33º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

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Meus pensamentos são de paz e não de aflição, diz o Senhor. Vós me invocareis, e hei de escutar-vos, e vos trarei de vosso cativeiro, de onde estiverdes. (Jr 29, 11.12.14)

ORAÇÃO DO DIA

Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Liturgia das Horas)

Leituras da liturgia eucarística: Dn 12,1-3; Sl 15; Hb 10,11-14.18; Mc 13,24-32

EVANGELHO: Mc 13,24-32

 

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas.

Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra.

Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas.

Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai”.

 

REFLEXÃO

Neste penúltimo domingo do ano litúrgico, é proclamada, na redação de São Marcos, uma parte do discurso de Jesus sobre os últimos tempos. Este discurso encontra-se (…) também em Mateus e Lucas, e é provavelmente o texto mais difícil dos Evangelhos. Esta dificuldade (…) fala de um porvir que supera as nossas categorias, e por isso Jesus utiliza imagens e palavras tiradas do Antigo Testamento, mas sobretudo insere um novo centro, que é Ele mesmo, o mistério da sua pessoa e da sua morte e ressurreição. Também o trecho hodierno inicia com algumas imagens de tipo apocalíptico: «o sol escurecer-se-á e a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e as forças que estão nos céus serão abaladas»; mas este elemento é realizado pelo que segue: «Então verão vir o Filho do Homem sobre as nuvens, com grande poder e glória». O «Filho do homem» é o próprio Jesus Cristo, que relaciona o presente e o futuro; as antigas palavras dos profetas encontraram finalmente um centro na pessoa do Messias nazareno: é Ele o verdadeiro acontecimento que, no meio dos transtornos do mundo, permanece o ponto firme e estável.

Como confirmação disto há outra expressão do Evangelho de hoje. Jesus afirma: «O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão». Com efeito, sabemos que na Bíblia a Palavra de Deus está na origem da criação: todas as criaturas, a partir dos elementos cósmicos — sol, lua, firmamento — obedecem à Palavra de Deus, existem porque «chamados» por ela. Este poder criador da Palavra divina concentrou-se em Jesus Cristo, Verbo feito carne, e passa também através das suas palavras humanas, que são o verdadeiro «firmamento» que orienta o pensamento e o caminho do homem sobre a terra. Por isso Jesus não descreve o fim do mundo e, quando usa imagens apocalípticas, não se comporta como um «vidente». Ao contrário, Ele quer subtrair os seus discípulos de qualquer época da curiosidade pelas datas, pelas previsões, e deseja ao contrário dar-lhes uma chave de leitura profunda, essencial, e sobretudo indicar a senda justa sobre a qual caminhar, hoje e amanhã, para entrar na vida eterna. Tudo passa — recorda-nos o Senhor — mas a Palavra de Deus não muda, e face a ela cada um de nós é responsável pelo próprio comportamento. Com base nisto, seremos julgados.

Queridos amigos, também nos nossos tempos não faltam calamidades naturais, e infelizmente nem sequer guerras e violências. Também hoje temos necessidade de um fundamento estável para a nossa vida e para a nossa esperança, sobretudo por causa do relativismo no qual estamos imersos. A Virgem Maria nos ajude a acolher este centro na Pessoa de Cristo e na sua Palavra. (Papa Bento XVI, Angelus, 18 de Novembro de 2012)

32º DOMINGO TEMPO COMUM – ANO B

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Chegue até vós a minha súplica; inclinai vosso ouvido à minha prece (Sl 87,3).

ORAÇÃO DO DIA

Deus de Poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (LD, ano XXIV, nº 287)

Leituras da liturgia eucarística: 1Rs 17,10-16; Sl 145; Hb 9,24-28; Mc 12,38-44

 

EVANGELHO: Mc 12,38-44

 

Naquele tempo, Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”.

Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias.

Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada.

Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.

