19º DOMINGO TEMPO COMUM – ANO B

Considerai, Senhor, vossa aliança e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca (Sl 73,20.19.22s)

ORAÇÃO DO DIA

Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. LH

 

Leituras da liturgia eucarística: 1Rs 19,4-8; Sl 33; Ef 4,30-5,2; Jo 6,41-51

 

EVANGELHO: Jo 6,41-51

 

Naquele tempo, os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”.

Eles comentavam: “Não é este Jesus o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como pode então dizer que desceu do céu?”

Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna.

Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

 

REFLEXÃO

“Neste domingo prossegue a leitura do capítulo seis do Evangelho de João, no qual Jesus, depois de ter realizado o grande milagre da multiplicação dos pães, explica às pessoas o significado daquele «sinal» (Jo 6, 41-51).

Como já tinha feito precedentemente com a Samaritana, partindo da experiência da sede e do sinal da água, aqui Jesus parte da experiência da fome e do sinal do pão, para revelar-se a si mesmo e convidar a crer n’Ele.

O povo procura-o, o povo escuta-o, porque ficou entusiasmado com o milagre — queria torná-lo rei! — mas quando Jesus afirma que o verdadeiro pão, doado por Deus, é Ele mesmo, muitos se escandalizam, não compreendem e começam a murmurar entre si: «Porventura — diziam — não é ele Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como, pois, diz ele: “Desci do céu?”» (Jo6, 42). E começam a murmurar. Então Jesus responde: «Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair» e acrescenta: «quem crê em mim tem a vida eterna» (vv44.47).

Esta palavra do Senhor surpreende-nos e faz-nos reflectir. Ela introduz na dinâmica da fé, que é uma relação: a relação entre a pessoa humana — todos nós — e a Pessoa de Jesus, onde um papel decisivo é desempenhado pelo Pai, e naturalmente também pelo Espírito Santo — que aqui está subentendido. Não basta encontrar Jesus para acreditar n’Ele, não basta ler a Bíblia, o Evangelho — isto é importante, mas não basta — nem é suficiente assistir a um milagre, como a multiplicação dos pães. Muitas pessoas estiveram em estreito contacto com Jesus e não acreditaram n’Ele, pelo contrário, desprezaram-no e condenaram-no. E eu pergunto-me: por que isso? Não foram atraídas pelo Pai? Não, isso aconteceu porque os seus corações estavam fechados à acção do Espírito de Deus. E se tiveres o coração fechado, a fé não entrará. Deus Pai sempre nos atrai a Jesus: somos nós que abrimos ou fechamos o nosso coração. Ao contrário, a fé, que é como uma semente no profundo do coração, desabrocha quando nos deixamos «atrair» pelo Pai rumo a Jesus, e «vamos ter com Ele» de coração aberto, sem preconceitos; então reconhecemos no seu rosto a Face de Deus e nas suas palavras a Palavra de Deus, porque o Espírito Santo nos fez entrar na relação de amor e de vida que existe entre Jesus e Deus Pai. E ali nós recebemos o dom, o presente da fé.

Então, com esta atitude de fé, podemos compreender também o sentido do «Pão da vida» que Jesus nos doa, e que Ele exprime assim: «Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei-de dar, é a minha carne para a salvação do mundo» (Jo 6, 51). Em Jesus, na sua «carne» — ou seja, na sua humanidade concreta — está presente todo o amor de Deus, que é o Espírito Santo. Quem se deixa atrair por este amor caminha rumo a Jesus, vai com fé e d’Ele recebe a vida, a vida eterna.

Quem viveu essa experiência de forma exemplar foi a Virgem de Nazaré, Maria: a primeira pessoa humana que acreditou em Deus acolhendo a carne de Jesus. Aprendamos d’Ela, nossa Mãe, a alegria e a gratidão pelo dom da fé. Um dom que não é «privado», um dom que não é propriedade particular mas é um dom a ser partilhado: um dom «para a vida do mundo»!” (Papa Francisco, Angelus, 9 de Agosto de 2015).

TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

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“O Espírito Santo apareceu na nuvem luminosa e a voz do Pai se fez ouvir: Este é o meu Filho amado, nele depositei todo o meu amor. Escutai-o.” Mt 17,5

 

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, que na gloriosa transfiguração de vosso Filho confirmastes os mistérios da fé pelo testemunho de Moisés e Elias e manifestastes, de modo admirável, a nossa glória de filhos adotivos, concedei aos vossos servos e servas ouvir a voz do vosso Filho amado e compartilhar da sua herança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Oração das Horas)

Leituras da liturgia eucarística: Dn 7,9-10.13-14; Sl 96; Marcos 9:2-10

 

EVANGELHO: Marcos 9:2-10

 

Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas.
Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus.
Pedro tomou a palavra: “Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.
Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: “Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o”. E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos.
E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: “Ser ressuscitado dentre os mortos”.

 

REFLEXÃO

A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR NAS PALAVRAS DE BENTO XVI 

Neste dia, “06 de agosto, a Igreja celebra a Festa da Transfiguração do Senhor. Um evento – disse Bento XVI – que nos lembra que “as alegrias semeadas por Deus na Vida não são pontos de chegada, mas luz que Ele nos dá em nossa peregrinação terrena, porque só Jesus é o critério que norteia nossa existência.” A Rádio Vaticano propõe uma reflexão sobre a Transfiguração a partir das palavras do Papa Bento XVI.

No Tabor, Pedro, Tiago e João contemplam a glória do Filho de Deus, antecipam um pedaço de paraíso. “Trata-se geralmente de breves experiências – diz o Papa – que Deus às vezes concede, especialmente em vista deduras provas”:

“A ninguém, no entanto, é permitido viver no Tabor enquanto estiver sobre esta terra. A existência humana, de fato, é um caminho de fé e, como tal, prossegue mais na sombra do que na plena luz, não sem momentos de escuridão e também de muita escuridão. Enquanto estamos aqui embaixo, nosso relacionamento com Deus vem mais da escuta que da visão, e própria contemplação se dá, por assim dizer, a olhos fechados, graças à luz interior em nós acesa pela Palavra de Deus. “(Angelus de 12 Março de 2006)

Pedro queria ficar muito tempo sobre Tabor. Mas o caminho que aponta Jesus é outro:

“Aqui é o ponto crucial: a Transfiguração é uma antecipação da ressurreição, mas esta pressupõe a morte. Jesus manifesta a sua glória aos Apóstolos, para que eles tenham a força para enfrentar o escândalo da cruz, e compreendam que é preciso passar por muitas tribulações para chegar ao reino de Deus.” (Angelus de 17 de Fevereiro de 2008)

Mas o que é a transfiguração de Jesus?

“A Transfiguração de Jesus não é uma mudança, mas a revelação de sua divindade, a certeza profunda íntima de seu ser com Deus, que se transforma em pura luz. Em sua unidade com o Pai, o próprio Jesus é Luz da Luz”. (Angelus, 20 de Março de 2011)

Do alto da nuvem brilhante, a voz do Pai convida a ouvir o Filho. Ouvi-lo para pôr em prática o que diz:

“Ouvir a Cristo, como Maria. Ouvi-lo na sua Palavra, preservada na Sagrada Escritura. Ouvi-lo nos eventos de nossas próprias vidas, tentando ler a mensagem da Providência. Ouvi-lo, finalmente, em nossos irmãos, especialmente nos pequenos e nos pobres, em que o próprio Jesus pede o nosso amor concreto. Ouvir Cristo e obedecer a sua voz: este é o caminho real, o único, que conduz à plenitude da alegria e do amor”. (Angelus, 12 de março de 2006). (ED)

Fonte: http://br.radiovaticana.va/storico/2011/08/07/a_transfigura%C3%A7%C3%A3o_do_senhor_nas_palavras_de_bento_xvi/bra-510768

por anaalmada2013 Postado em Festa

18º DOMINGO TEMPO COMUM – ANO B

Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, não tardeis mais (Sl 69,2.6).

