2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

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Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestoso a sua voz. (Is 30,19.30)

 

 ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terena no impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (MD, p. 61)

Leituras da liturgia eucarística: Br 5,1-9; Sl 125; Fl 1,4-6.8-11; Lc 3,1-6

Primeira Leitura (Br 5,1-9)

Leitura do Livro do Profeta Baruc:

1Despe, ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus. 2Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno.

3Deus mostrará teu esplendor, ó Jerusalém, a todos os que estão debaixo do céu. 4Receberás de Deus este nome para sempre: “Paz-da-justiça e glória-da-piedade”.

5Levanta-te, Jerusalém, põe-te no alto e olha para o Oriente! Vê teus filhos reunidos pela voz do Santo, desde o poente até o levante, jubilosos por Deus ter-se lembrado deles. 6Saíram de ti, caminhando a pé, levados pelos inimigos. Deus os devolve a ti, conduzidos com honras, como príncipes reais.

7Deus ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas eternas, e se enchessem os vales, para aplainar a terra, a fim de que Israel caminhe com segurança, sob a glória de Deus. 8As florestas e todas as árvores odoríferas darão sombra a Israel, por ordem de Deus.

9Sim, Deus guiará Israel, com alegria, à luz de sua glória, manifestando a misericórdia e a justiça que dele procedem.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Responsório (Sl 125)

— Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

— Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

— Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar./ Encheu-se de sorriso nossa boca;/ nossos lábios de canções.

— Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!”/ Sim, maravilhas fez conosco o Senhor: exultemos de alegria!

— Mudai a nossa sorte, ó Senhor,/ como torrentes, no deserto./ Os que lançam as sementes entre lágrimas,/ ceifarão com alegria.

— Chorando de tristeza sairão,/ espalhando suas sementes;/ cantando de alegria voltarão,/ carregando os seus feixes!

Segunda Leitura (Fl 1,4-6.8-11)

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:

Irmãos: 4Sempre em todas as minhas orações rezo por vós, com alegria, 5por causa da vossa comunhão conosco na divulgação do Evangelho, desde o primeiro dia até agora.

6Tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra,  de levála à perfeição até o dia de Cristo Jesus.

8Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós, com a ternura de Cristo Jesus.

9E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, 10para discernirdes o que é melhor. E assim ficareis puros e sem defeito para o dia de Cristo, 11cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Anúncio do Evangelho (Lc 3,1-6)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor!

1No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes administrava a Galileia, seu irmão Filipe, as regiões da Itureia e Traconítide, e Lisânias a Abilene; 2quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes, foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.

3E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, 4como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. 5Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. 6E todas as pessoas verão a salvação de Deus’”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

REFLEXÃO

Neste segundo domingo do Advento, a liturgia propõe o trecho evangélico em que São Lucas, por assim dizer, prepara a cena sobre a qual Jesus está para aparecer e dar início à sua missão pública (cf. Lc 3, 1-6). O Evangelista chama a atenção para João Batista, que foi o precursor do Messias, e traça com grande exatidão as coordenadas espaço-temporais da sua pregação. Lucas escreve: “No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da Itureia e da Traconítide, e Lisânias tetrarca da Abilena; sob o pontificado de Anás e Caifás, a palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto” (Lc 3, 1-2). Dois elementos chamam a nossa atenção. O primeiro é a abundância de referências a todas as autoridades políticas e religiosas da Palestina no ano 27/28 d.C. Evidentemente, o Evangelista quer recordar a quem lê ou ouve, que o Evangelho não é uma lenda, mas a narração de uma história verdadeira, e que Jesus de Nazaré é uma personagem histórica inserida naquele contexto específico. O segundo elemento digno de nota é o facto de que, depois desta ampla introdução histórica, o sujeito torna-se “a palavra de Deus”, apresentada como uma força que desce do alto e se põe sobre João Baptista.

