o que existe vem d’Ele; Ele é a fonte originária de todos os seres. E por isso é único, também está sempre presente, está sempre perto de nós e ao mesmo tempo precede-nos sempre: como “indicador” no caminho da nossa vida, aliás, sendo Ele mesmo o caminho. Não se pode ler este livro como se lê um romance. É preciso meditá-lo com calma em cada uma das suas partes e permitir que o seu conteúdo, mediante as imagens, penetre na alma. Espero que seja acolhido desta forma e se possa tornar uma boa guia na transmissão da fé.

Dissemos que catolicidade da Igreja e unidade da Igreja caminham juntas. O facto que ambas as dimensões se tornem visíveis a nós nas figuras dos santos Apóstolos indica-nos já a característica sucessiva da Igreja: ela é apostólica. O que significa? O Senhor instituiu doze Apóstolos, assim como doze eram os filhos de Jacob, indicando-os como arquétipos do povo de Deus que, tendo-se já tornado universal, daquele momento em diante abrange todos os povos. São Marcos diz-nos que Jesus chamou os Apóstolos para que “andassem com Ele e também para os enviar” (Mc 3, 14). Parece quase uma contradição. Nós diríamos: ou estão com Ele ou são enviados e põem-se a caminho. Há uma palavra do Santo Papa Gregório Magno sobre os anjos, que nos ajuda a desfazer tal contradição. Ele diz que os anjos são sempre enviados e ao mesmo tempo estão sempre diante de Deus, e continua: “Onde quer que sejam enviados, onde quer que vão, caminham sempre no seio de Deus” (Homilia 34, 13). O Apocalipse qualificou os Bispos como “anjos” da sua Igreja, e por conseguinte, podemos fazer esta aplicação: os Apóstolos e os seus sucessores deveriam estar sempre com o Senhor e precisamente assim onde quer que vão estar sempre em comunhão com Ele e viver desta comunhão.

A Igreja é apostólica, porque confessa a fé dos Apóstolos e procura vivê-la. Existe uma unicidade que caracteriza os Doze chamados pelo Senhor, mas existe ao mesmo tempo uma continuidade na missão apostólica. São Pedro na sua primeira carta qualificou-se como “copresbítero” com os presbíteros aos quais escreve (5, 1). E com isto expressou o princípio da sucessão apostólica: o mesmo ministério que ele tinha recebido do Senhor continua agora na Igreja graças à ordenação sacerdotal. A Palavra de Deus não está só escrita mas, graças às testemunhas que o Senhor, no sacramento, inseriu no ministério apostólico, permanece palavra viva. Assim me dirijo agora a vós, queridos irmãos Bispos. Saúdo-vos com afeto, juntamente com os vossos familiares e com os peregrinos das respectivas Dioceses. Estais para receber o pálio das mãos do Sucessor de Pedro. Fizemo-lo abençoar, como pelo próprio Pedro, pondo-o ao lado do seu túmulo. Agora ele é expressão da nossa responsabilidade comum diante do “supremo pastor”, Jesus Cristo, do qual fala Pedro (1 Pd 5, 4). O pálio é a expressão da nossa missão apostólica. É expressão da nossa comunhão, que no ministério petrino tem a sua garantia visível. Com a unidade, assim como com a apostolicidade, está relacionado o serviço petrino, que reúne visivelmente a Igreja de todas as partes e de todos os tempos, impedindo assim que todos nós escorreguemos para falsas autonomias, que muito facilmente se transformam em particularismos da Igreja e podem comprometer a sua independência. Com isto não queremos esquecer que o sentido de todas as funções e ministérios no fundo é que “cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo”, para que cresça o corpo de Cristo “para se construir a si próprio no amor” (Ef 4, 13.16).

Nesta perspectiva saúdo de coração e com gratidão a delegação da Igreja ortodoxa de Constantinopla, que é enviada pelo Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, ao qual dirijo um pensamento cordial. Guiada pelo Metropolita Ioannis, veio a esta nossa festa e participa na nossa celebração. Mesmo se ainda não concordamos sobre a questão da interpretação e do alcance do ministério petrino, estamos contudo unidos na sucessão apostólica, estamos profundamente unidos uns aos outros pelo ministério episcopal e pelo sacramento do sacerdócio e confessamos juntos a fé dos Apóstolos como nos é dada nas Escrituras e como é interpretada nos grandes Concílios. Neste momento do mundo cheio de cepticismo e de dúvidas, mas também rico de desejo de Deus, reconhecemos novamente a nossa missão comum de testemunhar juntos Cristo Senhor e, com base naquela unidade que já nos é dada, ajudar o mundo para que creia. E suplicamos ao Senhor com todo o coração para que nos guie à unidade plena de forma que o esplendor da verdade, a única que pode criar a unidade, se torne de novo visível no mundo.