 

ORAÇÃO DO DIA

Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. LH

Leituras da liturgia eucarística: Êx 16,2-4.12-15; Sl 77; Ef 4,17.20-24; Jo 6,24-35

 

EVANGELHO: Jo 6,24-35

Naquele tempo, quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?”

Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”.

Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?”

Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”.

Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”.

Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”.

Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”.

Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

 

REFLEXÃO

“Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Prosseguimos neste domingo a leitura do capítulo seis do Evangelho de João. Depois da multiplicação dos pães, o povo pôs-se à procura de Jesus e finalmente encontra-o junto de Cafarnaum. Ele compreende bem o motivo de tanto entusiasmo em segui-lo e revela-o com clareza: «Vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos saciastes» (Jo 6, 26). Na realidade, aquelas pessoas seguem-no pelo pão material que no dia anterior lhes tinha saciado a fome, quando Jesus fizera a multiplicação dos pães; não compreenderam que aquele pão, partido para tantos, para muitos, era a expressão do amor do próprio Jesus. Deram mais valor àquele pão do que ao seu doador. Diante desta cegueira espiritual, Jesus evidencia a necessidade de ir além da doação e descobrir, conhecer o doador. O próprio Deus é o dom e também o doador. E assim daquele pão, daquele gesto, as pessoas podem encontrar Quem o dá, que é Deus. Convida a abrir-se a uma perspectiva que não é só das preocupações diárias do comer, do vestir, do sucesso, da carreira. Jesus fala de outro alimento, fala de um alimento que não é corruptível e que é bom procurar e acolher. Ele exorta: «Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até à vida eterna, e que o Filho do homem vos dará» (v. 27). Ou seja, procurai a salvação, o encontro com Deus.

E com estas palavras, quer-nos fazer compreender que, além da fome física o homem tem em si outra fome — todos nós temos esta fome — uma fome mais importante, que não pode ser saciada com um alimento qualquer. Trata-se da fome de vida, da fome de eternidade que só Ele pode satisfazer, porque é «o pão da vida» (v. 35). Jesus não elimina a preocupação nem a busca do alimento diário, não, não elimina a preocupação de tudo o que pode tornar a vida mais progredida. Mas Jesus recorda-nos que o verdadeiro significado da nossa existência terrena consiste no fim, na eternidade, consiste no encontro com Ele, que é dom e doador, e recorda-nos também que a história humana com os seus sofrimentos e as suas alegrias deve ser considerada num horizonte de eternidade, ou seja, no horizonte do encontro definitivo com Ele. E este encontro ilumina todos os dias da nossa vida. Se pensarmos neste encontro, neste grande dom, os pequenos dons da vida, também os sofrimentos, as preocupações serão iluminadas pela esperança deste encontro. «Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede» (v. 35). E esta é uma referência à Eucaristia, o maior dom que sacia a alma e o corpo. Encontrar e acolher Jesus, «pão de vida», em nós, confere significado e dá esperança ao caminho muitas vezes sinuoso da vida. Mas este «pão de vida» é-nos dado com uma tarefa, ou seja, para que possamos por nossa vez saciar a fome espiritual e material dos irmãos, anunciando o Evangelho por toda a parte. Com o testemunho da nossa atitude fraterna e solidária para com o próximo, tornamos Cristo e o seu amor presentes no meio dos homens.

A Virgem Santa nos ampare na busca e no seguimento do seu Filho Jesus, o pão verdadeiro, o pão vivo que não se corrompe e dura eternamente.”(Papa Francisco, Angelus, 02 de agosto de 2015)