(…) Tiro (de Santo Ambrósio) um comentário deste texto evangélico: “O Filho de Deus – escreve ele – antes de reunir a Igreja, age principalmente no seu servo humilde. Por isso, São Lucas diz bem que a palavra de Deus desceu sobre João, filho de Zacarias, no deserto, porque a Igreja não teve início a partir dos homens, mas da Palavra” (Exposição do Evangelho de Lucas 2, 67). Por conseguinte, eis o significado: a Palavra de Deus é o sujeito que move a história, inspira os profetas, prepara o caminho do Messias e convoca a Igreja. O próprio Jesus é a Palavra divina que se fez carne no seio virginal de Maria: nele, Deus revelou-se plenamente, disse-nos e deu-nos tudo, abrindo-nos os tesouros da sua verdade e da sua misericórdia. Santo Ambrósio dá continuidade ao seu comentário: “Portanto a Palavra desceu, a fim de que a terra, que antes era um deserto, produzisse os seus frutos para nós” (ibidem).

Estimados amigos, a flor mais linda que nasceu da Palavra de Deus é a Virgem Maria. Ela é a primícia da Igreja, jardim de Deus na terra. No entanto, enquanto Maria é a Imaculada – assim iremos celebrá-la (…) amanhã – a Igreja tem necessidade contínua de se purificar, porque o pecado ameaça todos os seus membros. Na Igreja está sempre em ato uma luta entre o deserto e o jardim, entre o pecado que torna a terra árida e a graça que a irriga a fim de que venha a produzir frutos abundantes de santidade. Portanto, oremos à Mãe do Senhor a fim de que nos ajude, neste tempo do Advento, a “endireitar” as nossas veredas, deixando-nos orientar pela Palavra de Deus. (Papa Bento XVI, Angelus, 06 de dezembro de 2009)

03 DE DEZEMBRO – SÃO FRANCISCO XAVIER

Estes sãos homens santos que se tornaram amigos de Deus, gloriosos arautos de sua mensagem.

Oração do dia

Ó Deus, que, pela pregação de são Francisco Xavier, conquistastes para vós muitos povos do Oriente, concedei a todos os fiéis o mesmo zelo, para que a santa Igreja possa alegrar-se com o nascimento de novos filhos em toda a terra. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

SÃO FRANCISCO XAVIER, PRESBÍTERO JESUÍTA, EVANGELIZADOR DAS ÍNDIAS, PADROEIRO DAS MISSÕES

Quarenta e seis anos de vida, dos quais onze em missão. Por este motivo, São Francisco Xavier pode ser considerado um verdadeiro “gigante da evangelização”.

Em sua existência breve, mas admirável pela sua fecundidade missionária, este religioso espanhol conseguiu levar o Evangelho ao Extremo Oriente, adaptando-o, com sabedoria, ao caráter e à linguagem de populações muito diferentes entre si. No entanto, a sua existência parece indicar-lhe um percurso de vida diferente.

Encontro com Inácio de Loyola e Pedro Fabro

Francisco Xavier nasceu em 1506, no Castelo de Xavier, em Navarra, norte da Espanha, em uma família nobre: o pai, Juan de Jassu, era presidente do Conselho Real de Navarra.
Em 1525, Francisco foi a Paris para fazer seus estudos universitários; em 1530, tornou-se “Magister Artium”, pronto para a carreira acadêmica. Entretanto, deu um passo a mais na sua vida de fé: no Colégio de Santa Bárbara, onde estudava, o futuro Santo conheceu Pedro Fabro e Inácio de Loyola, com os quais de formou em Teologia.
No início, suas relações, sobretudo com Inácio, não foram fáceis, tanto que o próprio Loyola definiu Francisco “o pedaço de massa mais difícil que amassou”. Porém, a vocação missionária já havia penetrado no coração de Xavier, que, na primavera de 1539, participou da fundação de uma nova Ordem religiosa, denominada “Companhia de Jesus”.