O Evangelho deste dia fala-nos da confissão de São Pedro que deu origem ao início da Igreja: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo” (Mt 16, 16). Tendo falado hoje da Igreja una, católica e apostólica, mas ainda não da Igreja santa, desejamos recordar neste momento outra confissão de Pedro pronunciada em nome dos Doze no momento do grande abandono: “Por isso nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus” (Jo 6, 69). O que isto significa? Jesus, na grande oração sacerdotal, diz que se santifica pelos discípulos, fazendo alusão ao sacrifício da sua morte (Jo 17, 19). Com isto Jesus exprime implicitamente a sua função de verdadeiro Sumo Sacerdote que realiza o mistério do “Dia da Reconciliação”, não apenas nos ritos substitutivos, mas na concretização do seu próprio Corpo e Sangue. A palavra “o Santo de Deus” no Antigo Testamento indicava Aarão como Sumo Sacerdote que tinha a tarefa de realizar a santificação de Israel (Sl 105, 16; cf. Sr 45, 6). A confissão de Pedro em favor de Cristo, que ele declara o Santo de Deus, está no contexto do discurso eucarístico, no qual Jesus anuncia o grande Dia da Reconciliação mediante a oferenda de si mesmo em sacrifício: “O pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo” (Jo 6, 51). Assim, no quadro desta confissão, encontra-se o mistério sacerdotal de Jesus, o seu sacrifício por todos nós. A Igreja não é santa por si só; consiste de facto de pecadores todos nós o sabemos e vemos. Mas ela é sempre de novo santificada pelo Santo de Deus, pelo amor purificador de Cristo. Deus não falou apenas: amou-nos de modo muito realista, amou-nos até à morte do próprio Filho. É precisamente disto que se nos mostra toda a grandeza da revelação que quase inscreveu no coração do próprio Deus as feridas. Então, cada um de nós pode dizer pessoalmente com São Paulo: “Vivo na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2, 20). Peçamos ao Senhor para que a verdade desta palavra se imprima profundamente, com a sua alegria e responsabilidade, no nosso coração; rezemos para que irradiando-se da Celebração eucarística, ela se torne cada vez mais a força que plasma a nossa vida. (Homilia do Papa Bento XVI na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, 29 de junho de 2005)

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

Povos todos, aplaudi e aclamai a Deus com brados de alegria (Sl 46,2)

Oração do dia

Ó Deus, pela vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da vossa verdade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura (Sb 1,13-15;2,23-24)

Leitura do Livro da Sabedoria:

13Deus não fez a morte, nem tem prazer com a destruição dos vivos. 14Ele criou todas as coisas para existirem, e as criaturas do mundo são saudáveis: nelas não há nenhum veneno de morte, nem é a morte que reina sobre a terra: 15pois a justiça é imortal.

2,23Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza; 24foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na os que a ele pertencem.

Salmo Responsorial (Sl 29)

— Eu vos exalto, ó Senhor,/ pois me livrastes/ e preservastes minha vida da morte!

— Eu vos exalto, ó Senhor,/ pois me livrastes/ e preservastes minha vida da morte!

— Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes,/ e não deixastes rir de mim meus inimigos!/ Vós tirastes minha alma dos abismos/ e me salvastes,/ quando estava já morrendo!

— Cantai salmos ao Senhor, povo fiel,/ dai-lhe graças e invocai seu santo nome!/ Pois sua ira dura apenas um momento,/ mas sua bondade permanece a vida inteira;/ se à tarde vem o pranto visitar-nos,/ de manhã vem saudar-nos a alegria.

— Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade!/ Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!/ Transformastes o meu pranto em uma festa,/ Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

Segunda Leitura (2Cor 8,7.9.13-15)

Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 7Como tendes tudo em abundância – fé, eloquência, ciência, zelo para tudo, e a caridade de que vos demos o exemplo – assim também procurai ser abundantes nesta obra de generosidade.