 

REFLEXÃO

A liturgia da Palavra deste domingo apresenta-nos como modelos de fé as figuras de duas viúvas. Apresenta-no-las em paralelo: uma no Primeiro Livro dos Reis (17, 10-16), a outra no Evangelho de Marcos (12, 41-44). Estas duas mulheres são muito pobres, e precisamente com esta sua condição demonstram uma grande fé em Deus. Encontra-se a primeira no ciclo de narrações sobre o profeta Elias. Ele, durante uma época de carestia, recebe do Senhor a ordem de ir aos arredores de Sídon, portanto fora de Israel, em território pagão. Lá encontra esta viúva e pede-lhe água para beber e um pouco de pão. A mulher responde que só tem um punhado de farinha e uma gota de azeite, mas, dado que o profeta insiste e lhe promete que, se o ouvir, não lhe faltarão nem farinha nem azeite, satisfaz o seu pedido e é recompensada. A segunda viúva, a do Evangelho, é observada por Jesus no templo de Jerusalém, precisamente junto do tesouro, onde o povo colocava as ofertas. Jesus vê que esta mulher lança no tesouro duas moedinhas: então chama os discípulos e explica que o seu óbolo é maior do que o dos ricos, porque, enquanto eles dão o supérfluo, a viúva ofereceu «tudo o que tinha, tudo o que lhe servia para viver» (Mc 12, 44).

Destes dois episódios bíblicos, sabiamente comparados, pode-se obter um precioso ensinamento sobre a fé. Ela é vista como atitude interior de quem funda a própria vida em Deus, na sua Palavra, e confia totalmente n’Ele. A da viúva, na antiguidade, constituía em si uma condição de grave necessidade. Por isso, na Bíblia, as viúvas e os órfãos são pessoas das quais Deus se ocupa de modo especial: perderam o apoio terreno, mas Deus permanece o Esposo delas, o seu Pai. Contudo a escritura diz que a condição objectiva de necessidade, neste caso o facto de ser viúva, não é suficiente: Deus pede sempre a nossa livre adesão de fé, que se expressa no amor por Ele e pelo próximo. Ninguém é tão pobre que não possa dar algo. E de facto, as nossas duas viúvas de hoje demonstram a sua fé cumprindo um gesto de caridade: uma para com o profeta e a outra dando esmola. Confirmam assim a unidade inseparável entre fé e caridade, assim como entre o amor de Deus e o amor ao próximo — como nos recordava o Evangelho de domingo passado. O Papa são Leão Magno, do qual celebrámos ontem a memória, afirma quanto segue: «Na balança da justiça divina não se pesa a quantidade dos dons, mas o peso dos corações. A viúva do Evangelho depositou no tesouro do templo duas moedas de pouco valor e superou os dons de todos os ricos. Nenhum gesto de bondade está privado de sentido diante de Deus, nenhuma misericórdia permanece sem fruto» (Sermo de jejunio dec. mens., 90, 3).

A Virgem Maria é exemplo perfeito de quem oferece a si mesmo confiando em Deus; com esta fé ela disse ao Anjo «Eis-me» e acolheu a vontade do Senhor. Maria ajude também cada um de nós, neste Ano da fé, a fortalecer a confiança em Deus e na sua Palavra. (Papa Bento XVI, Angelus, 11 de Novembro de 2012)

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

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Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face. (Sl 104,3s).

 

ORAÇÃO DO DIA

Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leituras da liturgia eucarística: Jr 31,7-9; Sl 125; Hb 5,1-6; Mc 10,46-52

 

EVANGELHO: Mc 10,46-52

 

Naquele tempo, Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”

Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”

Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!”

O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!”

Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.

 

REFELXÃO

O milagre da cura do cego Bartimeu ocupa uma posição significativa na estrutura do Evangelho de Marcos. De fato, está colocado no fim da seção designada «viagem para Jerusalém», isto é, a última peregrinação de Jesus para a Cidade Santa, para a Páscoa em que, como Ele sabe, O aguardam a paixão, a morte e a ressurreição. Para subir a Jerusalém, a partir do vale do Jordão, Jesus passa por Jericó, e o encontro com Bartimeu tem lugar à saída da cidade, «quando – observa o evangelista – [Jesus] ia a sair de Jericó com os seus discípulos e uma grande multidão» (10, 46), a mesma multidão que, dali a pouco, aclamará Jesus como Messias na sua entrada em Jerusalém. Precisamente na estrada estava sentado a mendigar Bartimeu, cujo nome significa «filho de Timeu», como diz o próprio evangelista. Todo o Evangelho de Marcos é um itinerário de fé, que se desenvolve gradualmente na escola de Jesus. Os discípulos são os primeiros atores deste percurso de descoberta, mas há ainda outros personagens que desempenham papel importante, e Bartimeu é um deles. A sua cura prodigiosa é a última que Jesus realiza antes da sua paixão, e não é por acaso que se trata da cura dum cego, isto é, duma pessoa cujos olhos perderam a luz. A partir de outros textos, sabemos também que a condição de cegueira tem um significado denso nos Evangelhos. Representa o homem que tem necessidade da luz de Deus – a luz da fé – para conhecer verdadeiramente a realidade e caminhar pela estrada da vida. Condição essencial é reconhecer-se cego, necessitado desta luz; caso contrário, permanece-se cego para sempre (cf. Jo 9, 39-41).