Catecismo “cantado” para crianças

Ao consagrar-se a Deus e ao apostolado, Francisco partiu, no dia 7 de abril de 1541, para as Índias, a pedido do Papa Paulo III, que queria a evangelização daquelas terras, na época, conquistadas pelos portugueses.
A viagem de Lisboa a Goa, com um veleiro, durou uns treze meses, que se tornou fatigante por causa da escassez de comida, do calor intenso e das tempestades.
Quando chegou a Goa, em maio de 1542, Xavier escolheu como casa o hospital da cidade e como cama dormir ao lado do paciente mais grave. Desde então, o seu ministério foi dedicar-se precisamente à assistência dos últimos e excluídos da sociedade: os doentes, os prisioneiros, os escravos, os menores abandonados.
Para as crianças, de modo particular, Francisco inventou um novo método de ensino do Catecismo: pegava-as nas ruas tocando um sininho; depois, ao reuni-las na igreja, traduziu os princípios da Doutrina católica em versos e os cantava com as crianças, facilitando-lhes a aprendizagem.

Evangelização dos pescadores de pérolas

Além do mais, dedicou-se, por dois anos, à evangelização dos pescadores de pérolas, residentes no sul das Índias, que falavam só o Tâmil. No entanto, Francisco conseguiu transmitir-lhes os princípios da fé católica, chegando a batizar 10.000 em apenas um mês. “A multidão de convertidos era tamanha – escreveu – que, muitas vezes, meus braços doíam de tanto batizar e até perdia a voz e a força para repetir o Credo e os Mandamentos na língua deles”.
Contudo, a sua obra de evangelização não cessou. Entre 1545 e 1547, Francisco Xavier chegou a Malaca, arquipélago das Molucas, e às Ilhas do Moro, sem se preocupar com os perigos, pois tinha total confiança em Deus.

Chegada ao Japão

Em 1547, a vida do futuro santo teve uma nova reviravolta: encontrou um fugitivo japonês, chamado Hanjiro, ansioso de converter-se ao cristianismo. O encontro suscitou em Xavier o desejo de ir também ao Japão, para levar o Evangelho à terra do “Sol levante”. Ali chegou em 1549 e, embora soubesse da pena de morte em vigor para quem administrasse o sacramento do Batismo, o religioso espanhol conseguiu fundar uma comunidade de centenas de fiéis.

O “sonho” da China

A passagem do Japão para a China foi quase natural. Xavier encarou o “País do Dragão” como uma nova terra de missão.
Em 1552, conseguiu chegar à ilha de Shangchuan, de onde tentou embarcar para Cantão. Mas, foi acometido por uma febre imprevista. Extenuado pelo cansaço e pelo frio, Francisco Xavier faleceu na madrugada no dia 3 de dezembro. Seu corpo foi depositado em um caixão cheio de cal, sem nem mesmo uma cruz como lembrança.
Dois anos depois, seu corpo, íntegro e intacto, foi trasladado para a igreja do Bom Jesus de Goa, onde é venerado. Uma das suas relíquias – o antebraço direito – encontra-se conservada na igreja de Jesus, em Roma, desde 1614.

Canonizado em 1622

Francisco Xavier foi beatificado por Paulo V, em 1619, e canonizado por Gregório XV, em 1622.
Foi proclamado Padroeiro do Oriente, em 1748; da Obra de Propagação da Fé, em 1904 e de todas as Missões (juntamente com Santa Teresa de Lisieux), em 1927.
Seu pensamento pode resumir-se em uma oração, que ele sempre rezava: “Senhor, eu vos amo, não porque me podeis dar o céu ou me condenar ao inferno, mas porque sois meu Deus! Amo-vos porque vós sois vós”!

Referência:
vaticannews.va

São Francisco Xavier, rogai por nós!

por Raios Luminosos Postado em Santos

1º DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

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A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado. Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera (SL 24,1ss.)