9Na verdade, conheceis a generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo: de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos, por sua pobreza. 13Não se trata de vos colocar numa situação aflitiva para aliviar os outros; o que se deseja é que haja igualdade.

14Nas atuais circunstâncias, a vossa fartura supra a penúria deles e, por outro lado, o que eles têm em abundância venha suprir a vossa carência. Assim haverá igualdade, como está escrito: 15“Quem recolheu muito não teve de sobra e quem recolheu pouco não teve falta”.

Anúncio do Evangelho (Forma longa: Mc 5,21-43 — Forma breve: Mc 5,21-24.35b-43)

Naquele tempo, 21Jesus atravessou de novo, numa barca, para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23e pediu com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!” 24Jesus então o acompanhou. Uma numerosa multidão o seguia e o comprimia.

25Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com uma hemorragia; 26tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. 27Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. 29A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença.

30Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: “Quem tocou na minha roupa?”

31Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’”

32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caiu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade.

34Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”. 35Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo:  “Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?” 36Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: “Não tenhas medo. Basta ter fé!” 37E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João.

38Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando. 39Então, ele entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. 40Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” – que quer dizer: “Menina, levanta-te!” 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina.

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

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O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido.  Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos! (Sl 27,8s)

 

ORAÇÃO DO DIA

Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (LD, ano XXIV, nº 282)

Leituras da liturgia eucarística: Jó 38,1.8-11; Sl 106; 2Cor 5,14-17; Mc 4,35-41

Primeira Leitura (Jó 38,1.8-11)

Leitura do Livro de Jó:

1O Senhor respondeu a Jó, do meio da tempestade, e disse:

8Quem fechou o mar com portas, quando ele jorrou com ímpeto do seio materno, 9quando eu lhe dava nuvens por vestes e névoas espessas por faixas; 10quando marquei seus limites e coloquei portas e trancas, 11e disse: ‘Até aqui chegarás, e não além; aqui cessa a arrogância de tuas ondas?’”

Responsório (Sl 106)

— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom,/ porque eterna é a sua misericórdia!

— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom,/ porque eterna é a sua misericórdia!

— Os que sulcam o alto-mar com seus navios,/ para ir comerciar nas grandes águas,/ testemunharam os prodígios do Senhor/ e as suas maravilhas no alto-mar.

— Ele ordenou, e levantou-se o furacão,/ arremessando grandes ondas para o alto;/ aos céus subiam e desciam aos abismos,/ seus corações desfaleciam de pavor.

— Mas gritaram ao Senhor na aflição,/ e ele os libertou daquela angústia./ Transformou a tempestade em bonança,/ e as ondas do oceano se calaram.

— Alegraram-se ao ver o mar tranquilo,/ e ao porto desejado os conduziu./ Agradeçam ao Senhor por seu amor/ e por suas maravilhas entre os homens!

Segunda Leitura (2Cor 5,14-17)

Leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 14O amor de Cristo nos pressiona, pois julgamos que um só morreu por todos, e que, logo, todos morreram.

15De fato, Cristo morreu por todos, para que os vivos não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

16Assim, doravante, não conhecemos ninguém conforme a natureza humana. E, se uma vez conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos assim.

17Portanto, se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo.

EVANGELHO: Mc 4,35-41

35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!”

36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava, na barca. Havia ainda outras barcas com ele.

37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”

39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”

41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”

 

REFLEXÃO

Hoje a Liturgia da Palavra centra-se no tema da onipotência de Deus, de seu domínio sobre o universo. (…)

No Evangelho, o mesmo tema volta em um contexto divino, iluminado pela presença de Cristo, possuidor da onipotência de Deus. É noite: o Mestre está na barca com os discípulos no lago e, cansado das fadigas do dia, adormece. De repente, desaba grande tempestade (…).  O pânico transtornara a fé ainda débil dos discípulos: esqueceram os milagres já operados pelo Mestre.

Também hoje, as desgraças, os sofrimentos, os perigos, as borrascas da vida pessoal ou da Igreja transtornam a fé ainda muito fraca de tantos fiéis. (…). Quem crê firmemente não se perderá, mas será “nova criatura” (2Cor 5,17), não mais transtornada pelas tribulações, porque ancorada à fé em quem morreu e ressuscitou por nós. (Sta. Mª Madalena, Gabriel de. Intimidade Divina. Edições Loyola, São Paulo, 1990, p,656)