Situado naquele ponto estratégico da narração de Marcos, Bartimeu é apresentado como modelo. Ele não é cego de nascença, mas perdeu a vista: é o homem que perdeu a luz e está ciente disso, mas não perdeu a esperança, sabe agarrar a possibilidade deste encontro com Jesus e confia-se a Ele para ser curado. Na realidade, ouvindo dizer que o Mestre passa pela sua estrada, grita: «Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!» (Mc 10, 47), e repete-o vigorosamente (v. 48) E quando Jesus o chama e lhe pergunta que quer d’Ele, responde: «Mestre, que eu veja!» (v. 51). Bartimeu representa o homem que reconhece o seu mal, e grita ao Senhor com a confiança de ser curado. A sua imploração, simples e sincera, é exemplar, tendo entrado na tradição da oração cristã da mesma forma que a súplica do publicano no templo: «Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador» (Lc 18, 13). No encontro com Cristo, vivido com fé, Bartimeu readquire a luz que havia perdido e, com ela, a plenitude da sua própria dignidade: põe-se de pé e retoma o caminho, que desde então tem um guia, Jesus, e uma estrada, a mesma que Jesus percorre. O evangelista não nos diz mais nada de Bartimeu, mas nele mostra-nos quem é o discípulo: aquele que, com a luz da fé, segue Jesus «pelo caminho» (v. 52).

Num dos seus escritos, Santo Agostinho observa um particular acerca da figura de Bartimeu, que pode ser interessante e significativo também hoje para nós. O santo Bispo de Hipona reflete sobre o fato de Marcos referir, neste caso, não só o nome da pessoa que é curada, mas também de seu pai, e chega à conclusão de que «Bartimeu, filho de Timeu, era um personagem decaído duma situação de grande prosperidade, e a sua condição de miséria devia ser universalmente conhecida e de domínio público, enquanto não era apenas cego, mas um mendigo que estava sentado na berma da estrada. Por esta razão, Marcos não o quis recordar só a ele, porque o fato de ter recuperado a vista conferiu ao milagre tão grande ressonância como grande era a fama da desventura que atingira o cego» (O consenso dos evangelistas, 2, 65, 125: PL 34, 1138) . Assim escreve Santo Agostinho!

Esta interpretação de Bartimeu como pessoa decaída duma condição de «grande prosperidade» é sugestiva, convidando-nos a refletir sobre o fato que há riquezas preciosas na nossa vida que podemos perder e que não são materiais. Nesta perspectiva, Bartimeu poderia representar aqueles que vivem em regiões de antiga evangelização, onde a luz da fé se debilitou, e se afastaram de Deus, deixando de O considerarem relevante na própria vida: são pessoas que deste modo perderam uma grande riqueza, «decaíram» duma alta dignidade – não econômica ou de poder terreno, mas a dignidade cristã –, perderam a orientação segura e firme da vida e tornaram-se, muitas vezes inconscientemente, mendigos do sentido da existência. São as inúmeras pessoas que precisam de uma nova evangelização, isto é, de um novo encontro com Jesus, o Cristo, o Filho de Deus (cf. Mc 1, 1), que pode voltar a abrir os seus olhos e ensinar-lhes a estrada. É significativo que, no momento em que concluímos a Assembleia sinodal sobre a Nova Evangelização, a Liturgia nos proponha o Evangelho de Bartimeu. Esta Palavra de Deus tem algo a dizer de modo particular a nós que nestes dias nos debruçamos sobre a urgência de anunciar novamente Cristo onde a luz da fé se debilitou, onde o fogo de Deus, à semelhança dum fogo em brasas, pede para ser reavivado a fim de se tornar chama viva que dá luz e calor a toda a casa. (Homilia (trecho), Papa Bento XVI, 28 de Outubro de 2012)