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro de Cristo que vem, sejamos reunidos, à sua direita, na comunidade dos justos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (LD, ano XXIV, nº 282)

Leituras da liturgia eucarística: Jr 33,14-16; Sl 24; 1Ts 3,12-4,2; Lc 21,25-28.34-36

Primeira Leitura (Jr 33,14-16)

Leitura do Livro do profeta Jeremias:

14“Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel e para a casa de Judá.

15Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça, que fará valer a lei e a justiça na terra.

16Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante; este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa justiça’”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Responsório (Sl 24)

— Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!

— Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!

— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação!

— O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.

— Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos. O Senhor se torna íntimo aos que o temem e lhes dá a conhecer sua Aliança.

Segunda Leitura (1Ts 3,12-4,2)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:

Irmãos: 3,12O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós. 13Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos.

4,1Enfim, meus irmãos, eis que vos pedimos e exortamos no Senhor Jesus: Aprendestes de nós como deveis viver para agradar a Deus, e já estais vivendo assim. Fazei progressos ainda maiores! 2Conheceis, de fato, as instruções que temos dado em nome do Senhor Jesus.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

Anúncio do Evangelho (Lc 21,25-28.34-36)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:

25“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. 26Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas.

27Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.

34Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; 35pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra.

36Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

REFLEXÃO

“Hoje a Igreja inicia um novo Ano litúrgico (…) . A palavra «advento» significa «presença». No mundo antigo indicava a visita do rei ou do imperador a uma província; na linguagem cristã refere-se à vinda de Deus, à sua presença no mundo; um mistério que envolve totalmente o cosmos e a história, mas que conhece dois momentos culminantes: a primeira e a segunda vinda gloriosa no fim dos tempos. Estes dois momentos, que cronologicamente são distantes — e não nos é dado saber quanto — tocam-se em profundidade, porque com a sua morte e ressurreição Jesus já realizou aquela transformação do homem e do cosmos que é a meta final da criação. Mas antes do final, é necessário que o Evangelho seja proclamado a todas as nações, diz Jesus no Evangelho de Marcos (cf. 13, 10). A vinda do Senhor continua, o mundo deve ser imbuído da sua presença. E esta vinda permanente do Senhor no anúncio do Evangelho exige continuamente a nossa colaboração; e a Igreja, que é como a Noiva, a Esposa prometida ao Cordeiro de Deus crucificado e ressuscitado (cf. Ap 21, 9), em comunhão com o seu Senhor, colabora nesta vinda do Senhor, na qual já começa a sua vinda gloriosa.

A isto nos chama hoje a Palavra de Deus, traçando a linha de conduta que se deve seguir para estar prontos para a vinda do Senhor. No Evangelho de Lucas, Jesus diz aos discípulos: «Que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida… Velai, pois, orando continuamente» (Lc 21, 34.36). Portanto, sobriedade e oração. E o apóstolo Paulo acrescenta o convite a «aumentar e abundar em caridade» entre nós e para com todos, para tornar firmes os nossos corações e irrepreensíveis na santidade (cf. 1 Tes 3, 12-13). No meio das perturbações do mundo, ou dos desertos da indiferença e do materialismo, os cristãos acolhem de Deus a salvação e testemunham-na com um modo de viver diverso, como uma cidade situada sobre um monte. «Naqueles dias — anuncia o profeta Jeremias — Jerusalém será tranquilizada, e será chamada Senhor-nossa-justiça» (33, 16). A comunidade dos que creem é sinal do amor de Deus, da sua justiça que  está presente e ativa na nossa história, mas que ainda não está plenamente realizada e, portanto, deve ser sempre esperada, invocada e procurada com paciência e coragem.

A Virgem Maria encarna perfeitamente o espírito do Advento, feito de escuta de Deus, de desejo profundo de fazer a sua vontade, de serviço jubiloso ao próximo. Deixemo-nos guiar por ela, para que o Deus que vem não nos encontre fechados ou distraídos, mas possa, em cada um de nós, expandir um pouco o seu reino de amor, de justiça e de paz.” (Papa Bento XVI, Angelus, 2 de dezembro de 2012).