ASCENSÃO DO SENHOR– ANO A

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leituras da liturgia eucarística: At 1,1-11; Sl 46; Ef 1,17-23; Mt 28,16-20

EVANGELHO: Mt 28,16-20

Naquele tempo, os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

REFLEXÃO

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Celebra-se hoje, na Itália e noutros países, a Ascensão de Jesus ao céu, que aconteceu quarenta dias depois da Páscoa. Os Atos dos Apóstolos narram este episódio, a separação final do Senhor Jesus dos seus discípulos e deste mundo (cf. At 1, 2.9). O Evangelho de Mateus, ao contrário, descreve o mandato de Jesus aos discípulos: o convite a ir, a partir para anunciar a todos os povos a sua mensagem de salvação (cf. Mt 28, 16-20). «Ir», ou melhor, «partir» torna-se a palavra-chave da festa de hoje: Jesus parte para o Pai e dá aos discípulos o mandato de partir pelo mundo.
Jesus parte, sobe ao Céu, isto é, volta para o Pai pelo qual tinha sido enviado ao mundo. Cumpriu o seu trabalho, e depois voltou para o Pai. Mas não se trata de uma separação, porque Ele permanece para sempre conosco, de uma forma nova. Com a sua Ascensão, o Senhor ressuscitado atrai o olhar dos Apóstolos — e também o nosso — às alturas do Céu para nos mostrar que a meta do nosso caminho é o Pai. Ele mesmo tinha dito que se teria ido embora para nos preparar um lugar no Céu. Contudo, Jesus permanece presente e ativo nas vicissitudes da história humana com o poder e com os dons do seu Espírito; está ao lado de cada um de nós: mesmo se não o vemos com os olhos, Ele está conosco! Acompanha-nos, guia-nos, pega-nos pela mão e ergue-nos quando caímos. Jesus ressuscitado está próximo dos cristãos perseguidos e discriminados; está próximo de cada homem e mulher que sofre. Está próximo de todos nós, também hoje está aqui conosco na praça; o Senhor está conosco! Vós acreditais nisto? Então digamo-lo juntos: o Senhor está conosco!
Jesus, quando volta para o Céu leva ao Pai uma prenda. Que prenda é? As suas chagas. O seu corpo lindíssimo, sem manchas, sem as feridas da flagelação, mas conserva as chagas. Quando volta para o Pai mostra-lhe as chagas e diz-lhe: «Repara Pai, este é o preço do perdão que Tu dás». Quando o Pai vê as chagas de Jesus perdoa-nos sempre, não porque nós somos bons, mas porque Jesus pagou por nós. Olhando para as chagas de Jesus, o Pai torna-se mais misericordioso. Este é o grande trabalho de Jesus hoje no Céu: mostrar ao Pai o preço do perdão, as suas chagas. Esta é uma coisa agradável que nos estimula a não ter medo de pedir perdão; o Pai perdoa sempre, porque vê as chagas de Jesus, vê o nosso pecado e perdoa-o.
Mas Jesus está presente também mediante a Igreja, que Ele enviou para prolongar a sua missão. A última palavra de Jesus aos discípulos é o mandato de partir: «Ide, pois, e fazei discípulos de todas as Nações» (Mt 28, 19). É um mandamento claro, não facultativo! A comunidade cristã é uma comunidade «de saída», «de partida». E ainda: a Igreja nasceu «de saída». E vós dir-me-eis: e as comunidades de clausura? Sim, também elas, porque estão sempre «de saída» com a oração, com o coração aberto ao mundo, aos horizontes de Deus. E os idosos, os doentes? Também eles, com a oração e a união nas chagas de Jesus.
Aos seus discípulos missionários Jesus diz: «Eu estarei sempre convosco, todos os dias, até ao fim do mundo» (v. 20). Sozinhos, sem Jesus, nada podemos fazer! Na obra apostólica só as nossas forças, os nossos recursos, as nossas estruturas não são suficientes, embora sejam necessárias. Sem a presença do Senhor e sem a força do seu Espírito o nosso trabalho, mesmo se bem organizado, resulta ineficaz. E assim vamos dizer ao povo quem é Jesus. E juntamente com Jesus acompanha-nos Maria, nossa Mãe. Ela já está na casa do Pai,   Rainha do Céu e assim a invocamos neste tempo; como Jesus ela está conosco, caminha conosco, é a Mãe da nossa esperança.” (Papa Francisco, Angelus,  1º de junho de 2014)

6º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A

Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os extremos da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia! (Is 48,20)

 

ORAÇÃO DO DIA

Deus todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra do Cristo ressuscitado, para que nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. (Oração das Horas)

Leituras da Liturgia Eucarística: At,5-8.14-17; Sl 65; 1Pd 3,15-18; Jo 14,15-21

EVANGELHO: Jo 14,15-21

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós.
Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

REFLEXÃO

“Queridos irmãos e irmãos!
O livro dos Atos dos Apóstolos narra que, depois de uma primeira perseguição violenta, a comunidade cristã de Jerusalém, com exceção dos apóstolos, dispersou-se nas regiões vizinhas e Filipe, um dos diáconos, chegou a uma cidade da Samaria. Ali pregou Cristo ressuscitado, o seu anúncio foi acompanhado por numerosas curas, de modo que a conclusão do episódio é muito significativa: «E houve grande alegria naquela cidade» (At 8, 8). Esta expressão surpreende-nos sempre, porque, na sua essencialidade, nos comunica um sentido de esperança; como se dissesse: é possível! É possível que a humanidade conheça a verdadeira alegria, porque onde chega o Evangelho, a vida floresce; como um terreno árido que, irrigado pela chuva, imediatamente reverdece. Filipe e os outros discípulos, com a força do Espírito Santo, fizeram nas aldeias da Palestina o que Jesus tinha feito: pregaram a Boa Nova e realizaram obras prodigiosas. Era o Senhor que agia por meio deles. Assim como Jesus anunciava a vinda do Reino de Deus, do mesmo modo os discípulos anunciaram Jesus ressuscitado, professando que Ele é o Cristo, o Filho de Deus, batizado no seu nome e afastando qualquer doença do corpo e do espírito.
«E houve grande alegria naquela cidade». Lendo este trecho, é espontâneo pensar na força restabelecedora do Evangelho, que ao longo dos séculos «irrigou», como um rio benéfico, tantas populações. Alguns grandes Santos e Santas levaram esperança e paz a cidades inteiras — pensemos em São Carlos Borromeu em Milão, no tempo da peste; na beata Madre Teresa em Calcutá; e em tantos missionários, cujos nomes são conhecidos a Deus, que deram a vida para levar o anúncio de Cristo e fazer florescer entre os homens a alegria profunda. Enquanto os poderosos deste mundo procuravam conquistar novos territórios por interesses políticos e económicos, os mensageiros de Cristo iam a toda a parte com a finalidade de levar Cristo aos homens e os homens a Cristo, sabendo que só Ele pode dar a verdadeira liberdade e a vida eterna. Também hoje a vocação da Igreja é a evangelização: quer em relação às populações que ainda não foram «irrigadas» pela água do Evangelho; quer em relação àquelas que, mesmo tendo antigas raízes cristãs, precisam de uma nova seiva para dar frutos renovados, e redescobrir a beleza e a alegria da fé. Queridos amigos, o beato João Paulo II foi um grande missionário, como documenta também uma exposição que está a decorrer atualmente em Roma. Ele relançou a missão ad gentes e, ao mesmo tempo, promoveu a nova evangelização. Confiemos ambas à intercessão de Maria Santíssima. A Mãe de Cristo acompanhe sempre e em toda a parte o anúncio do Evangelho, para que se multipliquem e se alarguem no mundo os espaços nos quais os homens reencontrem a alegria de viver como filhos de Deus.” (Papa Emérito, Bento XVI, Angelus, 29 de maio de 2011)

5º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO A


Cantai ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas e revelou sua justiça diante das nações.        (Sl 97,1s)

ORAÇÃO DO DIA

Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. (Oração das Horas)

 

Leituras da Liturgia Eucarística: At 6,1-7; Sl 32; 1Pd 2,4-9; Jo 14,1-12

EVANGELHO: Jo 14,1-12

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: ”Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho”.

Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”.
Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

REFLEXÃO

“A meta da nossa caminhada pascal é a casa do Pai, seu abraço aconchegante que nos espera, seu rosto amoroso, benigno, confiável e, sobretudo a participação na sua intimidade que nos leva à saciedade e à plenitude de nossa identidade.
A casa do Pai, aberta a todos, tem lugar sobretudo para os mais pobres que nunca tiveram uma casa própria, para os filhos pródigos que desejam regressar, para quem é desprezado pelo sistema e para os fiéis que souberam carregar o peso dos trabalhos e da vida.
Um caminho nos leva ao Pai! No Primeiro Testamento, o “caminho” traz presente a marcha do Êxodo em direção à Terra Prometida. O evangelho revela que Jesus é o Caminho, o meio, a porta para a vida, pois Ele é a revelação do Pai, no qual está a fonte e o horizonte de toda caminhada humana. Hoje existem muitos descaminhos oferecidos pelo consumismo, pelos meios de comunicação, e muita gente desencaminhada ou, até sem rumo na vida. Seguindo no caminho proposto por Jesus, a comunidade deve realizar o projeto de Deus, na vida, morte e ressurreição de Jesus.
Jesus é a verdade, porque é revelador do Pai. Ele é a revelação mais autentica do projeto de Deus. Ele tornou realidade visível o grande amor que o Pai tem por nós. Viver Jesus-Verdade é fazer concretamente em nossa vida a vontade do Pai: construir Seu reino de amor e paz. É ser fiel, como Jesus, ao projeto de Deus e denunciar as mentiras enganosas do mundo atual.
Jesus é a Vida, porque o Pai, Senhor do sopro da vida, está Nele presente. Recebemos de Jesus a vida em abundância (João 10,10) e a função da comunidade é apontar para essa vida que está em Jesus e profeticamente ser uma voz contra todas as mentiras e mortes. Não é indicar onde a vida se encontra, mas vivê-la profundamente através do mandamento do amor, síntese do projeto de Deus. Ao se declarar Caminho, Verdade e Vida, Jesus resume todo o Seu Evangelho.
Quando Jesus diz que é o “caminho”, está declarando que é o único caminho e que fora Dele não há salvação. Até mesmo para as pessoas crentes de outras religiões, a salvação passa por Cristo. São os “cristãos anônimos”, como definia o teólogo Karl Rahner. Nas religiões não-cristãs, encontram-se sementes do Verbo. Por isso, não é de bom tom ter atitudes proselitistas diante de seus fiéis. O próprio Jesus valorizou a fé de outras pessoas crentes que não faziam parte do povo de Israel. É o caso do centurião romano que pertencia a um império pagão e suplicou a Jesus que curasse o seu empregado. Diante da fé daquele pagão Jesus respondeu. “Em verdade vos digo que, em Israel, não encontrei em Israel alguém que tivesse tal fé” (Mateus 8,10b). Conhecendo a abertura ecumênica de Jesus, diante de crentes de outras religiões, somos convidados a testemunhar nossa fé e com eles colaborar na construção da paz e na defesa de toda a criação, realizando, desta forma, o projeto do Reino de Deus. Em nossa existência seguimos muitos caminhos, temos muitas verdades e buscamos a vida em muitos lugares; entretanto, Jesus se proclama o Caminho, a Verdade e a Vida para conhecer Deus como Pai.”
Fonte: bispado.org.br